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Atualizada em 27.09.2012 14h05

Chefão da Renault mostra Clio IV sem citar crise; Brasil não terá o modelo

Murilo Góes/UOL
Clio IV em Paris: Renault valorizou equipe que fez o 1º modelo com o novo visual da marca imagem: Murilo Góes/UOL

Claudio Luis de Souza

Do UOL, em Paris (França)

A crise econômica que atinge a Europa também faz mal à Renault, cuja queda nas vendas de carros novos está em linha com o mercado do continente (por volta de 8%). Na abertura do Salão de Paris, porém, o chefão do grupo francês, Carlos Ghosn, preferiu ressaltar o trabalho em equipe que resultou na quarta geração do compacto Clio, lançado mundialmente no evento.

Num gesto inusual em salões automotivos, Ghosn apareceu no palco do estande da Renault, na manhã desta quinta-feira (27), acompanhado de vários funcionários da empresa, anunciados como os criadores do compacto, o primeiro da gama a adotar a nova linguagem visual da Renault -- basicamente, um conjunto ascendente formado por faróis marcantes que ladeiam grade frontal estreita, com o losango do emblema em tamanho GG ao centro.

  • Claudio Luis de Souza/UOL

    Carlos Ghosn, presidente do grupo Renault-Nissan, fala a jornalistas em Paris nesta quinta-feira

Obviamente não se tratou de um improviso, mas a fala de Ghosn ao lado de funcionários de escalão inferior da Renault (normalmente só sobem ao palco os altos executivos) pareceu uma tentativa de amenizar a entrevista incendiária que o chefão da marca concedeu ao jornal francês Le Figaro, que a manchetou em primeira página nesta quinta.

Ghosn advertiu que a indústria automotiva francesa precisa ganhar competitividade para sair do atoleiro (a PSA Peugeot Citroën vai ainda pior que a Renault). Ele defende a flexibilização das leis trabalhistas locais e apela até ao governo socialista do presidente François Hollande, que já agiu para evitar demissões em fábricas no país.

Caso nada seja feito, fechamentos de turnos, demissões (quem sabe de alguns que subiram ao palco aqui...) e mesmo o realocamento de linhas de produção para outros países parecem estar à mesa (em 2011 Ghosn disse aos japoneses, no Japão, que tiraria a Nissan do país e a levaria 100% ao México se o iene continuasse valorizado).

As palavras de Ghosn encaixaram perfeitamente na linha editorial conservadora do Figaro, que sob a foto do executivo da Renault publicou um editorial defendendo, entre outras medidas, o fim da jornada de trabalho de 35 horas semanais.


CLIO MUDA
No entanto, a apresentação oficial da Renault ao jornalistas aqui em Paris foi tranquila, quase plácida, e com pouca ou nenhuma referência à crise europeia.

O Clio IV surgiu na versão hatch, já de produção, e com as variações Estate (perua) e Sport sob forma de conceito. Moderno e arrojado, este Clio não chegará ao Brasil -- jamais. Em nosso país, o modelo de mesmo nome ganhará já nas próximas semanas uma reestilização que o deixará alinhado à nova identidade da marca (mas não muito), além de receber um trato no conteúdo e incorporar (gradualmente) airbags e ABS.

ASSISTA AO VÍDEO OFICIAL DO CLIO IV

O Clio seguirá como porta de entrada da Renault no país, com preço sempre inferior a R$ 30 mil. Unidades serão exibidas ao público já no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.

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