Peugeot 208 Allure é bom, bonito e quase barato

Claudio Luís de Souza
Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

  • José Mário Dias/Divulgação

    Peugeot 208 Allure: linhas mais agressivas dão um toque masculino ao modelo

    Peugeot 208 Allure: linhas mais agressivas dão um toque masculino ao modelo

Depois da apresentação de mercado do Peugeot 208, UOL Carros dirigiu por cerca de 400 km uma unidade do modelo na versão Allure (R$ 45.990), meio de gama, que, segundo a Peugeot, deverá responder por cerca de 50% das vendas (1.250 carros por mês). A de entrada, Active, que tem recheio convencional e viverá basicamente da boa aparência, ficaria com 25% dos emplacamentos; a Griffe, com outros 25%.

Como já dito, o visual é um trunfo do 208 difícil de ser batido. A linguagem de estilo da Peugeot atingiu nele um equilíbrio entre graça (no sentido de ser gracioso) e temperamento forte capaz de colocá-lo adiante dos rivais mais recentes e modernos. Entre estes, o Onix aposta em interessantes formas embrutecidas, e o HB20, no tema do voo. O 208 coloca os dois no bolso.

No interior do Allure, saltam aos olhos o capricho na montagem e o esforço de bolar uma cabine que faça jus ao lado de fora do carro. O painel frontal, anguloso e em dois tons (a parte em cinza, de plástico texturizado, risca com facilidade), tem poucos controles físicos, já que boa parte deles está no volante multifunções e/ou na tela multimídia sensível ao toque -- que, pela posição centralizada, domina toda a porção dianteira do habitáculo.

Trata-se de item (de série na versão Allure) que eleva o status do 208 principalmente porque a concorrência ainda é tímida no embarque de tecnologia periférica em carros menores. E olhe que o sistema nem é tão espetacular quanto a Peugeot propagandeia. Por exemplo, cada função precisa ser gerida em telas que se alternam, sem visualização compartida. Falta também a intuitividade que se poderia esperar de um gadget a ser lançado aqui em 2013.

O sistema de navegação por GPS, porém, é muito bom, atualizado e com discurso em português brasileiro. Por ora ele basta para justificar a existência do sistema (que, numa segunda geração do 208, certamente vai mudar 100%).

QUESTÃO DE PERSPECTIVA

  • Divulgação

    Painel alto, volante pequeno e baixo: posição esportiva de dirigir é marca do 208, mas motorista precisa se acomodar em função dela

Outro aspecto crucial da cabine do 208 é a posição de dirigir. Ela é naturalmente elevada (ou passa a impressão de ser assim) porque os instrumentos estão colocados acima do painel central, e devem (não é que podem, e sim que devem) ser lidos por cima do volante. Para completar a brincadeira, ele é pequeno e esportivo.

Esse arranjo inusual serve para pessoas de qualquer altura (assento e coluna de direção podem ser ajustados) e dá um sabor de pilotagem à condução do 208, intensificado pelo teto panorâmico fixo: quando se abre a tampa interna deslizável, ele forma um enorme conjunto envidraçado com o parabrisa. Cria-se um ambiente de "ar livre" que lembra a experiência de guiar um monoposto -- ou, como lembrou um colega jornalista, de estar ao console de um videogame. Ajuda, ainda, o fato de o painel (elegante, com iluminação branca) não obstruir a visão da "pista", mesmo sendo alto.

O espaço na cabine (montada sobre confortável entre-eixos de 2,54 metros) é suficiente para quatro ocupantes viajarem sem se sentir encaixotados. Mas não é o mesmo de uma sala de estar: o final do teto descreve uma curva que tende a roubar espaço da cabeça de quem vai no banco traseiro.

Provocado, o próprio diretor-geral da Peugeot no Brasil, Frédéric Drouin, de 1,82 metro, aceitou o desafio deste jornalista, de 1,71 metro, e sentou-se como passageiro traseiro no 208 para provar que ali há, sim, conforto vertical. Conclusão: sentado "à vontade", não muito ereto, o sujeito de 1,82 m acomoda-se numa boa; sentado como numa sessão de RPG, esticado e pouco natural, o de 1,71 m pode sentir o teto muito perto de si...

EM MOVIMENTO
Até aqui, o Peugeot 208 "falou" bastante. Será que ele faz?

O comportamento dinâmico do compacto foi uma agradável surpresa. O motor de 1,5 litro e oito válvulas, cuja descrição poderia soar como a de uma gambiarra, é nota A de consumo no Inmetro e forte em giro baixo -- o que significa haver fôlego imediatamente após qualquer troca de marcha. Essa característica "pede" que o motorista mais entusiasmado afunde o pé no acelerador e atrase ao máximo cada mudança. Enquanto isso, a agulha do conta-giros sobe feliz até as 6.000 rpm, acompanhada de um ronco intenso e estimulante.

Em situação de cruzeiro, a 120 km/hora, o motor do 208 trabalha a 3.500 rpm, e o nível de ruído na cabine é civilizado. Mas ficou a impressão de que uma sexta marcha cairia bem, aliviando o propulsor em velocidades mais altas e constantes.

Outra bola dentro da Peugeot está na calibragem da suspensão. Ela é apenas 1 cm mais alta que a do carro europeu (segundo a marca, as diferenças entre um carro e outro são em geral cosméticas), mas oferece curso suficiente para segurar carroceria e pneus no chão mesmo em traiçoeiras ondulações escondidas nas rodovias do Rio de Janeiro percorridas no test-drive.

LUZES NA CIDADE

  • Divulgação

    Lanterna traseira do 208 tem LED, mas na versão Allure o conjunto frontal é todo halógeno

Mas o 208 não é excessivamente permissivo: mesmo em curvas mais abusadas ele quase não inclinou; ao longo do trajeto subesterçou minimamente; e, para sair de traseira, talvez tivesse de ser provocado além do limite do bom senso. Ao acrescentar à receita uma direção elétrica cuja progressividade (aumento da rigidez em velocidades altas e alguns esterçamentos) é evidente sob as mãos do motorista, o carro da Peugeot se mostra infinitamente mais instigante de guiar que seus concorrentes diretos -- porque dá ao motorista a sensação de controle (quase) total.

Nem por isso o 208 cansa, no sentido fisiológico do termo, queixa comum ao guiar carros compactos por tempo prolongado. A alavanca de câmbio com engates dóceis e uma pedaleira de resistência mínima aos pés são decisivos para isso -- e importantes num tráfego urbano cada vez mais travado como o nosso.

O 208 com motor 1.5 cravou consumo médio de 8,5 km/litro de etanol, único combustível utilizado pela Peugeot nesta apresentação. Não é uma marca esplêndida; o Inmetro obteve 9,6 km/l em uso rodoviário (com gasolina, 14,3 km/l). A nota A concedida pelo instituto é dentro da categoria dos compactos. No geral, o 208 1.5 ficou com nota B. Seus números são sempre melhores que os do 208 com motor EC5 de 1,6 litro e 16 válvulas. Seu preço também é.

Por falar nisso: o 208 com nível de equipamentos semelhante ao do Allure nacional (perde feio em itens de segurança, ganha no teto panorâmico) que é vendido na França, e fabricado por lá, custa 16.950 euros com motor três-cilindros 1.2 e 17.900 euros com motor 1.6, ambos a gasolina. Convertendo para reais, são R$ 45.765 e R$ 48.330, respectivamente

São mercados diferentes, o poder de compra é outro, o carro gringo é mais seguro, e quem falou que R$ 45.990 é pouca grana?

Tudo verdade. Mas quantas vezes você leu, aqui ou em outro lugar, que o preço em reais de um carro global é menor no Brasil que no exterior? Pois é. Quase dá para dizer que o 208 é bom, bonito, e também barato. Quase...


Viagem a convite da Peugeot

Notícias relacionadas

titulo-box Shopping UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos