Mercedes-Benz Classe A chega ao Brasil em 2013 para sacudir segmento premium

Claudio Luis de Souza
Eugênio Augusto Brito
André Deliberato
Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Divulgação

    Novo Classe A sinaliza chegada à Europa, onde terá preço inicial de R$ 62.100

    Novo Classe A sinaliza chegada à Europa, onde terá preço inicial de R$ 62.100

A Mercedes-Benz alemã divulgou nesta segunda-feira (25) mais informações sobre a nova geração do Classe A, que abandona as formas de monovolume para centrar de vez a mira sobre os rivais BMW Série 1 e Audi A3. Agora hatchback, como os competidores, o novo modelo da Mercedes chega ao mercado europeu em setembro, de carona com o Salão de Paris, desembarca nos Estados Unidos em janeiro de 2013 e faz sua (re)estreia no Brasil em junho, ou seja, dentro de um ano.

Projetado por Mark Fetherston, responsável também pelas formas do superesportivo SLS AMG (reveja a bravura do novo asa-de-gaivota aqui), o novo Classe A segue a atual identidade da Mercedes, com linhas externas ousadas, extremamente dinâmicas, e visual interno inspirado em temas aeronáuticos, como hélices e turbinas. As medidas -- 4,29 metros de comprimento, 1,78 m de largura e 1,43 m de altura, com espaço entre-eixos de 2,70 m -- são quase que "clonadas" do novo BMW Série 1 (este é apenas três centímetros mais comprido, dois mais estreito, um menor e quase um centímetro menos espaçoso).

Também curiosamente, a concorrência de Audi e BMW influencia até mesmo a nomenclatura das três versões de acabamento do Mercedes: Urban (também presente no catálogo do BMW Série 1), Style e AMG Sport (o sobrenome da versão esportiva também é encontrado no 118i e no Audi A3). O preço inicial para a Europa será de quase 23.980 euros, equivalente a R$ 62.100 pelo câmbio atual (R$ 2,6 para cada euro).

O Classe A conta ainda com pacotes de personalização (Night, Exclusive e AMG Exclusive) e sete diferentes motorizações. São três variantes a gasolina, todas com sobrealimentação por turbo, injeção direta e câmbios automáticos de dupla embreagem -- novo padrão de uma indústria automotiva balizada por metas cada vez mais rígidas de emissão e consumo de combustível, mas também comprometidas em não negar potência ao comprador.

O novo Classe A em detalhes
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No A180, o motor quatro-cilindros de 1,6 litro gera 122 cavalos (5.000 rpm) e 20,4 kgfm de torque (entre 1.250 e 4.000 rpm), com gerenciamento do câmbio de seis marchas; no A200, o mesmo propulsor é liberado para gerar 156 cavalos com torque de 25,5 kgfm; há ainda a versão esportiva AMG Sport, com tração integral, câmbio 7G-tronic de sete marchas (o mesmo do SLS, entre outros) e motor de 2 litros com 211 cavalos e patada de 30,6 kgfm no torque. A média de consumo prometida, com combustível de boa qualidade e alguns preceitos à direção, varia de 16 a 18 km/l.

A primeira variante com a assinatura da AMG deve desembarcar no Brasil em 2014. Mas já é esperada uma nova mexida da AMG num futuro próximo. A preparadora oficial da Mercedes prepara oito novos modelos até 2017, incluindo aí uma leva até então inexistente, dotada de motores de quatro cilindros e tração integral. É nesta leva que a versão A45 será incluída: ela vai elevar a potência do motor de 2 litros aos 300 cavalos, com torque de quase 41 kgfm.

Para alguns mercados, há ainda quatro variantes a diesel -- todas proibidas de circularem aqui no Brasil: A180 CDI BlueEfficiency (única versão manual do novo modelo, 1,4 litro, seis marchas, 109 cv), A180 CDI (1,8 litro, automático de dupla embreagem e seis marchas, 109 cavalos), A200 CDI (1,8 litro, dupla embreagem e sete marchas, 136 cavalos) e A220 CDI (2,2 litros, dupla embreagem, sete marchas, 170 cavalos).

NOVO PATAMAR
Além de soterrar de vez o passado de monovolume, que chegou a ser fabricado aqui entre 1999 e 2005 (na fábrica da Mercedes em Juiz de Fora, sudeste de Minas Gerais), o novo Classe A tem duas missões mais importantes. A primeira, fundamental para os alemães, é ampliar a participação global da marca até 2020 -- até lá, a Mercedes espera alcançar o patamar de 2,5 milhões de carros vendidos por ano globalmente.

  • Eugênio Augusto Brito/UOL

    O protótipo CSC, mostrado no Salão de Pequim, dará origem ao cupê baseado no Classe A

A chave para alcançar tais números está na venda de carros menores, como o Classe A, considerado compacto internacionalmente (médio, aqui no Brasil). Mas as vendas não devem engrossar o suficiente apenas com as variantes do dois-volumes. Assim, fica praticamente confirmada a esperança (anunciada no Salão de Frankfurt de 2011, aliás) de que o novo Classe A gere uma família completa, com carrocerias três-volumes (sedã) e station wagon (perua), além de um pequeno SUV. Haverá ainda um cupê de quatro portas, cujo protótipo CSC (Comfort Style Coupé) foi mostrado no Salão de Pequim, em abril (esqueceu como é? Clique aqui e relembre).

Resta saber se a fabricante mantém os planos de produzir a nova família Classe A em diferentes mercados, incluindo o brasileiro, para aumentar a capacidade de distribuição. Isso exigiria, no caso do Brasil, uma revisão dos planos atuais -- as unidades de São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG) estão voltadas apenas para a produção e montagem de veículos comerciais e caminhões leves e pesados atualmente.

A fabricação local seria decisiva, inclusive, para dotar o Classe A de preços mais competitivos -- atualmente, o rival BMW Série 1 não sai por menos de R$ 120 mil. E, convenhamos, ter um preço atrativo é o primeiro passo para quem quer mexer consideravelmente no mercado. 

PREMIUM
A segunda missão do Classe A é praticamente uma consequência do nível de acabamento, tecnologia e segurança que a Mercedes promete entregar com seu novo hatch. Se cumpridas, porém, estas metas podem revolucionar o segmento de carros premium e fazer do Classe A um divisor de águas -- carros menores, de menor valor, passarão a exibir equipamentos até então vistos apenas em automóveis superiores.

Sistemas como o Collision Prevention Assist (sensores que monitoram velocidade, pressão dos pedais e tráfego para determinar se o motorista percebeu ou não uma parada do trânsito à frente, disparando alarmes e avisos, se preciso), Pre-Safe (detecta situações de risco e prepara o carro para o impacto, retraindo cintos, fechando janelas e teto solar e deixando encostos de cabeça ativos e airbags de prontidão), além do Attention Assist (que mede o sono -- ou a distração -- do condutor através de parâmetros de volante, pedais e câmbio), antes exclusivos dos modelos mais caros da marca, agora auxiliam o motorista e diminuem os efeitos de um acidente também no Classe A.

Há ainda o lado tecnológico, com integração total entre os sistemas de entretenimento e telefonia com smartphones, que permite ao condutor ou passageiros terem não apenas agendas e mensagens reproduzidos na tela de 14 polegadas no centro da cabine, como também conteúdo multimídia e postagens das redes do Twitter e Facebook reproduzidas e respondidas com comandos de voz.

Com tamanho arsenal, estes novos "premium de entrada", como o Classe A (ou mesmo os novos Série 1, disponível no Brasil desde o começo do ano, e Audi A3), podem forçar o segmento inferior -- de sedãs médios e grandes de marcas mais tradicionais, perfil executivo, mas sem o rótulo premium -- a um upgrade forçado de sua lista de equipamentos.

O NOVO CLASSE, NUM PASSEIO POR LOS ANGELES

  • Este vídeo de divulgação, produzido em inglês pela Mercedes-Benz, mostra o novo Classe A em sua variante mais poderosa, a AMG Sport, num passeio pelas ruas de Los Angeles, nos Estados Unidos. O trajeto, cheio de percalços (e de estranhos galpões inundados), serve para listar e demonstrar as inúmeras tecnologias de conforto e segurança ativa e passiva do hatch.

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