Em busca de 'proteção total', airbags evoluem do par à dezena

Fernando Calmon
Colunista do UOL

  • Divulgação

    Airbag central, que oferece dupla proteção e estreia no Chevrolet Traverse e outros SUVs da GM

    Airbag central, que oferece dupla proteção e estreia no Chevrolet Traverse e outros SUVs da GM

Quando, no começo dos anos 1990, os carros de grande produção nos Estados Unidos, Europa e Japão passaram a vir equipados de série com um par dianteiro de airbags (bolsas infláveis), já se sabia que era apenas o começo de uma longa escalada para melhorar a segurança passiva.

NÃO HÁ MILAGRE

O "primeiro airbag central da indústria": Assim a General Motors apresentou ao mundo o novo equipamento do SUV Traverse 2013, modelo que não é vendido no Brasil e foi mostrado no Salão de Nova York deste ano.

A ênfase da fabricante é na proteção ao ocupante dianteiro que esteja sentado no lado oposto ao do impacto lateral, seja motorista ou passageiro.

Segundo a descrição do equipamento no comunicado de imprensa sobre o Traverse, "quando um impacto violento ocorre, o airbag é acionado em milissegundos a partir do lado interno do banco do motorista e infla entre motorista e passageiro dianteiro, oferecendo proteção a ambos".

Mas ninguém faz milagres: "Mesmo que a tecnologia jamais possa proteger todas as áreas do corpo ou evitar todos os potenciais ferimentos, o airbag central é projetado para cuidar de impactos laterais hoje não levados em conta nas atuais condições de testes de segurança", afirma Gay Kent, executivo da GM para segurança veicular.

Ele frisa que o equipamento é parte de um sistema que inclui estrutura reforçada, outros airbags e, claro, o bom e velho cinto de segurança.
(Do UOL, em São Paulo)

Não se tratava de uma tecnologia barata e jamais poderia dispensar o uso dos cintos de segurança. A associação dos dois dispositivos já salvou milhares de vidas e diminuiu a severidade dos ferimentos em acidentes.

Automóveis caros permitem ampliar o número de airbags e estes foram evoluindo. Adotaram-se bolsas laterais para os ocupantes dos bancos dianteiros, depois para os dois passageiros junto às portas traseiras e, por fim, cortinas infláveis no teto dos dois lados.

Também se criou proteção para os joelhos do motorista. Então, dependendo de como se olham as cortinas (em geral bisseccionadas), até 11 bolsas podem equipar modelos do segmento superior (numa contagem caolha).

A ideia não é parar por aí. Já se estudaram uma bolsa no assoalho, à frente dos pedais, e outra central para veículos que transportem apenas dois passageiros atrás (essa mais viável), sugerida pela Toyota. Recentemente, a Ford colocou, de início no SUV Explorer, cintos de segurança com bolsas embutidas para dois passageiros do banco traseiro.

A TRW desenvolve o dispositivo no teto como alternativa para desocupar o volume na parte do painel em frente ao passageiro, onde fica uma bolsa de grandes dimensões. O airbag do motorista é menor, embutido no volante.

Porém, há o perigo de um forte choque lateral do lado oposto ao do motorista. Sendo o acidente do mesmo lado dele, há proteção da estrutura do carro, além do airbag lateral e de cortina que protegem torso, coluna cervical e cabeça. No caso de colisão na lateral direita do automóvel, o motorista é arremessado de forma violenta para o meio do carro.

  • Reprodução

    Airbag central em ação durante impacto lateral esquerdo: motorista fica mais preso ao seu banco (entre dois airbargs), enquanto o passageiro, que tende a inclinar-se para o lado do impacto, é amortecido em sua trajetória na direção do motorista

  • Reprodução

    Airbag central em ação durante impacto lateral direito, sem passageiro: o equipamento impede que a trajetória do corpo no sentido do impacto cause danos maiores ao motorista

A Administração Nacional de Segurança de Tráfego nas Rodovias (NHTSA, em inglês), órgão do governo americano encarregado de pesquisas e de avaliação de segurança passiva de veículos novos, explicitou os riscos dessa categoria de acidente. Entre 2004 e 2009, após investigar desastres fatais, concluiu que 29% dos motoristas morreram mesmo protegidos por cinto e airbag frontal.

Essa constatação levou a GM e a Takata a criar a segunda bolsa de ar lateral embutida no lado interno do banco do motorista.

Há espaço suficiente entre os dois bancos dianteiros para que se proteja também o acompanhante, embora se saiba que, na maior parte do tempo, só há o motorista a bordo. SUVs e crossovers são problemáticos, pois seu centro de gravidade e assentos elevados tendem a desequilibrar bastante o corpo numa batida lateral.

Em três anos de desenvolvimento se estudou e se patenteou o novo airbag, levando em conta o invólucro, a capacidade de amortecimento e retenção do corpo em simulações de acidentes com bonecos, além da posição relativa dos ocupantes. O dispositivo está pronto para equipar lançamentos do ano-modelo 2013, à venda em meados de 2012.

Não à toa que os escolhidos, inicialmente, são todos crossovers médios (na realidade, grandes para o padrão do resto do mundo): Chevrolet Traverse, Buick Enclave e GMC Acadia. E, claro, de preços elevados.

Siga o colunista: www.twitter.com/fernandocalmon
 

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