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Atualizada em 18.09.2012 05h01

Daimler vê economia do Brasil em baixa e receita Copa do Mundo como remédio

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Andreas Renschler, chefe mundial de caminhões e ônibus da Daimler: Brasil precisa fazer gols imagem: Divulgação

Claudio Luis de Souza

Do UOL, em Hanover (Alemanha)

A Daimler, empresa alemã líder mundial no setor de caminhões e ônibus, avalia que a economia do Brasil passa por um momento relativamente ruim, que pode durar enquanto os investimentos para a Copa de 2014 não se intensificarem. Ao mesmo tempo, os demais países do chamado Bric (Rússia, Índia e China) avançam como mercados importantes para veículos pesados.

Como caminhões e ônibus são comprados principalmente por empresas e governos, suas vendas são tidas como um indicador confiável sobre a economia de um país. 

"O mercado de caminhões ainda está num nível muito alto no Brasil, mas não há dúvida: a adoção das regras de emissões Euro 5 e uma economia mais fraca são as marcas de 2012", disse nesta segunda-feira (17) Andreas Renschler, chefão global da área de caminhões da Daimler. "O Brasil, hoje, não está tão dinâmico quanto antes".

Desde o começo do ano, os caminhões novos vendidos no Brasil precisam cumprir metas de emissões de gases mais estritas, contida na norma conhecida como Euro 5. Antes, seguiam metas equivalentes às da Euro 3. O incremento tecnológico teve seu custo repassado ao preço final dos veículos. A Europa já está num estágio mais avançado: o Euro 6, que entra em vigor no início de 2013.

Os números parecem dar razão a Renschler: os emplacamentos de caminhões no Brasil devem fechar 2012 em 139.853 unidades, segundo projeção da Fenabrave (federação das concessionárias). Se ela se confimar, o tamanho do passo atrás do segmento será de dois anos, pois essas vendas são piores que as de 2010 (157.645 unidades) e 2011 (172.679).

Entre 2006 e 2011, excetuando a baixa registrada em 2009 devido à crise financeira global, as vendas de caminhões -- sempre segundo a Fenabrave -- mais que dobraram na comparação anual: saltaram de 75.790 unidades há seis anos para 172.679 no ano passado (aumento de 127%), também em consequência de uma corrida às revendas para aproveitar o estoque de unidades Euro 3.

A fala do executivo, durante evento da Daimler na véspera do Salão de Hanover (Alemanha), que é dedicado a veículos pesados, contrastou o "pessimismo light " em relação ao Brasil com elogios à Rússia, ao Japão e aos Estados Unidos, este último numa fase de retomada econômica que se reflete nas vendas do setor.

China, maior mercado mundial de veículos pesados, e Índia, a caminho de ocupar o segundo lugar, também foram citados positivamente por Renschler.

No entanto, o executivo da Daimler lembrou que o Brasil sediará a Copa do Mundo de 2014, criando um ambiente favorável para o setor de veículos pesados -- e não só para os caminhões, indispensáveis nas grandes obras de infraestrutura. "Serão necessários mais ônibus novos, que cumpram o Euro 5", disse Renschler, aludindo aos crônicos problemas de transporte público no país. Em novo discurso, já nesta terça-feira (18), além da Copa de 2014 o executivo citou também as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, como fator favorável às vendas de veículos pesados. 

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    Caminhão da Freightliner, marca americana da Daimler: nos EUA, setor tem crescimento

GLOBAL
Durante o evento na noite desta segunda, a Daimler apresentou alguns novos caminhões à venda em seus principais mercados, cada um defendido por marca específica: Bharat Benz (Índia), Kamaz (Rússia), China (Foton Auman), Japão (Fuso), Freightliner (Estados Unidos) e Mercedes-Benz (Europa, Brasil e restante da América do Sul).

À exceção do modelo dos EUA, de carroceria semiavançada (é um "bicudo", com motor à frente da cabine), os demais são os chamados "cara chata", com dianteira reta e motor sob a cabine, para seguir regra local que considera a dimensão do veículo a partir do parachoque. Do Brasil, foram mostrados aqui os modelos Actros e Antos.

A estratégia da Daimler para caminhões e ônibus tem um lema claro: "Tão global quanto possível, tão regional quanto necessário". Trata-se do compartilhamento de plataformas com acabamentos e conteúdos diferentes (inclusive tecnologia embarcada e itens de segurança), dependendo do poder de compra de cada mercado. Nada diferente do que fazem hoje as principais fabricantes de automóveis e utilitários leves.

Viagem a convite da Anfavea

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