Hyundai HB20 Comfort Style 1.0 é analisado em dose tripla

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Murilo Góes/UOL

    Hyundai HB20 Comfort Style 1.0: um carro capaz de enganar quem viaja nele -- para melhor

    Hyundai HB20 Comfort Style 1.0: um carro capaz de enganar quem viaja nele -- para melhor

Eleito o melhor carro de 2012 em votação de UOL Carros, o Hyundai HB20 já havia sido testado com motor 1.6 e câmbio manual, já no lançamento oficial à imprensa automotiva, em setembro. Antes disso, uma rapidíssima degustação do modelo foi feita com unidades (1.0 e 1.6) ainda camufladas, dentro da fábrica de Piracicaba.

Faltava uma avaliação "de rua" do HB20 dotado do motor 1.0, 3-cilindros, bicombustível, acoplado a uma caixa de marchas manual. Para isso, a equipe de UOL Carros vem convivendo com uma unidade Comfort Style, a mais completa com motor de 1 litro (custa R$ 37.995), há mais de 15 dias. Foram 750 km percorridos 80% na cidade, alternando gasolina e etanol no tanque.

O carro que testamos, "completaço", tinha itens como freios como ar-condicionado, direção hidráulica, airbags frontais, freios com ABS/EBD, faróis de neblina, regulagens de posição da coluna de direção, retrovisor elétrico, sistema de áudio double DIN com entradas AUX e USB e comandos no volante, rodas de liga de aro 14, computador de bordo com seis funções, regulagem de altura do banco do motorista, limpador traseiro, moldura negra para os faróis e diversos porta-trecos, vidros elétricos dianteiros e traseiros (one touch à frente), chave canivete com abertura de portas e desembaçador traseiro.

Leia, logo abaixo, o que cada jornalista achou do grande carro de 2012.

ANDRÉ DELIBERATO
Redator de UOL Carros

Impressões:
O HB20 é o carro perfeito para quem não pode usar transporte público e precisa rodar diariamente em grandes metrópoles. Compacto e econômico, o carrinho seria minha escolha caso eu procurasse um 1.0. Primeiramente, porque seu motor tem apenas três cilindros e, ao mesmo tempo em que polui menos, é um dos mais potentes da categoria. Tem mais: o câmbio manual oferece engates rápidos e precisos, como em um Volkswagen (só quem já teve sabe que o câmbio dos alemães é referência em diversas categorias).

Fora isso, os 50 litros do tanque de combustível estimam sua autonomia em mais de 600 km -- durante os dias em que rodei com o carro pela cidade de São Paulo, o computador de bordo indicava 12,1 km/litro de gasolina. Multiplicados pelos 50 l do tanque, dá exatos 605 km. (no Inmetro, o carro cravou 11,5 km/l na mesma condição).

Além do show de consumo e baixas emissões, o carrinho ainda oferece boa posição de dirigir, design moderno e arrojado, equipamentos de alta qualidade, bom espaço traseiro para duas pessoas e porta-malas de 300 litros, 20 l a mais que o de seus principais concorrentes, como Volkswagen Gol e Fiat Uno. Sem contar os cinco anos de garantia.


O que é bom: Acabamento, nível de equipamentos, posição de dirigir, design.
O que é ruim: Ajuste de altura do banco poderia ser melhor.
Votou no HB20? Sim, duas vezes (R$ 30 mil/R$ 40 mil e melhor do ano)
Compraria um? Sim, tanto o 1.0 quanto o 1.6.

  • Murilo Góes/UOL

    HB20 de volta à avenida Paulista, palco do primeiro grande flagra do modelo


EUGÊNIO AUGUSTO BRITO
Editor assistente de UOL Carros

Impressões:
Poucas vezes fui tão interrogado a respeito de um carro quanto no caso do HB20. Por conta do flagra de UOL Carros, no final de agosto, a leva de perguntas feitas por amigos e parentes começou muito antes do lançamento oficial do compacto, em setembro. A cada questionamento, pude perceber que a expectativa sobre o pequeno da Hyundai era gigante: no imaginário das pessoas, o hatch seria "o melhor carro compacto do mundo". O exagero da propaganda da Caoa, personificação da Hyundai no Brasil até então, tornou-se quase um item de série de seus carros no país. Até mesmo de um modelo que nada têm a ver com a Caoa: o HB20 é fabricado e vendido pela Hyundai "pura", sem intermediários.

É preciso dizer que HB20 não é o melhor carro do mundo, nem mesmo entre os compactos. Mas, verdade seja dita, surpreendeu ao elevar o nível do segmento com belo design e boa lista de equipamentos. Ele é bonito, num segmento que se acostumou a receber modelos feios com a desculpa de que o cliente só quer (ou queria) um pacote mínimo com preço que caiba no orçamento apertado.

Faróis e lanternas são alongados e integrados de forma natural ao restante da carroceria; vincos e ressaltos respeitam as regras de ouro do desenho automotivo, como em modelos maiores e mais caros: nada de detalhes grandes demais ou marcas que façam o carro parecer batido.

A beleza exterior vira funcionalidade no interior. O painel está na medida, nem grande demais, nem muito alto ou muito baixo. O Hyundai tem volante com tamanho bom, formato interessante e ajuste tanto de altura, quanto de profundidade, servindo a motoristas de diferentes tamanhos. Mas falta ajuste de altura do banco (há uma regulagem da ponta do assento, mas isso é enganação), que também é curto demais (a exemplo do que vem ocorrendo em todo o segmento). Ainda assim, comandos do ar condicionado e do sistema de som, itens existentes mesmo na versão de entrada, estão bem-posicionados e evitam que o motorista se distraia ao acioná-los.

Não gostei, porém, da embreagem com curso longo demais e do câmbio impreciso -- ambos ofuscam o brilho da direção hidráulica. Neste ponto, Volkswagen Gol e mesmo o Chevrolet Onix são melhores. Rodando com etanol no tanque, o consumo médio foi de 8 km/litro, até um pouco melhor que o aferido pelo Inmetro (7,6 km/l, em cidade).


O que é bom: Ter um painel do mesmo nível de carros mais caros da Hyundai.
O que é ruim: Sofrer para encarar ladeira com o ar condicionado, chateação de todo 1.0.
Votou no HB20? Sim, uma vez (R$ 30 mil/R$ 40 mil).
Compraria um? É boa opção para quem só pode pagar um 1.0, mas eu miraria o 1.6.  

  • Murilo Góes/UOL

    Um tanto lerdo nas saídas, motor 1.0 faz o HB20 "voar" depois que pega embalo


CLAUDIO LUÍS DE SOUZA
Editor de UOL Carros

Impressões:
Eu já havia gostado bastante do HB20 nas duas oportunidades em que o dirigira: o teste rápido dentro da fábrica e o lançamento oficial na Bahia -- nesta, entendi perfeitamente porque a Hyundai falava em "bombar" primeiro o HB20 1.6: além de mais caro, é um carro com desempenho muito superior ao do segmento. Basta dizer que ele traz sob o capô o mesmo motor da nova geração do hatch médio i30. Se falta força a este, como já andam reclamando por aí, sobra àquele.

O carro 1.0 com o peculiar motor 3-cilindros, o mesmo do Kia Picanto, também tinha deixado boa impressão na pista de Piracicaba, mas era preciso mais. Desta vez, dirigi-o principalmente em trechos urbanos, mas peguei alguma estrada também.

Não dá pra deixar de dizer que, nas saídas, o HB20 1.0 é um tanto decepcionante. O motor parece demorar um tantinho para acordar, e a passagem da primeira à segunda marcha, meio molenga, pode provocar um tranco que faz lembrar os piores momentos dos Dualogics e I-Motions da vida. A única maneira de evitá-lo é controlar a embreagem, que de fato tem curso longo. Da segunda para cima o conjunto oferece funcionamento sempre agradável.

Embalado, o HB20 1.0 vira outro carro, rodando com naturalidade e baixo ruído em velocidades de cruzeiro na vizinhança dos 120 km/h. Tenho certeza de que um eventual carona poderia ser ludibriado e terminar seu passeio achando que se trata de um carro 1.4 ou mesmo 1.6. No entanto, o consumo de gasolina que obtive foi alto: 7,8 km/litro, ressalvando que dirigi o HB20 em situações adversas, como um alagamento que obrigou-me a acelerar em marchas baixas para evitar pane. E, sim: tenho o pé direito (meio) pesado.

Quanto ao que o HB20 oferece aos sentidos, por fora e por dentro, chega a ser covardia -- e isso porque eu acho o Chevrolet Onix tão bonito quanto. Não há como comparar as linhas fluidas do carro da Hyundai com o redondinho Fiat Palio, o igual-a-todos Volkswagen Gol, o equivocado Toyota Etios etc. Mas o melhor é entrar na cabine e encontrar um ambiente não só espaçoso, mas tão caprichado a ponto de ser capaz de ludibriar o mesmo hipotético carona citado acima -- desta vez, fazendo-o crer que a viagem foi, digamos, num "i30 novo".

Os poucos pontos negativos ficam para o ajuste-truque de altura do banco do motorista (pessoas com menos de 1,60 metro precisariam de mais elevação) e o sistema de som meio xing-ling na comparação com o que a Hyundai oferece em outros modelos (o relógio, por exemplo, só marca as horas de 0 a 12). Mas, no geral, o HB20 veio para subir o nível do mercado em sua faixa de preços.


O que é bom: Acabamento, estilo, nível de equipamentos, preço razoável.
O que é ruim: O câmbio poderia ter relação melhor. Ajuste de altura no banco é fajuto.  
Votou no HB20? Sim, duas vezes (R$ 30 mil/R$ 40 mil e melhor do ano)
Compraria um? Entre os 1.0 ele seria minha escolha, mas eu pouparia para um 1.6 A/T.



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