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Renault muda Logan; Sandero espera, SUVs e Mégane RS disputam cota

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Dacia Logan: ganha o diamante da Renault, muda detalhes, e finalmente enterra a geração 2007 do sedã imagem: Divulgação

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

No passado, a Renault chamou a Ford para a briga e garantiu que ultrapassaria a rival americana nas vendas de automóveis no Brasil, entrando para o grupo das "quatro grandes" fabricantes estabelecidas no país. No presente, porém, quem ficou para trás foi a Renault: a audaciosa sul-coreana Hyundai agarrou a quinta posição, com 6,35% de participação de mercado (autos e utilitários leves), ante 6,05% da francesa. A Ford mantém o quarto lugar com renovada tenacidade.

A reação da Renault ao violento golpe aplicado pela Hyundai (leia-se: HB20) não será afobada. UOL Carros apurou que, ainda neste ano, o único carro crucial da marca que ainda pode sofrer alteração significativa é o Logan. De um feioso "Zé do Caixão" oriundo da Romênia, lançado aqui no já distante 2007, e cujo real apelo limita-se ao espaço e à robustez (é carro de praça), o sedã evoluirá à bem mais elegante segunda geração, apresentada à Europa no Salão de Paris 2012 com o emblema da Dacia (subsidiária romena da Renault).

CARTAS NA MANGA DA RENAULT

  • Murilo Góes/UOL

    SANDERO
    Será fabricado e vendido no Brasil no primeiro semestre de 2014; na foto, exemplar da nova geração no Salão de Paris 2012

  • Divulgação

    CAPTUR
    SUV compacto, usa plataforma do Clio 4, não disponível no Brasil; mais viável que o SUV médio Koleos, pode ser importado a partir de 2014

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    MÉGANE RS
    O cupê esportivo já desembarcou no país para testar a receptividade; poderia ser importado em volume mínimo, como carro de imagem

A plataforma é a mesma, mas no Brasil o Sandero, bem-sucedido hatchback que também já mudou na Europa, continuará igualzinho ao atual até algum momento do primeiro semestre de 2014. O carro, bom de venda (está sempre entre os dez mais emplacados, a cada mês), passou por um facelift no ano passado. Na avaliação da marca francesa, a configuração atual é capaz de segurar o rojão por mais um ano. O Sandero não é feio como o Logan...

FORASTEIROS
A grande dúvida em relação à Renault, especialmente depois do estabelecimento do novo regime automotivo (Inovar-Auto), é o que vai acontecer com sua gama importada, que hoje simplesmente não existe: todos os carros da marca vendidos no Brasil têm fabricação local ou no Mercosul. A empresa pode trazer da Europa, se quiser, cerca de 10 mil carros/ano submetidos a taxação mais suave. No momento, traz zero.

As especulações recaem sobre três modelos: os SUVs Captur e Koleos (este, frequentemente flagrado no Brasil) e o esportivo Mégane RS. Sobre o cupê, a Renault abriu o jogo após flagrante de duas unidades dele num porto paranaense, no desembarque rumo à fábrica: são unidades que estão no Brasil para uma espécie de "clínica", onde se mede a receptividade de crítica e público.

O Captur, cuja fabricação local antes de 2015 ou 2016 está praticamente descartada, talvez seja o candidato mais forte a dominar o que haja de cota a importar em 2014. Baseado no Clio 4 (de plataforma nova, que nada tem a ver com o carro de mesmo nome vendido hoje no Brasil), o SUV compacto é sob medida para enfrentar um contemporâneo seu, lançado recentemente por outra marca francesa, e também desafiar o Ford EcoSport (como auxílio luxuoso ao Duster) e, se um dia vier, o Chevrolet Trax/Tracker.

Já o Koleos é um SUV urbano maior e, na comparação com o Captur, menos atraente para os olhos. O design, um tanto cansado, reflete a construção sobre plataforma da década passada -- a mesma de Scénic e Mégane, além dos Nissan Qashqai e Rogue. A referência de mercado seria a dupla Hyundai ix35/Kia Sportage, mas o Koleos é cerca de 10 cm maior que os coreanos.

Dúvida: vale a pena importar um modelo de segmento competitivo para vender, no máximo, 10 mil unidades num ano? Essa quantidade o colocaria para baixo do 20º lugar entre os utilitários leves em 2012 (o próprio Duster vendeu quase 49 mil carros no ano passado). Também seria uma "ajudinha" de apenas 4% no volume total de emplacamentos da Renault (considerando, novamente, 2012).

Claro, pode ser estratégia interessante especular como carro de imagem, enquanto se ganha tempo para "globalizar" as linhas de produção no país -- algo que, por exemplo, a Ford já fez. Só então Clio 4 e Captur seriam nomes certos para fabricação local. Falta combinar com a Hyundai...

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