Mitsubishi L200 Triton moderniza suspensão e ressuscita versão Savana

André Deliberato
Do UOL, em Mogi Guaçu (São Paulo)

A linha de picapes da Mitsubishi no Brasil, composta pela família L200 Triton, ganhou algumas modificações pontuais e um "velho novo" membro para a linha 2013: a L200 Triton Savana, versão repleta de adereços aventureiros e de recursos off-road que realmente fazem jus aos enfeites.

Importante: todas as versões continuam com cabine dupla, tração 4x2 com opção de 4x4 e 4x4 com marcha reduzida, câmbio manual de cinco velocidades e o motor quatro-cilindros, 3.2, turbodiesel, de 170 cv e 35 kgfm de torque -- com exceção da HPE, topo-de-linha, que pode ser equipada com o motor V6 flex e câmbio automático de quatro marchas. Falamos sobre ela mais à frente.

GL, GLX, GLS, ABS, EBD...
Voltemos ao começo da gama. As siglas escolhidas pela Mitsubishi para representarem cada versão da picape formariam uma bela sopa de letrinhas. A primeira delas é a GL, configuração que se mantém em linha com vendas exclusivas para frotistas -- com visual mais simples, ela vem com rodas de aço de 16 polegadas, parachoques, retrovisores e grade dianteira pintados na cor preta. Os preços são de R$ 83.990 para a mais básica e R$ 88.990 para a equipada com freios ABS (antitravamento) e airbags. Na GL, o sistema de som é opcional.

A opção seguinte do catálogo é a GLX. A mais barata para o consumidor comum, ela é a picape que privilegia mais o trabalho que o conforto -- tanto que, na própria apresentação técnica do modelo à imprensa, ela foi tratada como a versão mais para o lado "comercial" que para o "pessoal". Ela traz a mesma grade e retrovisores pintados de preto que a Triton GL, mas tem como diferencial o parachoque pintado na cor do carro e rodas também de aro 16'', mas de liga-leve. O valor pedido por uma GLX é R$ 87.490 -- vale lembrar que esta versão não vem equipada com airbags, freios ABS e protetores de caçamba.

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No limite entre "comercial" e "pessoal" (segundo o marketing da Mitsubishi) está a L200 Triton GLS, versão intermediária entre a GLX e a HPE (a próxima). Ela tem o mesmo motor, câmbio e recursos off-road das duas mais baratas já citadas, e visa ao cliente que enfrenta cascalho até o sítio no final de semana, mas que exige o mínimo de segurança -- a GLS já traz de série itens como ABS e airbag. O diferencial estético dela são as molduras que contornam as caixas de rodas, enfeitadas com furos, e os frisos cromados da grade. O preço é de R$ 95.990.

A versão topo da gama é a HPE, vendida a R$ 99.990 com o motor V6 e câmbio automático, R$ 112.490 com o motor diesel e câmbio manual e R$ 121.490 se equipada com motor diesel e câmbio automático. A diferença em relação às anteriores é maior neste caso: a picape já traz de série faróis de neblina e conjunto óptico diferente (vindos do Pajero Dakar), acabamento cromado em detalhes externos e internos, airbag duplo, freios ABS com EBD (distribuição de força de frenagem), tela touch-screen de sete polegadas no painel com navegador e bancos de couro, entre outros itens (para ver a ficha da HPE, clique aqui). 

A Savana, grande novidade da linha (aposentada em 2011, era uma variação da L200 antiga), finalmente chega à atual geração e é montada sobre a versão mais cara. Ou seja, em equipamentos ela é uma L200 HPE com câmbio manual. O que muda são as rodas de 16 polegadas (que voltam a ser de aço), os pneus fora-de-estrada, o snorkel para a entrada de ar ligado à coluna A (também para a travessia de cursos d'água), o protetor de cárter maior e inclinado que fica abaixo da grade dianteira (para obstáculos mais altos) e o rack de teto, próprio para o uso fora-de-estrada -- os bancos também são de outro material, emborrachado, para o que o dono não se preocupe com a lameira do passeio. Custa R$ 112.490, o mesmo que a HPE a diesel com câmbio manual.

As três primeiras versões (que começam com a sigla GL) devem vender, juntas, cerca de 1.000 unidades por mês, segundo a Mitsubishi. A HPE deve emplacar sozinha a mesma quantidade: ela continua sendo a aposta da marca para conquistar os agroboys e os "fazendeiros de cidade" -- de suas mil unidades, por volta de 800 terão câmbio automático, equipamento importante e de apelo para o público deste perfil.

Junto com a HPE, a Mitsubishi também quer vender aproximadamente 200 unidades da Triton Savana, mas isso só a partir do mês que vem -- à exceção dela, todas as outras são vendidas como modelo 2013 desde março.

MÍNIMOS DETALHES
Apesar de todas as configurações da L200 Triton serem equipadas com a nova suspensão SDS (sigla para "suspensão esportiva dinâmica", em inglês) e terem opção de tração 4x4, somente as versões GLS, HPE e Savana contam com o sistema LSD Hybrid -- recurso nomeado pela Mitsubishi que pode ser traduzido para "diferencial traseiro com escorregamento limitado", função que passa automaticamente a tração para a roda que necessita de força em situações fora-de-estrada e que "dobra" o torque do carro quando a marcha reduzida é acionada para situações extremas. Um recurso já conhecido, mas muito útil.

Outro aspecto importante é que as picapes HPE e Savana têm a caçamba menor que as irmãs mais baratas. A Mitsubishi não revelou a diferença de volume das caçambas nas fichas técnicas, mas a diferença de comprimento entre as versões é de 18 cm -- o que não muda em nada a estimativa de vendas das picapes, mas pode prejudicar um ou outro cliente que quer levar as versões mais completas pra casa e precisa de bastante espaço no compartimento.

NA PISTA E NA LAMA
Se você está se perguntando se aceleramos as picapes, a reposta é "sim" -- na lama e na pista (isso mesmo: parte do test-drive de avaliação do modelo foi no novo autódromo da marca, em Mogi Guaçu, interior de São Paulo). E o ponto mais positivo da picape, independentemente de motor e câmbio, é a nova suspensão. No asfalto e na terra, a carroceria rola menos em curvas e a rigidez à torção parece ter diminuído bastante em relação ao modelo anterior. É provável que a marca tenha escutado bastante os atuais clientes, pois a maior reclamação de consumidores da Triton era justamente o balanço demasiado da picape em curvas.

No fora-de-estrada, o modelo faz bem os exercícios de que um 4x4 é capaz, tanto em angulação lateral e de aclives e declives, como nos obstáculos que põem em xeque os ângulos de entrada, saída e de break-over (altura do vão entre-eixos). Numa das tarefas, o objetivo era passar sobre um buraco de 50 cm de profundidade e 50 cm de largura a 60 km/h. O que seria um assassinato de um carro comum não passou de um pequeno solavanco para a L200 Triton: o novo sistema da picape produz um "delay" que reconhece o tamanho da cratera e evita que a roda caia repentinamente, preservando todo o conjunto. É um off-road e tanto -- como um bom Mitsubishi deve ser.

  • Divulgação

    Crateras como esta passam despercebidas pela L200 Triton 2013 -- a 60 km/h, a nova suspensão produz um "delay" que não permite que a roda caia

A diferença de motores fica ainda mais clara quanto à aptidão do V6 flex para a cidade e do diesel para fora dela. O motor bicombustível tem muito mais fôlego e velocidade nas subidas de giro (e foi o que mais nos divertiu na pista), mas demora na hora de mostrar sua força -- seus 33,5 kgfm de torque (com etanol) só aparecem por inteiro na casa das 3.500 rotações, enquanto o motor a diesel consegue render 35 kgfm em sorrateiros 2.000 giros.

Sabemos que os câmbios estão diretamente ligados ao bom sistemas de tração, mas eles não acompanham a modernidade dos motores e podem ser os próximos itens a serem trocados (na linha 2014, quem sabe?): o manual de cinco marchas tem engates demorados e o automático só tem quatro (preguiçosas) marchas, sendo que a quarta ainda é overdrive (a nova Volkswagen Amarok com o câmbio da ZF de oito marchas poderia ser uma boa fonte de inspiração para a fabricante japonesa).

O resumo da ópera pode ser o que a própria Mitsubishi espera com sua projeção de vendas para a picape: vender 2.200 unidades por mês, sendo 1.000 destas somente da HPE (para os fãs de picapes que moram na cidade), e as outras 1.200 para frotistas, empresas menores e lameiros -- e assim manter a 3ª colocação no segmento de picapes grandes (hoje a L200 só fica atrás da Chevrolet S10 e da Toyota Hilux). São ótimos números para uma montadora que cresce aos poucos no Brasil. E se você se encaixa em um desses perfis, ou simplesmente gosta da robustez da picape, que é bem mais ajustada que a anterior, o investimento vale a pena.

Viagem a convite da Mitsubishi



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