Audi A4 sofre plástica, ganha mais recheio e parte de R$ 149.700

Murilo Góes
Do UOL, em São Paulo (SP)

Modelo mais vendido da Audi no mundo, com mais de 10 milhões de unidades, o A4 2013 chega no embalo dos inúmeros lançamentos do mercado automotivo que trazem como novidades pequenas reestilizações, sejam externas ou internas, comuns nos períodos de entressafra por quais todos modelos passam.

No caso do carro da marca alemã, lançado oficialmente no exterior em outubro do ano passado e apresentado agora no Brasil, as principais mudanças são resultado da  padronização à nova identidade estética das famílias A5, A6 e A8, apresentadas a partir do Salão de Frankfurt de 2011 e que o A4 adotou no modelo 2013.

Considerando-se tratar do primeiro facelift de um carro que está em sua oitava geração -- iniciada com o Audi 80, em 1972, e com novo nome desde 1994 -- e que mantém o mesmo visual desde 2007, pode-se dizer que, ao menos com relação à versão Ambiente (única apresentada até o momento, e considerada a de entrada do modelo), as alterações, apesar de poucas, tornaram o A4 melhor.

E era de se esperar que um carro que terá preço sugerido a partir de R$ 149.700, já com o novo IPI, apresentasse melhorias substanciais para se manter na antiga briga com os Mercedes-Benz Classe C e BMW Série 3, seus principais concorrentes e atuais detentores da preferência dos consumidores brasileiros: neste ano, até meados de abril, já foram emplacados 501 Classe C, contra 352 sedãs da BMW e apenas 282 unidades do A4 -- que, em todo o ano de 2011, vendeu 1.507 carros.

DETALHES DO A4

  • Murilo Góes/UOL

    Para variar, Audi faz do farol a assinatura de estilo, o qual fica cada vez mais longilíneo nos detalhes

  • Murilo Góes/UOL

    Motor tem potência até discreta, de 180 cv, mas bom torque de 32,6 kgfm e força em baixa rotação

Conteúdo, preço e tradição têm sido os principais argumentos dos consumidores para justificar a liderança dos outros dois sedãs alemães no mercado brasileiro -- mas o novo A4, além de mais recheado que a versão anterior, também aposta no status e estilo da marca para diminuir esta distância.

A OLHO NU
De cara, percebe-se o alinhamento da dianteira do A4 à nova identidade da marca: nas fortes linhas horizontais da dianteira, o capô com vincos mais acentuados dirige o olhar para a nova grade frontal hexagonal em trapézio invertido, pintada na cor cinza escuro e com moldura cromada. Todo o conjunto óptico também é novo: os faróis ganharam formato mais longo, com a linha inferior semelhante a uma onda e, internamente, têm novo posicionamento e formato de lâmpadas e refletores.

As luzes de xênon são de série, assim como as quatro luzes diurnas de LED com polímeros condutores de luz que formam o filete iluminado que é característico dos Audi atuais. Na parte inferior dos novos parachoques dianteiros, as entradas de ar ficaram maiores, e as luzes de neblina passaram a ser retangulares.

O desenho da traseira do novo Audi A4 também sofreu alterações, em especial no formato das lanternas, agora mais estreitas e, visualmente, mais longilíneas. Fileiras de LEDs individuais indicam as luzes de seta e freio, enquanto a iluminação de posição usa um feixe de luz de LEDs contínuo (a exemplo do farol dianteiro), que emoldura a luz de ré -- única com lâmpada comum na peça.

O escapamento passa a ter duas ponteiras, e o parachoque com difusor de ar também foi redesenhado. Mas o principal: o A4 Ambiente agora apresenta sensores de estacionamento, ausentes na antiga versão de entrada, mas imprescindíveis num carro que manteve os 4,70 metros de comprimento e teve sua largura e distância entre-eixos aumentadas em 1 centímetro, passando para 1,83 m e 2,81 m, respectivamente.

Outros equipamentos simples, mas antes ausentes, também foram lembrados. Luzes de cortesia nos espelhos dos parassóis, embora consideradas um luxo dispensável, são um exemplo da preocupação com o conforto de condutor e passageiro. O sistema de advertência ao motorista em caso de sonolência ou condução inapropriada (presente até em carros da Volkswagen) agrega segurança. Houve aperfeiçoamentos no sistema de ar-condicionado automático (que, no entanto, continua com apenas uma zona de temperatura) e nos comandos multimídia, tanto do console quanto do volante, que tem novo desenho e continua revestido de couro.

Mantém-se os ajustes elétricos dos bancos dianteiros, sensores de luz e chuva, teto solar, espelhos retrovisores externos elétricos, airbags dianteiros e de cabeça, piloto automático, freio de estacionamento eletromecânico, rádio Symphony, Audi Music Interface, Bluetooth e rodas aro 17 com pneus 225/50, agora de série.

Sentiu falta de mais tecnologia? Sim, o A4 Ambiente 2013 pode oferecer mais -- mas por um preço. "Módicos" R$ 10.350 permitem ao cliente pode optar pelo MMI (Multi Media Interface), com um preciso sistema de navegação. O MMI é acessível pela tela de 6,5 polegadas ao centro do painel e usa um seletor no console, junto ao câmbio -- mas, apertando-se um botão no volante, passa a funcionar também por comando de voz ativo de múltiplas funções. É possível navegar por diversas mídias, como jukebox, cartão SD, CDs, rádio e GPS. O sistema possui um HD interno de 60 GB, dos quais 20 GB podem ser utilizados para o entretenimento pessoal.

Todos os detalhes do A4 Ambiente 2013
Veja Álbum de fotos

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Entretenimento de verdade, porém, encontra-se mesmo quando se dirige o A4: uma herança das versões anteriores que, sabiamente, manteve-se na nova. Na versão Ambiente, o motor continua o mesmo 2.0 TFSI a gasolina (bloco de quatro cilindros com turbocompressor intercooler, injeção direta e estratificada de gasolina, 180 cavalos de potência entre 4.000 rpm e 6.000 rpm e 32,6 kgfm de torque disponíveis entre 1.500 e 3.900 rpm). Nem as pequenas alterações internas realizadas para  melhor adequação ao uso urbano tiraram sua força e fôlego para as arrancadas rápidas -- ele acelera de 0 a 100 km/h, segundo a montadora, em 8,2 segundos; e atinge a velocidade máxima de 226 km/h. Clique aqui para ver as especificações.

É claro que isso teria reflexos no consumo de combustível e, mesmo que a Audi divulgue médias de 10,6 km/l na cidade e 17,5 km/l na estrada, na realidade os números não são tão generosos assim. No test-drive realizado em trechos urbanos de trânsito pesado em São Paulo, o indicador de consumo instantâneo do painel mostrava quase sempre 7,5 km/l. Em percurso rodoviário, melhorava para cerca de 11,5 km/l.

Naturalmente, a maneira de conduzir o veículo tem fundamental influência nestas estatísticas. Não foi difícil manter a velocidade de 120 km/h a apenas 1.700 rpm e ver no indicador de consumo inacreditáveis 22 km/l. Numa situação de pista reta, a 160 km/h e girango a apenas 2.200 rpm, o consumo instantâneo chegou a 14,9 km/l.

A verdade é que o câmbio Multitronic (do tipo CVT, continuamente variável), em seu modo automático, permite ao motorista pisar no acelerador e aumentar a velocidade mantendo a rotação praticamente estável, sem  trancos nas mudanças infinitas de marchas simuladas pelo sistema. Utilizando-se dos recursos do modo Drive de condução, que dá prioridade ao conforto com rodar macio, e os oferecidos pelo sistema de Cruise Control (que ajuda a manter uma velocidade constante), é possível diminuir ainda mais o consumo médio do A4 e, inclusive, descer ladeiras numa mesma velocidade e sem oscilações -- sem acionar os freios.

É previsível, porém, que quem dirige um A4 também tenha seus momentos de despreocupação com o tamanho da conta do posto de gasolina, e opte por desfrutar da esportividade que o modelo oferece. A opção pelas trocas manuais permite a simulação de oito marchas, selecionadas na própria alavanca de câmbio ou nas aletas atrás do volante.

No modo de condução Sport o A4 Ambiente fica ainda mais nervoso, mas nem por isso menos seguro. A direção deixou de ser hidráulica e passou a ter assistência eletromecânica com Servotronic: além de respostas rápidas, permite manobras precisas  com adaptação instantânea ao modo de condução do veículo. Em seu pacote de divulgação do carro, a Audi garante: "Este novo sistema não consome energia quando o carro estiver em linha reta", o que seria impossível em outros tipos de assistência. "A nova direção representa uma economia de 0,3 litro de gasolina por 100 quilômetros rodados, e reduz em 7 gramas por quilômetro as emissões de CO2".

O A4 Ambiente mantém a tração dianteira usual numa versão de entrada (ou seja, não há a tração integral quattro), mas incorporou o ESP (controle eletrônico de estabilidade) com sistema de vetorização de torque (nas curvas, faz a compensação de ângulo do automóvel por meio de diferentes tracionamentos das rodas, limitando o deslizamento lateral do veículo), já presente nos Audi A1 e Q3. Impossível de ser desligado se o carro estiver acima dos 70 km/h, o ESP -- somado à recalibragem nos braços da suspensão traseira e nos amortecedores (além do ABS e do EBD), permite ao A4 fazer curvas com segurança desafiadora.

Tudo isso, e o cliente ainda pode escolher entre quatro combinações de cores para bancos, revestimentos de porta e forro de teto. Tudo em couro.

ESTÁ POR VIR
A Audi já divulgou alguns itens que constarão da versão Ambition do Audi A4 2013, mais recheada, que deverá chegar por aqui somente em julho. O principal diferencial ante a versão de entrada será mesmo a tração quattro como item de série. Para sustentá-la, o motor também será um bloco de quatro cilindros com 2 litros de capacidade, turbocompressor e injeção direta -- mas com 211 cv de potência entre 4.300 rpm e 6.000 rpm e torque de 35 kgfm na faixa entre 1.500 rpm e 4.200 rpm. Na versão Ambition o câmbio será S-Tronic, automático sequencial de dupla embreagem e sete marchas.

Não foi divulgado se o MMI com comando de voz, opcional na versão Ambiente, será incorporado como item de série na Ambition. Assim como também não foram divulgados quaisquer valores para esta versão, nem para outras carrocerias que devem chegar ainda este ano: Avant Ambiente e Ambition (station wagon) e S4 (sedã e station). Partindo do valor da Ambiente, dá para imaginar o tamanho da escalada.
 

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