JAC ganha sotaque alemão com SUV SII e novos J3 e J6

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em Pequim (China)

Uma das anfitriãs do Salão do Automóvel de Pequim, a JAC Motors tratou de alçar o best seller J3 e a minivan J6 a um novo patamar de qualidade. Além disso, a marca chinesa apresentou um novo trunfo, o SUV compacto SII. Os três produtos, que já contam com passaporte e devem tirar visto de entrada no Brasil em breve, têm inspiração clara: foram criados levando em consideração os ensinamentos da escola alemã.

A grande estrela do estande da marca tem nome peculiar. A JAC decidiu abandonar a letra J, inicial de seus modelos mais conhecidos, por conta da carroceria maior do SUV, e apostou na curiosa combinação curiosa SII, ou S2. Quem é ligado na linguagem da internet, enxerga neste par a simbologia para "coração". Já geeks e fissurados em eletrônicos e celulares farão correlação com um celular coreano dotado de sistema Android e principal rival do onipresente iPhone.

Dentro do universo automotivo, o utilitário esportivo da JAC suscitará outras muitas comparações. Desenvolvido totalmente pelos centros de estilo da marca na China e em Turim (Itália), o SII apresenta soluções mecânicas de ponta, mas ainda dá margens a conclusões diversas sobre sua "inspiração". Afinal, é impossível deixar de pensar no coreano Hyundai ix35 ao observá-lo pela primeira vez. A lateral do SII tem porte a ângulos que remetem ao Chevrolet Captiva, enquanto a traseira tem lanternas idênticas às do alemão Audi Q5, mas que ainda podem ser modificadas.

Isso porque o SII ainda é um conceito, e sofrerá correções de estilo antes de chegar ao mercado, no final de 2013, primeiro na China e posteriormente no Brasil.

Em nosso país, será a primeira investida da JAC num segmento de maior valor agregado. Aqui na China, porém, mostra um passo à frente da JAC em termos de produto, equipamento e tecnologia. Até então, o SUV oficial da marca da estrela chinesa era o SI (ou S1), geração anterior do utilitário esportivo, que foi mantido longe do Brasil à força. O motivo é bastante compreensível: o SI é um clone da primeira geração do Hyundai Tucson.

Falemos agora do lado original do SII: ele mede 4,43 metros de comprimento, 1,85 m de largura e tem 2,64 m de espaço entre-eixos. O trem-de-força revela soluções primorosas, como motor 1.9 turbo a gasolina com câmbio manual de seis marchas ou um 2.0 também turbinado, com injeção direta de gasolina, 186 cavalos de potência (184 hp) e câmbio DCT ("dual clutch transmission" ou transmissão de dupla embreagem) de seis marchas. Esta versão mais poderosa ainda conta com sistema start/stop, que desliga a alimentação do motor em paradas, economizando combustível.

J3 remodelado e outras novidades da JAC
Veja Álbum de fotos

'DAS AUTO' EM CHINÊS
A JAC também mostrou novidades mais imediatas, que darão as caras no mercado -- brasileiro inclusive -- em pouco tempo (releia aqui): o novo J3, com frente, traseira e interior modificados, foi mostrado em sua configuração sedã, que aí no Brasil recebe o sobrenome Turin (na China, é apenas J3 e é a mais vendida). Suas modificações, obviamente, se estenderão ao hatchback (que por aqui ganha o nome de J3 RS).

O lado pitoresco do facelift do J3: se o primeiro olhar sobre o novo modelo for feito de forma distraída, a chance de tomá-lo por um carro da Volkswagen é gigantesca.

OUTRAS CHINESAS

  • Eugênio Augusto Brito/UOL

    A Chery também tem novidades que interessam aos brasileiros em seu estande em Pequim. A foto acima mostra o subcompacto QQ remodelado, que acabou ficando muito parecido com o J2 da JAC (ou com qualquer outro subcompacto oriental)(.

  • Eugênio Augusto Brito/UOL

    Outra plástica exibida pela Chery foi a do SUV Tiggo. Infelizmente, a marca diz que não há planos de trazer as novidades rapidamente ao Brasil.

  • Eugênio Augusto Brito/UOL

    No espaço da BYD, cuja estreia no Brasil é muito especulada, luzes sobre o novo F3, que finalmente deixou de ser um clone do Toyota Corolla.

A linha de para-choque é idêntica àquela com a qual nos acostumamos a associar com Fox, Polo e demais modelos dotados da atual identidade da marca alemã. A tomada de ar afilada se une sem sobressaltos aos faróis mais retilíneos que o normal, como num Volks. O aspecto germânico só não fica mais escancarado por conta da estrela de cinco pontas da JAC sobre friso cromado. O interior do conjunto óptico traz ainda um elemento ondulado que lembra muito o recurso utilizado pela coreana Hyundai em seus modelos recentes.

Na traseira, lanternas em cunha trocam o desenho atual (com apêndice voltado para baixo) por um refletor horizontal retangular na tampa do porta-malas. Ou seja, de traseira o J3 lembra um pouco a nova geração do Civic.

Por dentro, mais uma vez tem-se a impressão de se estar num dos carros do Grupo Volkswagen, com predominância de preto e cromado e saídas retangulares de ar. Curiosamente, o volante é idêntico aos da nova safra da Chevrolet, encontrados no Cruze e Cobalt brasileiros, por exemplo.

Por falar em brasileiro, nosso mercado deve receber os novos J3 hatch e sedã no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, mas a venda não deve ser iniciada imediatamente. Isso só ocorrerá em meados do primeiro trimestre de 2013. A família, claro, estará equipada com o novo motor flex, que chega antes e ainda no atual visual do J3, com a versão Sport.

MINIVAN
A nova J6 segue o mesmo caminho dos J3, mas suas alterações remetem a carros maiores, como a perua Jetta Variant da Volks (dianteira) ou a nova geração da minivan Zafira, feita pela também alemã Opel (lanternas). O interior, porém, é de carro coreano, mas detalhes em plástico branco e telas de LCD não devem chegar ao Brasil. O câmbio automático deve aparecer num segundo momento e será CVT (polias variáveis de variação infinita), com funcionamento semelhante ao do Honda Fit 1.5 (geração anterior).

OPA, O QUE É ISSO
O estande da JAC traz ainda uma versão esportivada do pequenino J2, com frente diferente, com tomada de ar hexagonal, onde a referência é novamente a escola coreana. Fontes da JAC negam que este visual seja o do "nosso" J2 (a ser lançado durante ou próximo ao Salão do Automóvel de São Paulo), mas não explicam também o porquê de sua existência. Fica o mistério...

Há ainda um esportivo de verdade, o SC, dotado do mesmo motor 2.0 turbo do SII, mas que para nosso infortúnio não tem qualquer chance de abandonar o território chinês.

TUDO PELA QUALIDADE
A explicação para o "abandono" do estilo chinês e a absorção do "zeitgeist" alemão tem duas motivações: a primeira é local e diz respeito à preferência do chinês de maior poder aquisitivo por modelos de marcas estrangeiras (ainda que estes sejam produzidos localmente), que passam ao menos a impressão de serem mais bem construídos. É o caso, claro, das alemãs Volkswagen e Audi, entre outras marcas.

Segundo a JAC, este desafio de fazer produtos melhores, mas também mais atraentes, é uma preocupação constante neste momento da empresa. A JAC quer deixar de vender bem apenas no interior do país, para tentar emplacar também entre o público mais exigente das metrópoles.

A segunda parte da explicação, e que ajuda a entender o visual particular nos novos carros, foi dada pelo empresário Sérgio Habib, presidente da JAC do Brasil, que afirma ter dado "muito palpite na renovação dos modelos". Apesar de conduzida pela centro de estilo que a marca mantém em Turim (Itália), o consenso foi que os carros alemães poderiam servir como uma boa inspiração. Tudo pela qualidade.

Viagem a convite da JAC Motors



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