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Crise entre Japão e China pode ajudar montadoras europeias

Carlos Barria/Reuters
Na China, protestos contra o Japão aumentam com o duelo político que opõe os dois países imagem: Carlos Barria/Reuters

André Deliberato

Do UOL, em São Paulo (SP)

A China atualmente é o maior mercado automotivo do mundo e as fabricantes de veículos sabem (e se aproveitam bem) disso. Com a crise econômica na Europa, o país oriental, junto com os demais "emergentes" -- entre eles, o Brasil --, se tornam as principais fontes de retorno financeiro e investimento das grandes montadoras, seja de onde forem.

Só que essa fórmula não pode mais ser aplicada, ao menos temporariamente, pelas fabricantes japonesas por causa de uma disputa territorial entre Japão e China (leia mais abaixo). 

Sem poder contar com as vendas no país, o prejuízo das montadoras nipônicas começa a aparecer, fazendo com que fabricantes europeias iniciem relativa recuperação em relação ao estrago econômico vivido em seu continente de origem. A japonesa Toyota, líder mundial do segmento de carros e comerciais leves, por exemplo, teve grande impacto nas vendas após o início dos conflitos e sofreu recuo de 40% em setembro. As vendas da compatriota Mazda, por sua vez, despencaram 35%.

  • O Toyota Corolla anterior ao nosso (comercializado por aqui de 2002 e 2008) ainda é vendido na China por uma joint-venture; emplacamentos da fabricante no país caíram 40% em setembro

Outras montadoras, beneficiadas pela briga entre os países asiáticos, se aproveitam da situação para ganhar mercado -- como a Audi e a General Motors, por exemplo. A BMW, atual primeira colocada no segmento premium de automóveis, cresceu 55% na China em setembro. A rival Mercedes também apontou aumento de 10%, enquanto a sul-coreana Hyundai teve aumento de 15% em território chinês.

Os números tendem a aumentar na medida em que os protestos e entraves políticos entre os dois países continuarem. Em suma, empresas de todo o mundo -- mas principalmente europeias -- que não tinham previsão de recuperação começam a enxergar uma luz no fim do túnel por causa da China. Prova disso é a grande quantidade de carros feitos sobre plataformas globais e criados, principalmente, para o público emergente apresentados no Salão de Paris 2012.

ENTENDA A DISPUTA
As relações entre Japão e China passam por grande turbulência devido a um conflito territorial por um pequeno arquipélago situado no Mar da China Oriental, conhecido como Senkaku por Tóquio e Diaoyu por Pequim. Porta-vozes chineses chegaram a afirmar que a atitude "provocativa" japonesa obrigaria o país a "tomar atitudes mais sérias".

No começo de setembro, o governo japonês adquiriu o terreno de três dessas ilhas e passou a administrá-lo, o que gerou protestos na China, que, em alguns casos, incluíram atos de violência contra alvos japoneses locais -- o arquipélago é visto como território sagrado pelos chineses.

Por este motivo, empresas nipônicas viram suas ações despencarem nas últimas semanas e foram obrigadas a paralisar temporariamente suas atividades (algumas parcialmente, outras integralmente), casos das montadoras de automóveis Toyota, Honda, Nissan, Mitsubishi e Mazda. Japoneses que vivem na China foram, inclusive, orientados a deixar o país.

O último encontro entre os governantes dos países, em reunião na ONU (Organização das Nações Unidas) no final de setembro, terminou com impasse e sem definições.

Apesar disso, e das diferenças históricas acirradas por um passado violento de conflitos e guerras entre elas, as duas partes pretendem continuar dialogando.

Com Agências

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