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Mercedes otimiza gama do roadster SLK devido ao IPI; carro diverte sem beber muito

Murilo Góes/UOL
Mercedes-Benz SLK 250: versão passa a ser a única vendida no Brasil, por R$ 249.900 imagem: Murilo Góes/UOL

Claudio Luis de Souza

Do UOL, no Litoral Norte de São Paulo

A alemã Mercedes-Benz está entre as marcas mais prejudicadas pelo aumento do IPI de veículos importados. Sem fábrica de automóveis e comerciais leves no Brasil, seus modelos pagam o tributo cheio. Verdade que boa parte dos clientes da Mercedes não tem problemas com dinheiro (nem com gastá-lo), mas algumas decisões drásticas tiveram de ser tomadas -- a gama local do roadster SLK, por exemplo, foi reduzida a uma única versão, ante três em 2011 (e quatro no exterior, contando a 250 a diesel).

Do ano-modelo 2012, chega às lojas apenas o 250, dotado do motor CGI turbo de 1,8 litro. O preço é de R$ 249.900. Deixam de ser importadas as variações 200 e 350, a primeira mais barata, a segunda mais cara.

Ainda este ano, chega ao Brasil o apimentado SLK 55 AMG, assinado pela divisão esportiva da Mercedes. A data precisa não foi divulgada, e seu preço será fixado em (muitos) dólares.

Em 2011, a Mercedes emplacou 700 unidades do SLK no Brasil, mas este ano as vendas devem recuar para a casa das 400 unidades, devido ao preço cerca de 15% mais alto, ao corte de versões, e também pela falta do roadster nas lojas no processo de troca de geração. Seus rivais são Audi TT (aprecie aqui a versão S) e BMW Z4. Carros para poucos, como (não) se vê em nossas ruas. 

Nascido já como roadster (conversível de dois lugares) em 1996, o SLK chegou à terceira geração em 2011 tendo como inspiração o SLS, o famoso asa-de-gaivota, em vez do SLR McLaren que moldou a geração de 2005. O visual do roadster alinhou-se à gama da Mercedes, adotando conjunto óptico retangular e lanternas com grafismos retilíneos (as traseiras são meio exageradas), LEDs nas luzes de posição e grade frontal com a estrela-símbolo do marca alemã em destaque -- aqui, "apoiada" em apenas um filete cromado.

Na cabine há lugar para duas pessoas de qualquer porte, bancos esportivos revestidos de um couro especial que esquenta menos sob o sol, peculiares defletores manuais escamoteáveis atrás das cabeças dos ocupantes (para uso com a capota aberta) e a profusão de comandos e informações típicas de carros premium (especialmente de Mercedes e Audi). As saídas de ar circulares e móveis repetem o tema do SLS, mas há alguns aborrecimentos -- entre eles, a má visualização do painel de instrumentos, cujos mostradores parecem desviar-se do olhar do motorista, e a ridícula posição da alavanca de seta e comando dos limpadores de parabrisa, permanentemente escondida pelo volante.

O teto abre e/ou fecha apenas com o SLK parado. Na teoria, é uma medida de segurança, mas a prática é ambivalente: ao ser surpreendido por uma tempestade ou outra condição que o impeça de dirigir a céu aberto, o motorista tem de achar onde parar. Até conseguir, pode se molhar inteiro, na melhor das hipóteses, ou ter o controle do SLK prejudicado, na pior. A operação, que é complexa devido ao teto rígido (e não de lona), demora cerca de 20 segundos.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
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participou de um longo test-drive do SLK: foram exatos 350 km. Partimos da vizinhança do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, descemos ao Litoral Norte pela Ayrton Senna/Tamoios, depois emendamos Rio-Santos e Piaçaguera-Guarujá, e enfim subimos a São Paulo pela Imigrantes, para encerrar na sede da Mercedes-Benz, acessada pela Anchieta. Houve sol, chuva, pista livre e trânsito pesado, e uns poucos trechos de piso ruim.

O comportamento do SLK é divertido. A direção é firme e bastante direta, dando a sensação de que as ordens às rodas dianteiras são "telepáticas". No entanto, os controles eletrônicos de segurança se encarregam de colocar o roadster no rumo certo a cada provocação mais exacerbada. Não adianta entrar nas curvas forçando um escorregamento das rodas traseiras, por mínimo que seja; a tecnologia entra em ação para segurar o carro e preservar a segurança de seus ocupantes e dos circunstantes.

Por ser baixo e relativamente "espalhado", de excelente aerodinâmica, o SLK é grudado no chão e estável por natureza. Tal característica permite que as suspensões sejam firmes, mas dotadas de molejo suficiente para tratar bem os ocupantes -- desde que a pista seja, pelo menos, razoável.

Os números de desempenho anunciados pela Mercedes para este SLK são de máxima limitada a 243 km/hora e aceleração até 100 km/h em 6,6 segundos. Com cerca de 1.500 kg, o roadster é leve -- mas nem tanto. Isso serve para realçar os méritos do excepcional motor 1.8 CGI, a gasolina, dotado de turbocompressor (em vez do compressor mecânico dos antigos Kompressor), de quatro cilindros em linha. Posicionado longitudinalmente para acompanhar o sistema de tração traseira, o propulsor responde com gana ao pé direito especialmente quando o turbo entra em ação, antes dos 2.000 rpm.

O trem de força é completado pela transmissão automática 7G-Tronic Plus, de sete velocidades e três ajustes: econômico, esportivo e manual, este com trocas sequenciais na alavanca e nas aletas atrás do volante. Vale destacar o modo Sport, que adia as trocas ascendentes até as 6.000 rpm e antecipa as reduções para as 2.000 rpm, mantendo o SLK sempre esperto para eventuais retomadas. Na Serra do Mar, as placas recomendando "descer engrenado" poderiam ser trocadas por "desça no modo Sport".

Os 204 cavalos de potência e 31 kgfm de torque são números de motor maior, mas o consumo foi bom para um carro feito para andar rápido: 9,5 km/litro. Casa bem com a proposta Blue Efficiency da Mercedes, de modelos cada vez mais econômicos -- característica, aliás, mais perceptível aqui do que nos carros dotados dos premiados motores da rival Audi.

Viagem a convite da Mercedes-Benz do Brasil
 

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