Ford Ranger global chega em agosto para guerra com Chevrolet S10

André Deliberato
Do UOL, em Salta (Argentina)

US$ 1,1 bilhão. Este foi o valor da fatura do cartão de crédito da Ford nos últimos quatro anos. A conta -- apenas uma de outras que ainda estão para vencer -- inclui investimento em nova plataforma, quatro anos de pesquisa de produto e estudo de mercado, salário de engenheiros e especialistas de todos os cantos do planeta e combustível para milhões de quilômetros de testes.

Tudo isso para chegar à nova geração da Ford Ranger, integrante do projeto de produção de carros globais da marca, conhecido como One Ford. A picape é o terceiro carro da família de "mundiais" a desembarcar no Brasil -- dois anos depois do New Fiesta Sedan e um ano após o lançamento do hatch.

Ela tem o mesmo tipo de construção nos três continentes onde é produzida (Ásia, África e América do Sul, mais especificamente na Argentina) e, segundo a Ford, se baseia em três "pilares" para alcançar seus objetivos: "potência com eficiência", "robustez" e "segurança".

No Brasil, a meta é clara: contragolpear e expulsar a líder Chevrolet S10 da liderança entre as picapes médias, após a GM ter usado a mesma tática globalizada em abril, ao lançar a nova geração do modelo (concebida no Brasil). Com isso, a rixa que perdura desde 1995 -- quando as duas picapes foram lançadas no país -- só deve aumentar. A Ranger vem preparada: chega às lojas em agosto com três anos de garantia.

Vale lembra que o segmento foi 100% renovado nos últimos anos: além da S10, temos as novas Toyota Hilux, Volkswagen Amarok, Mitsubishi L200 e Nissan Frontier. Para um comparativo técnico e de preço entre essas quatro picapes, clique aqui.

MECÂNICA
O investimento bilionário da Ford resultou em novos motores e câmbios para a Ranger. O principal propulsor anunciado é o Duratorq, um cinco cilindros a diesel, de 3,2 litros, com potência máxima de 200 cavalos e 47,9 kgfm de torque entre 1.750 e 2.500 rpm. Há uma derivação para as unidades vendidas a frotistas, mas com quatro cilindros, 125 cv e 33,7 kgfm de torque.

E finalmente há um propulsor flex (fato: uma das principais armas da GM para se manter tanto tempo à frente da Ford foi o motor bicombustível da S10). Na Ranger, o novo bloco tem um velho nome: Duratec. Trata-se de um quatro cilindros de 2,5 litros, 173 cv e 24,8 kgfm de torque a 4.250 rpm quando abastecido com etanol.

Entre as novas transmissões da Ranger estão duas caixas manuais, com cinco e seis marchas, e uma automática de seis marchas. Enquanto esta última se limita às duas versões mais caras da picape (XLT e Limited), a manual de cinco marchas equipa todas as picapes flex, e a de seis marchas, as Ranger a diesel.

A capacidade de carga, segundo a Ford, é de 1,4 tonelada (1.800 litros de volume) na Ranger com cabine simples e 1 tonelada na de cabine dupla (1.180 litros). A profundidade máxima de água que a nova Ranger pode atravessar é de 80 cm.

VERSÕES BRASILEIRAS
A gama de versões da nova Ranger é grande: são dez configurações (mais duas "subconfigurações"), prova de que a Ford quer chegar forte em todos os níveis do segmento. São elas:

-- Ranger 2.2 Diesel XL 4x4: R$ 77.900
Versão destinada a frotistas. Com tração 4x4, câmbio manual de seis marchas e motor 2.2 a diesel, ela só é vendida com cabine simples. Já traz de série direção hidráulica, ar-condicionado, travas elétricas, freios ABS (antitravamento) com EBD (distribuição de força de frenagem), coluna de direção ajustável, chave canivete e rodas de aço de 16 polegadas. Há variações da XL com cabine dupla e a XL Chassi, esta sem caçamba, que será vendida para usos com baú (como em ambulâncias); a Ford não divulgou os preços.

-- Ranger 2.5 Flex XLS 4x2 Cabine Simples: R$ 61.900
A Ranger XLS Flex, com cabine simples, é a primeira opção disponível para o cliente comum. Por ter motor flex (gasolina/etanol), não tem opção de tração 4x4. É equipada com câmbio manual de cinco marchas e tem tudo o que a Ranger XL traz, além de vidros elétricos, rádio com opção de MP3, rodas de liga leve de 16 polegadas e parachoque pintado na cor do veículo.

-- Ranger 2.5 Flex XLS 4x2 Cabine Dupla: R$ 67.600

-- Ranger 2.5 Flex XLT 4x2 Cabine Dupla:
R$ 75.500
Na versão XLT a única opção de cabine é dupla. Vem com tudo que a XLS oferece mais ar-condicionado digital, controle de estabilidade, som com Bluetooth, sensor de estacionamento, controlador automático de velocidade, volante multifuncional, bancos com ajustes de altura e lombar, rodas de liga leve de 17 polegadas, estribos laterais e detalhes externos internos cromados.

-- Ranger 2.5 Flex Limited 4x2 Cabine Dupla: R$ 87.500
Também só com cabine dupla. Some todos os itens já mencionados e adicione airbags laterais e de cortina, navegador (GPS) com tela de 5 polegadas, câmera de ré traseira, sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, bancos de couro, ajuste elétrico do banco do motorista, santantônio esportivo, compartimento do console refrigerado, rack de teto e retrovisores externos com luzes de cortesia e dobráveis eletricamente.

-- Ranger 3.2 Diesel XLS 4x4 Cabine Simples: R$ 97.900
Na primeira opção da linha com motor cinco cilindros Duratorq, a lista de equipamentos é a mesma da Ranger Flex XLS com cabine simples, mas nesta versão há a opção de tração 4x4 com marcha reduzida. O câmbio passa a ser o manual de seis marchas, o mesmo utilizado na XL.

-- Ranger 3.2 Diesel XLS 4x4 Cabine Dupla: R$ 106.900
Mesma lista da XLS, acrescida de faróis de neblina.

-- Ranger 3.2 Diesel XLT 4x4 Cabine Dupla: R$ 114.900
Esta é a versão mais cara com câmbio manual. Segue o padrão de sempre: tem o mesmo pacote de equipamentos da XLT com motor flex, mas aqui com tração nas quatro rodas.

-- Ranger 3.2 Diesel XLT 4x4 Cabine Dupla A/T: R$ 120.400

-- Ranger 3.2 Diesel Limited 4x4 Cabine Dupla: R$ 130.900
Versão topo de linha; a Ford espera que ela responda por 30% das vendas do modelo.

Compare as rivais da Ranger

  • Reprodução

UOL Carros esteve presente na apresentação da nova Ranger à imprensa especializada de vários países da América Latina, realizada neste fim de semana em Salta, na Argentina. Infelizmente, não foi possível dirigir uma versão da picape que será vendida no Brasil: a unidade cedida foi uma Limited a diesel, mas com câmbio manual (no Brasil essa configuração de motor, câmbio e tração só existirá nas versões XLS e XLT).

De qualquer modo, a picape avaliada mostrou evolução: tem ótimo espaço traseiro para as pernas e para a cabeça e ótima variedade de porta-trecos e recursos eletrônicos. O acabamento interno melhorou bastante em relação à geração anterior, e não deve nada ao de um sedã deste mesmo nível de preço. Como o New Fiesta já havia surpreendido, à época, por seu interior, a Ranger não faz diferente.

Ao volante, a picape faz com tranquilidade todas as provas off-road (leves) de praxe em eventos de lançamento (rampas, terra, curso d'água etc.) e passeia com desenvoltura pela cidade, com suspensão macia e bem calibrada (verdade que estávamos no asfalto argentino, alguns anos-luz à frente do nosso) e torque abundante graças ao motor a diesel sempre cheio em rotações mais baixas.

A transmissão manual de seis marchas não tem engates precisos, o que faz UOL Carros recomendar aos potenciais compradores que testem antes uma unidade automática.

Se a nova Ranger pode virar líder de segmento, só o tempo e as vendas vão dizer. Ela evoluiu bastante, mas tem pontos a melhorar -- como todas as rivais. Mas pode apostar que a briga com a Chevrolet S10 vai ser boa. Lembrando que em 2011 o ranking das picapes médias teve S10 em primeiro, com 42.818 emplacamentos e 29,05% de participação, seguida por Hilux (22,56%), L200 (15,2%), Ranger (10,17%), Frontier (9,28%) e Amarok (6,94%).

Viagem a convite da Ford do Brasil
 



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