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Atualizada em 09.10.2012 13h15

Volkswagen Voyage 1.6 Comfortline I-Motion quer ser premium sem abandonar origens

Murilo Góes/UOL
Sedã ganha fôlego contra Fiat Grand Siena, Toyota Etios, Nissan Versa e Chevrolet Cobalt imagem: Murilo Góes/UOL

André Deliberato

Do UOL, em São Paulo (SP)

Renovado para enfrentar os últimos lançamentos da categoria de sedãs-compactos (entre eles, Fiat Grand Siena, Toyota Etios sedã, Nissan Versa e Chevrolet Cobalt), o Volkswagen Voyage melhorou: ganhou equipamentos e ficou mais bonito na linha 2013.

A proposta da Volks ao atualizá-lo foi dar status ao modelo, ideia posta em prática por outras fabricantes e que já mostrou dar resultado. Só que, ao contrário de carros como Cobalt e Versa, que já nasceram como sedãs-compactos-mas-espaçosos, o Voyage tem origem mais humilde: é um sedã pequeno, derivado do Volkswagen Gol, irmão que ganhou refino na última reestilização sem esquecer seu lado popular.

Carinhosamente, esses modelos que oferecem um pouco mais de requinte e espaço foram chamados de "premium" pela imprensa especializada. Será que o Voyage tem condições de subir para esse degrau? UOL Carros rodou por uma semana com a versão Comfortline 1.6, com câmbio robotizado I-Motion, para descobrir.

APERTO
Comecemos pelo tamanho. O Voyage tem 2,46 metros de entre-eixos. Versa e Cobalt, por exemplo, têm 2,60 m e 2,62 m, respectivamente. Isso se reflete no espaço traseiro: enquanto a área para a cabeça é apenas regular no sedã da VW, a região das pernas vira um aperto. Pior ainda se os ocupantes da frente tiverem mais de 1,80 m.

O porta-malas tem 480 litros, que não é um mau número, mas que perde para o do Cobalt (563 l) e para o do Etios sedã (562 l), as duas referências no quesito. Embora a diferença de mais de 80 litros não seja tão grande, o espaço para a bagagem é um fator decisivo para um cliente desta categoria. E nisso o Voyage volta a mostrar suas origens populares.

POR DENTRO
Os plásticos e os detalhes que imitam alumínio escovado oferecidos na versão Comfortline são mais decentes que os da versão 1.0. Isso é óbvio: por R$ 43 mil, era de se esperar uma acabamento digno do preço e no mínimo melhor que o da configuração de entrada. Existem carros da categoria com interior de pior qualidade (mas também há melhores).

A acústica da cabine do Voyage não esconde sua origem humilde. Etios e Grand Siena, por exemplo, ainda que tenham motores mais fracos, dão show nesse aspecto em relação ao sedã da Volks. Isso sem citar o Cobalt, a referência no quesito.

O painel é intuitivo e bem ergonômico. A única bola fora são os comandos elétricos do motorista para os vidros traseiros, que ficam no console central e não na porta. Os bancos são agradáveis e a posição de dirigir também, graças ao banco perto do assoalho, com ajuste de altura.

MOTOR
O trem-de-força que move o carro é o 1.6 VHT, transversal, da família EA111, de 104 cv e 15,6 kgfm de torque com etanol no tanque (101 cv e 15,4 kgfm com gasolina). Propulsor que responde bem aos comandos do acelerador, apesar dos tradicionais soluços causados pelo câmbio automatizado -- cada vez mais irritantes nas retomadas de velocidade.

Na estrada, a 120 km/h e em quinta marcha, o Voyage roda a 2.500 rpm, sem sofrimento. O consumo apontado no computador de bordo -- com a maioria do roteiro em trechos urbanos -- foi de 8,6 km/l de etanol. Isso significa autonomia de até 473 quilômetros em ciclo misto. Bom número, mas ainda longe do que foi determinado pelo governo.

PREÇO DE MÉDIO
Com todos as opções do catálogo, como a versão avaliada, o carro não sai por menos de R$ 53.660. Assim como a versão 1.0, que chega a cobrar mais de 32% do valor do carro em opcionais, o Voyage 1.6 é carro para vendedor abusar da lábia -- afinal, por quase R$ 54 mil é possível encontrar opções mais fortes e confortáveis no mercado (sedãs médios, inclusive).

Ar-condicionado, rodas de liga leve, sensor de estacionamento e faróis de neblina são opcionais que acrescentam até R$ 9.184 ao valor final do sedã. Ao menos freios ABS (antitravamento), airbags, direção hidráulica, vidros e travas elétricos, som e rodas de 15 polegadas (de aço) são de série.

SAIBA O QUE O AUTO+ ACHOU DO VOYAGE

QUERER NÃO É PODER...
Como se vê, o Voyage emplaca onde não deveria -- seus concorrentes diretos, pela origem, seriam Chevrolet Classic e Renault Logan (e o futuro sedã do compacto Onix, da GM). Numa analogia, seria como um garoto-prodígio do time juvenil de futebol ter lampejos de craque entre profissionais. Tem certas qualidades para isso, mas não suportaria a pressão.

Se sua busca for por um carro espaçoso e com status "premium", consulte as opções citadas no texto. Se ainda quiser ficar na casa VW, aguarde: especula-se que o Santana possa voltar ao mercado, aí sim como um sedã compacto alongado, para concorrer com Cobalt, Versa e companhia.

E se a decisão final for mesmo pelo Voyage, anote: você levará para casa um carro bonito, bem-acabado e econômico, mas muito mais caro do que realmente vale e com conforto de carro de popular -- o que ele realmente é.

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