Volkswagen Fox BlueMotion faz 21,3 km/l em condições favoráveis

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em São Paulo

Em setembro de 2011, durante o evento preliminar ao Salão de Frankfurt realizado pela Volkswagen, o presidente-executivo da marca e do conselho de administração do Grupo Volkswagen, Martin Winterkorn, traçou como uma das metas para a companhia fazer veículos mais eficientes a ponto de reduzir a emissão média de poluentes em até 40%. O prazo, claro, termina em 2018 -- ano repetido como mantra em toda ação da marca e limite auto-estipulado para a empresa tornar-se a maior fabricante automotiva do mundo.

UOL Carros estava presente na plateia e ouviu o discurso atentamente. Logo depois, ao observarmos os modelos expostos pela marca no salão, notamos que o objetivo não será difícil de ser cumprido. Mas isso na Europa: a imensa oferta de motores -- a gasolina com injeção direta de combustível e turbo, a diesel com sistemas mais eficientes, híbridos e até elétricos -- associados a caixas de câmbio manuais, automáticas e automatizadas de dupla embreagem e a mais avançada tecnologia permitem dar conta do recado. A associação dos trens-de-força citados a carenagens especiais, mais aerodinâmicas, e pneus de baixo atrito geram diversos modelos da série BlueMotion por lá. Fácil.

Abaixo do Equador, porém, as coisas são menos azuis. Por aqui, até então, um único produto havia sido lançado, o Polo BlueMotion (lembre do carro clicando aqui), bem equipado e com um interessante diferencial tecnológico: a eliminação do tanquinho de gasolina, ainda padrão de auxílio para a partida a frio de carros com motor flex abastecidos com etanol. (Há ainda o Gol G4 Ecomotion, com projetos e ambições diferentes.)

Mas pense um pouco e responda: você já viu algum Polo BlueMotion rodando na faixa ao lado? Estacionado no supermercado? E na concessionária? Não? Pois é.

CROSSFOX, AGORA AUTOMATIZADO

  • Divulgação

    Outra novidade da Volks para 2013 é o aventureiro CrossFox, configuração topo da linha Fox, em versão com câmbio automatizado (ASG).

    Além do câmbio chamado comercialmente de I-Motion (que também nomeia a versão), e que dá descanso ao pé esquerdo do motorista, este CrossFox tem como diferencial a troca do adesivo lateral por borrachão. Novas rodas de liga-leve e padrão de revestimento de couro são opcionais.

    Com o acréscimo de R$ 2.780 cobrados pelo câmbio, o CrossFox I-Motion custa R$ 53.880.

  • Divulgação

Agora, a Volks aproveita o lançamento da linha 2013 para mostrar o segundo membro da família azul (cor dos rios e do céu, para dar a ideia da preservação de recursos), desta vez com maior apelo "popular". O Fox BlueMotion, equipado com o conhecido motor 1.6 de 101/104 cavalos (gasolina/etanol), promete economia média de 10% no consumo de combustível, na comparação com o Fox 1.6 regular. O preço sugerido é de R$ 36.730 (para carroceria de duas portas) ou R$ 38.300 (quatro portas), cerca de 3% acima do valor padrão para o modelo.

O consumo oficial divulgado pela marca, em média ponderada dos ciclos urbano e rodoviário e seguindo normais laboratoriais (NBR 7024), é de 16,1 km/l com gasolina e 10,9 km/l com etanol -- ganhos acima dos 10%, até. Em nosso teste (leia os detalhes mais abaixo), alcançamos média ainda melhor, com consumo de 21,3 km/l de gasolina.  

Nas contas da Volkswagen, a conta é "zerada", ou seja, o investimento maior acaba compensado pela economia de combustível, em um período de dois anos a dois anos e meio, com média diária de uso de 60 quilômetros. Vale lembrar que a garantia total da fábrica (carroceria e componentes) é de um ano, com três anos para motor e câmbio.  

RECEITA AZUL
Para deixar a conta de consumo no azul, o Fox recebe alterações no câmbio, que tem sua relação alongada para permitir que o motor trabalhe em rotações mais baixas e, assim, tenha menor consumo, emissão de poluentes e ruído. Além disso, há mudanças aerodinâmicas na grade frontal (que é inteiriça, com uma única fenda horizontal), tomada de ar inferior, para-choque frontal, caixas de rodas (que passam a contar com defletores) e spoiler traseiro.

O modelo usa, ainda, pneus diferentes, de baixa resistência ao rolamento, que reduzem a perda de velocidade por atrito ou, no pensamento inverso, permitem que o carro ande mais com menor necessidade do uso do acelerador. Fabricados com maior quantidade de sílica e na medida 175/70 com raio de 14 polegadas, se valem de uma pressão maior de enchimento, ou seja, mudam o hábito de calibragem no posto, passando dos habituais 29/28 PSI para o par 36/34 PSI (nas rodas dianteiras e traseiras, respectivamente). Como pneu mais cheio faz com que o carro fique mais arisco, a Volks teve de acertar a suspensão com alteração dos amortecedores, sobretudo na fase de baixa frequência (aquela exigida, por exemplo, em vias de asfalto ruim, irregular, onde a suspensão sobe e desce mais vezes e mais rapidamente). Não houve mudança na carga ou comprimento das molas. Cobrindo tudo, calotas (ou "supercalotas", no jargão mercadológico da marca).

O interior do Fox BlueMotion, a exemplo dos outros modelos da linha, utiliza ainda materiais recicláveis -- fibra feita a partir de garrafas PET recicladas -- em áreas como revestimento de teto, porta-objetos, assoalho e carpetes. Os bancos têm a parte central do estofamento na cor azul. 

Para UOL Carros, porém, o maior mérito deste Fox está em seu computador de bordo, que traz inovações que permitem ao motorista melhorar seu comportamento no trânsito e desenvolver uma tocada mais sustentável, dia após dia. A principal delas é o indicador de troca de marchas, que sinaliza na tela de LCD atrás do volante o momento certo de troca de marcha e, mais, a marcha correta a ser engatada naquele momento. Há também uma espécie de econômetro, indicador digital de consumo instantâneo, que se vale de um gráfico de barra para mostrar se o motorista está consumindo pouco ou muito combustível com a pisada no acelerador. 

Como é o Fox BlueMotion
Veja Álbum de fotos

QUASE PELADO
Se o pênalti do Polo BlueMotion era ser mais caro do que o consumidor estaria disposto a pagar (fora ter sido mal apresentado ao mundo), a bola-fora do Fox BlueMotion vem do fato do modelo ser vendido quase pelado. De série, não há itens considerados banais atualmente, como acionamento elétrico de vidros e espelhos, ajuste da coluna de direção, ar condicionado ou rádio. Pelo menos, há direção hidráulica.

E a justificativa para a ausência nem é ambientalmente correta, como seria de se imaginar. Trata-se apenas de eliminar itens que pesariam ainda mais no preço inicial do carro.

Tudo bem, isso (e muito mais) pode ser adicionado como opcional, como é praxe na linha Volks. Custar 3% a mais também nem é algo tão pesado assim. Mas faltou um incentivo, um "carinho" da marca para quem topa assumir a imagem do bom-mocismo ambiental. Afinal, em um mercado ainda baseado na forte noção de valorização do (pouco) dinheiro do orçamento para a compra de um carro polivalente, o consumidor padrão ainda vai preferir investir qualquer trocado extra em equipamentos para melhorar a imagem de seu carro "basicão". E, definitivamente, a preocupação ambiental dificilmente vai entrar neste "upgrade".

Resumindo, ainda é algo difícil e que demanda muita vontade própria ser ecologicamente correto no Brasil.

NA PISTA
UOL Carros participou de um rápido teste com uma unidade duas-portas do Fox BlueMotion, logo após a apresentação mercadológica do produto, entre a sede da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, e a cidade de Embu das Artes, ambas na Grande São Paulo.

O carro utilizado foi preparado especificamente para medição de combustível: o tanque foi abastecido com gasolina comum (E22) de forma a encher 90% de sua capacidade (que é de 50 litros); sonda e medidor foram instalados entre o tanque e a mangueira de abastecimento do motor; os pneus foram calibrados de acordo com a pressão recomendada pela fabricante; o ar condicionado foi desligado, os vidros fechados e a ventilação comum foi utilizada na segunda velocidade; apenas duas pessoas ocuparam o carro, levando apenas seus pertences pessoais -- nada de uso do porta-malas, portanto.

Nestas condições, partimos para um trajeto de 56 quilômetros, com velocidade média perto dos 70 km/l -- em raros momentos ultrapassamos os 80 km/h e nunca deixamos a marca dos 100 km/h para trás.

Não notamos nenhuma mudança significativa no comportamento da suspensão, possivelmente sinal de que a regulagem feita pela fábrica é mesmo eficiente. A percepção de uma esperada "estranheza" no comportamentos dos pneus acabou anulada pela chuva que caía durante o percurso. De diferente, apenas a boa sensação de saber que se está conduzindo de forma ideal, graças aos "conselhos" do computador de bordo quanto à troca de marchas.

Por fim, o saldo da medição: um equipamento de precisão acusou o uso de 2,6 litros de gasolina no percurso de 56,2 quilômetros percorrido em 48 minutos. No computador de bordo, a indicação de 21,3 km/l de consumo médio. Se reproduzido na rotina diária, este consumo seria suficiente para desanuviar qualquer clima fechado e, de fato, deixar tudo azul.

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