Volkswagen Voyage 1.0 só melhora com ajuda de opcionais

André Deliberato
Do UOL, em Florianópolis (SC)

Renascido em 2008 após 13 anos de inatividade (o primeiro Voyage saiu de linha em 1995), a segunda geração do sedã da Volkswagen acaba de passar por sua primeira microcirurgia. O carro aderiu à moda de "DNA da marca" e agora leva a mesma frente que quase todos os outros modelos da fabricante alemã. O objetivo da Volks foi rejuvenescê-lo diante dos novos adversários que ainda estão por vir -- dentre eles, o sedã derivado do Hyundai HB20 e os futuros três-volumes da família Onix, da General Motors, e Etios, da Toyota.

Apesar da obviedade das linhas, o Voyage 2013 está mais bonito que o anterior. A frente (igual à do Gol) está mais elegante e a traseira ganhou a personalidade que faltava no desenho antigo. Os vincos laterais e as marcas expressivas do teto e das colunas continuam os mesmos.

EQUIPAMENTOS
Entre outros itens, o Voyage 2013 traz de série vidros dianteiros elétricos, travas elétricas, banco do motorista com regulagem de altura, desembaçador do vidro traseiro, cintos traseiros laterais de três pontos retráteis e alguns porta-trecos, como os bolsões para carregar revistas na parte de trás dos bancos dianteiros.

Quase todo o resto é opcional. São eles: ar-condicionado, alarme, direção hidráulica, faróis duplos e de neblina, airbag duplo, freios ABS, chave canivete, preparação para som e o próprio sistema de áudio (com MP3 e entradas USB e auxiliar), retrovisores e maçanetas pintados na cor do carro, rodas de 15 polegadas (aro 14'' de série), computador de bordo, volante multifuncional, vidros nas quatro portas, retrovisor direito rebatível para auxílio em manobras e sensor de estacionamento.

Isso significa que, se você quiser um carro com itens considerados básicos de conforto e o mínimo de segurança, vai gastar pelo menos mais R$ 5 mil; uma estratégia de mercado adotada atualmente por VW e Fiat que parece agressiva num primeiro momento, mas que pode se tornar uma furada mais para frente, quando todos os carros feitos no Brasil terão de ser equipados com airbag e freios ABS de série.

1.0 TEC
UOL Carros
 teve a oportunidade de dirigir o Voyage 1.0 (R$ 29.990) com o novo motor TEC e pacote opcional Bluemotion Technology, de R$ 324. O carro que rodamos tinha quase todos os opcionais disponíveis. Curiosamente, faltou ajuste da coluna de direção.

No interior foi logo possível perceber a qualidade do sistema de som (opcional), que recebeu ainda mais recursos, como a função Audio Streaming e a entrada USB adicional. O painel de instrumentos deixou o azul de lado (que era a cor do modelo anterior por causa do sucesso feito no chamado Gol G3) e adotou fundo branco, mais claro e organizado.

Detalhes internos ganharam refinamento, como as saídas de ar redesenhadas com filetes cromados e a chave de seta que funciona com apenas um toque (com três repetições). São cuidados que não influenciam tanto a decisão de compra do cliente, mas que agregam valor ao carro de forma quase despercebida.

MOTOR
O TEC, de Tecnologia para Economia de Combustível, é o mesmo propulsor da versão anterior com novos mapeamento e recalibração. Também presente no Gol, ele recebeu novo coletor de admissão, que aumenta o fluxo de ar inserido nos cilindros e reduz o atrito no comando de válvulas, e novos bicos injetores, que foram desenvolvidos para otimizar a mistura ar/combustível e, assim, gastar menos combustível na hora da injeção. 

A versão avaliada, com o pacote Bluemotion, tinha pneus "verdes" (de medidas 175/70 R14), chamados assim por terem menor resistência à rolagem. O câmbio nesta configuração tem relações de marchas mais alongadas e o computador de bordo com sistema Eco Comfort (que não está incluído nos R$ 324 e pode ser aplicado a qualquer outra versão) se torna um opcional obrigatório. O recurso dá dicas sobre como gastar menos combustível por meio de mensagens no cluster sobre a hora certa de trocar a marcha e o momento correto para se utilizar o ar-condicionado (incluindo um alerta para fechar as janelas e diminuir o arrasto aerodinâmico) .

  • Motor 1.0 TEC é o mesmo VHT da família de motores EA111, transversais, da VW. A diferença em relação ao anterior está na calibração e no mapeamento e na adoção de novos componentes, como o coletor de admissão e os bicos injetores

Com esse pacote e com os ajustes técnicos feitos no motor, a VW garante 8% a mais de economia de combustível entre o novo Voyage 1.0 2013 e sua versão anterior (o mesmo vale para o Gol na versão 1 litro).

Conseguimos o consumo médio de 12,4 km/l com o sedã usando etanol (o roteiro era dividido entre cidade e estrada). É um bom número. Além da economia, a diferença de torque do novo motor é perceptível.

Minimamente, mas é (são os mesmos 10,6 kgfm do anterior, mas a curva ganhou uma sensível melhora). Apesar das alterações, o carro deixa a desejar em potência e precisa reduzir marcha em demasia para fazer o motor girar alto e render antes de uma ladeira.

Por outro lado, o Voyage é um dos principais carros da categoria em dinâmica. Poucos ou quase nenhum sedã compacto à venda no país consegue fazer curva como ele, graças ao acerto de câmbio, direção e suspensão. Mesmo com as desvantagens de preço causadas pela imensa lista de opcionais, ele é a opção mais divertida para quem procura um sedã e não pode partir para um modelo mais caro ou de porte maior. 

  • De longe, vai ter gente confundindo o Voyage com o novo Grand Siena. Inspiração no rival?

BUMBUM DE SIENA
Vale observar, para concluir, que o designer que desenvolveu a traseira do novo Voyage deve ser fã da Fiat -- afinal, as linhas da carroceria e a lanterna que se estende para a tampa do porta-malas são muito parecidas com as do Grand Siena (a não ser pelas luzes de LED do VW que têm característica própria da marca e não três filetes, como no caso do sedã rival).

O Voyage, ainda assim, tem a traseira mais acertada entre os seus rivais. É verdade que isso não é grande mérito, já que seus adversários são... bem, você sabe quais são, e sabe que seus desenhos são desprovidos de beleza. Segundo a própria Volks, desenhar um sedã compacto não é tarefa fácil, já que é "um carro popular que pretende atingir um nível superior". Apesar disso, o resultado ficou harmonioso.

Depois das mudanças, a conclusão é que guiar um Voyage 1.0 ficou melhor. Mas vale ressaltar que o "filé mignon" só aparece com o carro recheado de opcionais, o que custa caro. Os preços do sedã começam em R$ 29.990 (1.0), sobem para R$ 34.590 na versão 1.6 (R$ 37.190 1.6 I-Motion) e terminam em R$ 40.890 na Comfortline (R$ 43.490 com câmbio automatizado). As vendas começam no começo de agosto, junto com as do Gol e com as campanhas publicitárias.

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