Hyundai HB20 com motor 1.6 é aposta inicial da marca; leia nossas impressões

Claudio Luis de Souza
Do UOL, em Comandatuba (BA)

A Hyundai manteve sua política de "fatiar" o lançamento do HB20 anunciando, na noite de quarta-feira (13), apenas o preço da versão de entrada do modelo brasileiro, a Comfort 1.0 (R$ 31.995). Na manhã desta quinta (13), aqui em Comandatuba, na Bahia, a fabricante finalmente liberou os preços da gama completa do compacto, que deve começar a ser vendido em 10 de outubro.

Veja abaixo a lista completa de versões, com preços e principais itens de conteúdo:

HB20 Comfort 1.0 -- R$ 31.995
Versão de entrada provisória, porque a Hyundai deve lançar uma opção ainda mais em conta. Esta vem com ar-condicionado, direção hidráulica e airbag duplo, mas sem ABS (antitravamento) e EBD (distribuição de força) nos freios. Outros itens a destacar são computador de bordo com seis funções, regulagem de altura do banco do motorista, limpador traseiro, moldura negra para os faróis e diversos porta-trecos.

HB20 Comfort Plus 1.0 -- R$ 33.995
Mesmo pacote anterior, acrescido de vidros elétricos dianteiros e traseiros (one touch à frente), chave canivete com abertura de portas e desembaçador traseiro.

HB20 Comfort Style 1.0 -- R$ 37.995
Opção mais completa com o propulsor de 1 litro, acrescenta ABS e EBD, faróis de neblina, regulagens de posição da coluna de direção, retrovisor elétrico, sistema de áudio double DIN com entradas AUX e USB e comandos no volante (opcional nas versões anteriores, a R$ 995), detalhes cromados e rodas de liga de aro 14.

HB20 Comfort 1.6 -- R$ 36.995
Mesmo pacote do Comfort 1.0, mas com ABS e EBD, além de detalhes na cor da carroceria e cromados.

HB20 Comfort Plus 1.6 -- R$ 38.995
Idêntico ao Comfort Plus 1.0

HB20 Comfort Style 1.6 -- R$ 42.995 (M/T) e R$ 45.995
Semelhante ao Comfort Style 1.0, mas com opção de câmbio automático de quatro marchas, que custa exatos R$ 3.000.

HB20 Premium -- R$ 44.995 (M/T) e  R$ 47.995 (A/T)
Versão completíssima do compacto, oferece itens exclusivos como sensores de luminosidade e de estacionamento, volante revestido em couro, máscara dos faróis cromada, rodas de liga de aro 15 e interior em tom claro.

O carro da Hyundai pode ser comprado em oito cores, sendo três com custo zero: branco, preto e vermelho. As metálicas são duas, a R$ 1.045: prata e cinza escuro. As mais bonitas são também as mais caras: perolizadas, as pinturas em azul, preto e marrom custam R$ 1.245 extras.

Imagens e detalhes do HB20
Veja Álbum de fotos

Os motores da gama HB20 são fabricados na Coreia do Sul e equipam os Kia Picanto e Soul. São unidades bicombustíveis, com bloco em alumínio e comando variável nas válvulas. O 1.0 tem apenas três cilindros; o 1.6 tem quatro.

Números completos:
80/76 cavalos de potência a 6.200 rpm e 10,2/9,4 kgfm de torque a 4.500 rpm no propulsor menor, e 128/122 cv a 6.000 rpm e 16,5/16 kgfm a 6.000 rpm no de 1,6 litro (os dados são sempre etanol/gasolina).

APOSTA ALTA
O presidente da Hyundai Motor do Brasil, Chang Kyun Han, afirmou nesta quinta que espera maior procura pelo HB20 com motor de 1,6 litro. A tese é a de que a migração do consumidor brasileiro para carros mais sofisticados e caros (esperável num cenário de crescimento do poder aquisitivo) vai continuar. "Mas podemos fabricar mais HB20 com motor 1.0 se os clientes preferirem", disse Han.

Em 2013, dos 150 mil carros a serem fabricados em Piracicaba (SP), 90 mil serão HB20 hatchback; as demais unidades dividem-se entre um "aventureiro urbano" baseado no hatch, que chega em janeiro, e um sedã, que será lançado em março.

NOSSAS IMPRESSÕES
UOL Carros
dobrou a aposta do presidente Han e decidiu experimentar, neste primeiro contato mais extenso, um HB20 com motor 1.6 -- a Hyundai garantiu para breve o empréstimo de unidade 1.0 (que degustamos em julho) para análise detalhada.

Descobrir o ponto forte do modelo demanda esforço zero. Basta olhar para ele.

COMPARE CARROS: RIVAIS DO HB20

  • Reprodução

As linhas da escola de estilo "escultura fluida" fazem o HB20 parecer mais complexo do que um mero carro compacto. Há um diálogo harmonioso entre dianteira (baixa) e traseira (alta), ressaltos e vincos, luz e sombra; procuramos, mas não encontramos, excessos ou faltas na aparência externa -- ressalvando as calotas nas versões mais básicas, cujo uso é compreensível, mas condenável do ponto de vista estético.

A grade dianteira hexagonal, que busca inspiração numa das figuras mais "estáveis" e estruturantes da natureza (exemplo: colméia de abelhas), é a assinatura desse estilo. Nos Hyundai acima do i30 (Sonata, Azera), o tema natural são as asas abertas de grandes aves.

Por dentro, o HB20 que testamos, na configuração topo de gama Premium, passa a impressão de um i30 em tom menor. Algumas peças, como os comandos elétricos dos vidros na porta do motorista, parecem transplantadas do hatch médio (de primeira geração, a que é vendida hoje no Brasil). No entanto, para cortar custos, os materais são mais simples -- por exemplo, não há na cabine sequer uma única superfície macia (à exceção dos bancos, é claro). Mas o acabamento e a montagem são caprichados, e de modo geral a impressão é de sobriedade e bom gosto.

O espaço interno do HB20 beneficia-se dos surpreendentes 2,50 metros de entre-eixos (em 3,9 metros de comprimento). Quatro adultos viajam confortavelmente e podem acomodar seus trecos, copos/garrafas e revistas pelos vários "porta-" espalhados pelo habitáculo. Vale notar que a Hyundai mira, em princípio, um consumidor jovem, entre 20 e 30 anos, que não tem filhos e provavelmente vai usar o carro sozinho ou com apenas mais uma pessoa.

GIRANDO A CHAVE
Pisamos na embreagem, porque o HB20 só pode ser ligado assim, giramos a chave e partimos com o carro para um trajeto em piso de asfalto bom, mas com trechos esburacados; com aclives e declives, curvas acentuadas e retas convidativas.

É da Hyundai? Tem HB20?

A Hyundai do Brasil quer começar a vender o HB20 já com 120 concessionárias exclusivas para o modelo (primeiro o hatch, depois a versão cross e o sedã). A meta é chegar a março de 2013 com 200 lojas.
Alguns pontos (poucos, ao que parece) pertencerão ao grupo CAOA, que atualmente importa e revende todos os carros da Hyundai no país. Apesar disso, a partir da chegada do HB20, em 10 de outubro, a divisão será rigorosa, como se segue: a matriz controla a venda dos carros fabricados aqui, e o atual importador vende aqui os carros fabricados na Coreia do Sul.
Segundo a Hyundai, as revendas de HB20 serão identificadas pelo pórtico de entrada azul (além de uma bandeira verde-amarela), e as do grupo CAOA (importados), por um pórtico prateado. Na apresentação à imprensa, nesta quinta-feira (13), esse sistema foi ilustrado com maquetes. Na que mostrava uma revenda CAOA, o pórtico era prateado, mas outros itens visuais eram azuis e chamavam mais atenção do que o próprio pórtico.
De resto, a proposta de serviços e pós-venda da Hyundai para o HB20 é interessante. Já na concessionária será oferecido um seguro a preço fixo, de R$ 1.300 para o carro 1.0 e R$ 1.600 para o 1.6, independentemente do perfil do comprador.
As revisões acontecem a cada 10 mil km ou um ano de uso, o que vier primeiro. As duas primeiras têm mão-de-obra grátis (esta tem preço nacional único, de R$ 150 por hora). Segundo a Hyundai, todos os valores de revisão serão tabelados e divulgados na internet. O curioso é que os serviços de oficina serão partilhados entre as revendas HB20 e CAOA. Nova aposta na imunidade à confusão...
A garantia de cinco anos para o HB20 é total e sem limite de quilometragem, a não ser para carros de uso comercial (em frotas, por exemplo), para os quais o limite é de 100 mil km.

O motor Gamma 1.6 oferece potência de 1.8 (com etanol são bons 128 cavalos) e cerca de 80% do torque de 16,5 kgfm em 2.500 rpm. Por isso, dá para manter o HB20 a 100 km/h com o motor girando a suaves 2.250 rpm. Esse número só ultrapassa as 4.000 rpm (com maiores consumo e ruído) a 140 km/h, velocidade que 99% dos futuros donos de HB20 jamais atingirão.

Até porque o carro é leve (a Hyundai não divulgou o peso exato) e tende a oscilar lateralmente em velocidades altas; se o motor é silencioso, o atrito do vento em impacto frontal não é.

Isso nada tem a ver com suspensão e a consequente estabilidade (ou não) do modelo. O HB20 hatchback faz curvas com precisão, levado na "ponta dos dedos" mesmo em contornos mais abusados e mantendo-se na trajetória sem sobre ou subesterço. Com o sedã será outra história, mas o dois-volumes impressionou.

O conjunto de pneus e rodas conservador (no Premium, 185/60 em aro 15) e as suspensões traseiras com eixo de torção, sistema mais simples que o do primo i30 (onde são independentes), podem não ser o estado da arte da engenharia automotiva -- mas mostraram-se robustos e adequados em terrenos de má qualidade, com baixo nível de vibração na cabine e nenhuma pancada nos amortecedores e molas. Trata-se, claramente, de um projeto pensado para o Brasil e sua "realidade asfáltica".

Outro item que parece customizado para nós nesse HB20 1.6 é a relação de marchas do câmbio manual, que atribui à terceira velocidade a aptidão de trafegar a cerca de 30 km/h sem soluços e, desse ponto, arrancar sem que se precise de uma redução. Isso é bom no anda-para do trânsito urbano.

Infelizmente, os carros do test-drive fornecidos pela Hyundai estavam abastecidos com mistura aleatória de gasolina e etanol, já que aqui no litoral da Bahia, onde foi feito o lançamento à imprensa, achar o combustível vegetal não é tão simples como nas capitais. A medição de consumo no computador de bordo foi prejudicada, e a fabricante não divulga dados sobre isso.

UM TOQUE
Depois desse contato com o HB20 1.6 (e já tendo conhecido o 1.0), fica a dica ao leitor: se você está pensando em comprar um carro com preço de tabela entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, espere até 10 de outubro (fique tranquilo, o IPI não deve subir).

Mesmo que o modelo da Hyundai não seja o seu escolhido, é fundamental experimentá-lo antes de fechar negócio.

Viagem a convite da Hyundai do Brasil
 



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