Jeep vira sinônimo de aventura nas trilhas do Colorado

Murilo Góes
Especial para o UOL, de Silverton (EUA)

  • Murilo Góes/UOL

    Em terra de jipe e trilhas imensas, quem tem Jeep é rei

    Em terra de jipe e trilhas imensas, quem tem Jeep é rei

São vários os exemplos de marcas que, seja pela exclusividade ou pela importância adquirida ao longo do tempo, acabaram se tornando sinônimos dos produtos que representam. No mundo dos automóveis, o maior caso de uma marca que suplantou o produto e personifica todo um estilo de vida é o da Jeep. No Brasil, para desespero dos puristas, ganhou até um termo aportuguesado, “jipe”, e se tornou designação comum para todos os veículos com características off-road, ainda que conceituais, pouco importando se com tração nas quatro rodas ou não.

Para reafirmar a história original e não deixar a origem no esquecimento, a Chrysler, detentora da Jeep, organiza uma viagem off-road em que veículos da marca são colocados à prova por jornalistas especializados do mundo todo, a Jeep Experience. UOL Carros participou da edição de julho, no Estado americano do Colorado.

A aventuras nas trilhas do Colorado
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A Jeep Experience Colorado 2012 contou com 15 carros (nove Wrangler e seis Grand Cherokee) e percorreu o trajeto entre as cidades de Silverton, Ouray e Telluride. Pode-se dizer que a região é o verdadeiro "lar do Jeep", tamanho o número de veículos da marca encontrados pelo caminho.

A ORIGEM DO NOME

  • Reprodução

    Em julho de 1940, o exército dos Estados Unidos convidou 135 montadoras daquele país a desenvolverem um "veículo leve de reconhecimento". Deveria ter pequenas dimensões, pouco peso e tração nas quatro rodas para substituir motos e derivados do Ford T até então utilizados nas frentes de batalha.

    De início, a Willys-Overland e a American Bantam Car Manufacturing Company foram as únicas companhias a assumir o desafio. Depois, a Ford Motor Company entrou na concorrência.

    A Willys desenhou o Willys Quad, a Ford desenvolveu seu modelo GP (de General Purpose), conhecido como Pygmy (que usava um motor adaptado de um trator Ford/Ferguson); e, a Bantam, o Modelo 40 BRC. Testes levaram o exército a escolher a Willys-Overland: com modificações, o Quad tornou-se o MA e, posteriormente, o MB. Mas tanto os militares quanto o mundo civil passaram a conhecê-lo mesmo apenas por Jeep.

    As versões para a origem do nome, que tornou-se sinônimo de veículo off-road, são muitas. A primeira vem da própria derivação do nome GP (a sigla para General Purpose, de "uso geral", entre os militares) utilizada pelos modelos desenvolvidos pela Ford. Outra versão defende a influência do personagem de histórias em quadrinhos "Eugene the Jeep”, estranha criatura com poderes sobrenaturais, que surgiu em 1936 nas histórias do marinheiro Popeye: em sua língua particular, só havia a palavra “jeep”. Durante a Segunda Guerra, os soldados ficaram tão impressionados com o desempenho do novo veículo que o comparavam ao personagem em seus atributos: pequeno, capaz de se mover entre dimensões e de resolver problemas aparentemente impossíveis.

    Versões à parte, o nome Jeep entrou para o léxico norte-americano e, por um tempo, serviu de sinônimo para veículos fora de estrada. No Brasil, é assim até os dias atuais. (MG)

  • Divulgação

O nome Jeep é tão comum na região que se misturou ao roteiro de trilhas: os chamados Jamborees são roteiros de aventura off-road, normalmente com duração de um final de semana, indicados para pessoas comuns que possuem um jipe 4x4. Eles se tornaram uma tradição nos Estados Unidos desde 1953, quando Mark A. Smith, fundador do Jeep Jamboree USA (veja o site da organização aqui), organizou a primeira jornada cruzando as montanhas de Sierra Nevada, na California, pela antiga trilha Rubicon -- atualmente, a trilha dá nome a uma das versões do Jeep Wrangler Unlimited nos Estados Unidos, a Rubicon.

No ano seguinte ao da primeira expedição, a Willys-Overland (fabricante original dos primeiros Jeeps) passou a se envolver diretamente na organização e este apoio se estende até hoje por meio da Chrysler, com a realização de cerca de trinta eventos por ano naquele país.

LAÇO DE TRILHAS
O percurso de cerca de 250 quilômetros desta Jeep Experience teve início na cidade de Durango, com direito a uma viagem de três horas e meia em uma maria-fumaça do século 19 até Silverton, típica cidade dos faroestes norte-americanos. Lá tem início a CoRd 2 ou Animas Forks Road, estrada de terra que margeia o rio Animas e faz parte do Alpine Loop (Laço Alpino), sistema de estradas turísticas que cortam as chamadas montanhas de San Juan.

Em dois dias de viagem e muitas outras trilhas percorridas, o Jeep Experience passou por cidades fantasmas onde funcionavam antigas minas de ouro e prata, cratera de vulcão extinto, estradinhas de terra e de pedra estreitas e sinuosas, grandes altitudes e também pela famosa Million Dollar Highway, eleita pela revista National Geographic como um dos “Doze Melhores Roteiros de Montanha para se Dirigir” nos Estados Unidos. No caminho de Ouray até chegar a Telluride tudo muda: a região é uma badalada estação de esqui.

AO VOLANTE
UOL Carros se moveu pelas trilhas com dois modelos disponíveis para o comboio. O primeiro é o Jeep Wrangler Unlimited Rubicon (motor Pentastar 3.6 DOCH V6, 24 válvulas, com 284 cavalos de potência a 6.350 rpm a gasolina), semelhante ao modelo Unlimited vendido no Brasil, mas com itens mais voltados para o fora da estrada, com pneus mais agressivos, diferenciais blocantes na frente e atrás e caixa de transferência para uso pesado. O outro é o Jeep Grand Cherokee Limited (motor Hemi 5.7l MDS V8, 16 válvulas com 360 cv a 5.150 rpm a gasolina), que não possui paralelo no país -- a Jeep do Brasil importa apenas a versão 3.6 (como no Wrangler), nas opções Laredo e Limited, e apresentará a configuração 3.0 V6 a diesel no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.

Ambos tiveram desempenho exemplar na transposição dos obstáculos encontrados pelo caminho, embora a trilha tivesse nível de dificuldade entre baixo e médio. Vocação ilimitada para o off-road, porém, só mesmo no Wrangler. Sem qualquer preparação aparente, os jipes originais venceram obstáculos como estradas de terra e pedras, passagens de rios, subidas e descidas íngremes (com marcha reduzida em 70% do trajeto) e ainda grandes altitudes, acima de 4 mil metros, sem dificuldade --  a cada 1.000 metros, os carros perdem cerca de 10% da potência devido à redução da pressão atmosférica e ao ar rarefeito.

Mais luxuoso e confortável, o Grand Cherokee também completou o percurso, mas exigiu maiores cuidados em terrenos mais acidentados, principalmente pelos tipos de pneus e pela menor altura do solo. Curvas estreitas e mais fechadas exigiam manobras, devido aos 4,80 metros de comprimento. No final da viagem, num dos pontos mais altos do roteiro, um dos Cherokee apresentou problemas no sistema de arrefecimento do motor e teve de ser resgatado. A história virou caso isolado, mais uma das milhares de aventuras que estas trilhas, vales e montanhas já observaram ao longo do tempo.

Viagem a convite da Chrysler



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