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Volkswagen Touareg R-Line traz recheio furioso para laçar 'boyzinhos'

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Alguém se dispõe a fazer musiquinha para o Touareg R-Line branco? Visual de "pegador", ele tem imagem: Divulgação

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

A Volkswagen apresentou, há dez dias, seu Touareg R-Line, configuração que chega ao país com status de versão, mas é basicamente um adendo estético ao SUV com motor V8. Importada e representando o topo da gama da marca alemã no Brasil, a novidade chega às lojas ao preço inicial de R$ 333.700 e apelo esportivo: o visual é mais furioso -- rodas grandes, para-choques redesenhados com falsas tomadas de ar, emblemas específicos -- e traz de série alguns equipamentos até então considerados opcionais para o Touareg. Mas não há qualquer aditivo ao trem-de-força. 

Segundo os executivos da Volks, o público deste tipo de veículo é mais refinado e prefere sair da loja a bordo do carro completo, em vez de recheá-lo a longo prazo, como seria praxe de quem leva um modelo mais acessível e depois compra rodas, "sonzão" e adesivos por conta. Mas, sinceramente, é difícil pensar que os novos itens atraiam alguém que se ligue no lado "fino" da vida. Logos R-Line, spoilers frontais e traseiros, molduras laterais, rodas de 20 polegadas, interior com revestimento bicolor e detalhes metálicos, volante esportivo, pedaleiras de aço, Area View (conjunto de câmeras com 360º de visão) e sistema multimídia Dynaudio (som com 12 falantes e 620 Watts de potência, navegação, telefonia por Bluetooth, comandos por voz e configuração do veículo -- tudo acessado na tela de central) parecem perfeitos para laçar "boyzinhos" que escolhem o carro novo de acordo com o que manda a música pop da vez.

De toda forma, falamos de um Volkswagen: o Touareg R-Line "completo" tem, sim, uma listinha de extras para crescer e encarecer um pouco mais. O teto solar panorâmico custa outros R$ 8.995. O alerta de veículo no ponto-cego dos espelhos retrovisores, muito útil neste grandalhão (4,79 metros de comprimento, 1,94 m de largura), é vendido por R$ 3.385. Mas o mais caro é mesmo o controle de cruzeiro adaptativo (ACC, na sigla em inglês), que acelera ou freia (mas não para) automaticamente o Touareg para manter velocidade e distância do veículo à frente estebelecidos pelo motorista. Pintura metálica (R$ 1.635) ou perolizada (R$ 2.350) são pagas à parte. Assim, o SUV pode chegar a R$ 359.875 ou R$ 360.590, dependendo do acabamento externo.

Apenas para comparar, o Audi Q7 custa de R$ 332 mil a R$ 411 mil e o Porsche Cayenne, de R$ 334 mil a R$ 660.500. Ambos e mais o Touareg são montados sobre a mesma plataforma do Grupo Volkswagen, a PL71, e trazem itens semelhantes. Outros rivais são BMW X5 (R$ 300 mil a R$ 450 mil) e Mercedes-Benz ML (R$ 298 mil a R$ 380 mil). Apesar do bom custo-benefício do Volks, os emblemas famosos à frente do capô dos outros alemães acabaram pesando na preferência de quem é refinado de verdade no Brasil, no último ano: o ML vendeu mais, por exemplo. Em 2012, porém, o Touareg é líder do segmento (há que se considerar, ainda, o fato do ML estar na transição de gerações).

COMO ANDA O R-LINE
UOL Carros
participou do test-drive com o Touareg R-Line ao longo do trajeto entre a cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, e Santo Antônio do Pinhal, nos arredores de Campo do Jordão, destinação de inverno de boa parte da elite endinheirada paulista. Foi preciso, de cara, conter o ímpeto de criticar a ausência de qualquer "preparação" ao conjunto motriz do SUV: ficou claro, ao longo dos 160 quilômetros do trajeto, que embora a esportividade seja apenas visual, o Touareg nada deixa a desejar em termos de fôlego. O mesmo pode ser dito do acabamento, exímio, apesar da "cara" generalista de botões e insutrumentos.

Em marcha, o motor V8 de 4,2 litros e 360 cavalos garante acelerações e retomadas rápidas e vigorosas o bastante para animar qualquer ocupante desse gigante de 2 toneladas -- a fabricante fala em 0-100 km/h cumprido em 6,5 segundos, com máxima de 245 km/h. Mérito do torque abundante e precoce, com mais de 45 kgfm surgindo logo aos 3.500 giros, e da primorosa caixa automática de oito marchas, com engates sempre precisos, possibilidade de mudanças manuais na alavanca ou em aletas no volante e suavidade garantida pela sétima e oitava velocidades fazendo o trabalho de overdrive. Só não espere apetite moderado: em nosso teste, o consumo ficou na casa dos 7 km/l de gasolina.

É preciso ressaltar, ainda, que um reforço na suspensão do SUV até seria bem-vindo, sobretudo quando a cara de mau do Touareg encoraja o condutor a acelerar um pouco mais. Em sua forma convencional, o utilitário proporciona viagem tranquila a cinco ocupantes em velocidade de cruzeiro -- ele é de fato o mais amplo, confortável e refinado dos Volkswagen disponíveis no país. Além disso, permite algum tipo de adequação do conjunto pneumático através do controle eletrônico do modo de condução (Normal, Comfort ou Sport) para evitar o repasse de qualquer imperfeição do solo a quem está na cabine até mesmo em pisos irregulares -- nem parece que o modelo é feito em Bratislava (na Eslováquia) e pensado para estradas europeias.

Mas, como todo veículo de maior porte, não escapa dos eventuais deslizes laterais e pequenas adernadas quando se pede demais ao volante -- apesar do já referido ajuste e da tração integral 4Motion, é possível notar os freios ABS e o controle de estabilidade atuando excessivamente para equilibrar o conjunto o tempo todo. Esse tipo de "sintonia fina", porém, parece ter ficado reservada ao Porsche Cayenne e seu pedigree realmente esportivo.

Isso não é um incômodo, de toda forma, uma vez que boa parte dos donos do SUV deverá passar a maior parte de seu tempo desfilando a velocidades de pedestre na porta de boates da moda. Para estes, valerá mais abusar do impacto de logos e soleiras de porta da R-Line e dos LEDs de faróis e lanternas, que lembram em tudo os utilizados no atual Passat. Poucos, aliás, vão se permitir colocar as enormes rodas estreladas na terra para confirmar que o vão livre ajustável facilita a transposição de alguns obstáculos (ao comando de um botão circular, um tanto molenga ao toque, vai de 147 mm, no momento de carregar o porta-malas, a 197 mm para o movimento normal, chegando aos 300 mm de altura do solo em situações off-road, com velocidades abaixo dos 25 km/h).

Para o dono típico deste SUV, na visão de UOL Carros, o "esporte" é outro: vale mais abrir mão da climatização automática de quatro zonas e navegar com as janelas abertas e o som premium "estalando" e, a um comando de voz, trocar desta para aquela música, se a rima não agradar a quem estiver passando pela calçada. Mas serão poucos os laçadores (ou laçados) a bordo do Touareg R-Line, de qualquer forma: 50 ao ano pelas contas da Volks.

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