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Atualizada em 30.09.2016 14h57

Volkswagen Fusca celebra passado de glória no Brasil e se liga no futuro

Divulgação
Em 50 anos de Brasil, 30 em produção, Fusca gerou mais de 3 milhões de unidades imagem: Divulgação

Eugênio Augusto Brito
Rodrigo Lara

Do UOL, em São Paulo

Foram 30 anos de produção, com 3.367.290 unidades fabricadas (dessas, apenas 130.655 não foram consumidas pelo mercado nacional, sendo exportadas) e infinitas histórias (Quer contar a sua? Use o campo de comentários no final da reportagem). Provavelmente o Volkswagen Sedã, depois Fusca, mereça o título de carro mais carismático já produzido no país, a ponto de ser figura fácil de ser encontrada nas ruas até hoje, 16 anos após o término da sua segunda fase de produção. E essa é a justificativa para que o Fusca tenha um dia só seu: neste dia 20 de janeiro é comemorado o Dia Nacional do Fusca.

A instituição da data é polêmica, assim como a origem do carro. No mundo todo, o Dia Internacional do Volkswagen Beetle é comemorado em 22 de junho, marco da assinatura do contrato de produção inicial do modelo, em 1934. No Brasil, reza a lenda, o Sedan Clube decidiu instituir uma comemoração em 1988, escolhendo a data de 20 de novembro. Acontece que a logística falhou e apenas o material comemorativo ficou pronto a tempo: com adesivos e faixas com o logo "20" preparados, a solução foi adiar o evento para outro dia 20, após as festas de fim de ano, em janeiro de 1989.

Nada disso atrapalhou a ascensão do Fusca como carro do povão -- barato, o modelo foi opção de primeiro carro (ou até mesmo o único na garagem) de milhões de compradores que não podiam arcar como modelos mais refinados.

LONGO CAMINHO
Algumas linhas históricas creditam ao austríaco Ferdinand Porsche a criação do Volkswagen, a pedido do ditador Adolf Hitler. Outros defendem que o papel de Porsche tenha sido apenas formal, um mero assinador de contratos. O fato é que o modelo foi um compilado de invenções de diversos engenheiros e surgiu com a função de ser um carro de apelo popular na Alemanha. Daí o nome oficial do carro e, depois, da marca: Volkswagen, literalmente carro do povo, em alemão.

Após um longo período de desenvolvimento, as primeiras unidades foram produzidas em 1938. A produção comercial do carro, entretanto, foi impedida pela 2ª Guerra Mundial, sendo efetivada apenas em 1946, após o término do conflito.

E O FUSCA?
No Brasil, o carro chegou em 1950, sendo montado primeiramente em regime CKD (Completely Knock-Down, ou seja, nenhuma peça era produzida aqui) pela Brasmotor (mesma empresa do grupo de eletrodomésticos Brastemp) e, depois, pela Volkswagen do Brasil, num galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Apenas em 1959 o carro passou a ser oficialmente produzido pela Volkswagen na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). 

O nome do modelo era Volkswagen Sedan, mas a dificuldade em pronunciar a palavra alemã Volkswagen ("folquisváguem") ou sua sigla alemã VW ("fauvê") levaram a erros que geraram as palavras "fulque", "fulca" e, logo, "fusca". Popularizado, o nome acabou oficializado em 1983. O Brasil tinha um nome único para o VW Sedan, algo comum em outros mercados -- no México, o carro é chamado até os dias atuais de Vocho; nos países de língua inglesa, é "besouro" ou Beetle; Carocha em Portugal; Käfer na Alemanha.

Três anos depois, em 1986, o projeto do Fusca seria encerrado, aos 27 anos de Brasil, por incompatibilidade com novos padrões de construção e segurança.

A aposentadoria durou até 1993 quando, por sugestão do então presidente Itamar Franco, a Volkswagen voltou a fabricar o besouro. Enquadrado em incentivos proporcionados pela Lei do Carro Popular, e com poucas alterações, enfrentou concorrentes mais modernos nas ruas. A volta do Fusca durou até 1996, quando foi lançada a Série Ouro, uma edição especial de despedida do carro.

A partir de então, o Fusca passaria a ser fabricado apenas pela Volkswagen do México -- por lá, o Vocho perdurou até 2003, quando foi rendido pela nova geração do modelo.

FÁCIL DE DESMONTAR

  • O comercial dos anos 1960 mostrava como uma loja de autopeças americana era eficiente em prover os consumidores de itens de reposição do VW Sedan. Para os brasileiros, fica a lembrança do Fusca, um carro "favorável" aos assaltantes e vítimas constante de desmanches.

SÉCULO 21
Entre o final dos anos 1990 e a temida virada do século 20 para o 21, o mundo entrou numa onda de nostalgia (e, convenhamos, falta de criatividade). Na Alemanha, a Volkswagen gerida por Ferdinand Piëch (neto de Porsche) tratou de enfrentar carros com traços vintage de outras marcas. Surgia o segmento cult ou retrô, dominado por carros com inspiração nos anos 1950 e 1960 e em suas linhas arredondadas.

VEJA O ÁLBUM DE FOTOS DO NEW BEETLE

  • Divulgação

Chrysler PT Cruiser (na época da DaimlerChrysler, associação entre os alemãs donos da Mercedes-Benz e os americanos) e Mini Cooper (inglês com releitura da alemã BMW) inspiraram e depois rivalizaram com o New Beetle, criação do centro de design da Volkswgen dos Estados Unidos, na Califórnia.

Visto com estranheza por muitos, o modelo com traços e detalhes femininos (como o vaso para flores ao lado do volante) montado sobre a estrutura do Golf se deu bem e superou seus concorrentes: em 11 anos de estrada, entregou mais de 1 milhão de unidades. No Brasil, chegou como "carro de imagem", importado do México, com preço sempre acima dos R$ 50 mil e nome americano jamais traduzido.

RETORNO À ORIGEM
Em 2011, um novo capítulo começou a ser escrito com a estreia da segunda geração do New Beetle, apresentado ao mundo durante do Salão de Frankfurt 2011. Como seria estranho dobrar o "novo" do nome, a solução foi chamá-lo de Beetle do Século 21, ou Beetle 21st Century.

O FUTURO

Por conta das formas menos circulares e mais alongadas e masculinas, mais próximo do carro original, a Volks adotou a estratégia de permitir que as filiais de cada país onde o novíssimo Beetle fosse vendido retomassem oficialmente o nome popular do carro.

No Brasil, a previsão é que o novo Fusca, com este nome mesmo, seja apresentado ainda este ano, começando a ser vendido (novamente importado do México) até o começo de 2013. O carro pouco vai ter do estilo popular do primeiro, nem do lado feminino do segundo: a pegada da atual geração é ter performance, garantida pelo motor 2.0 turbo e câmbio DSG (o mesmo trem-de-força do Jetta mais caro ou do Passat, por exemplo), e estilo próprio, com rodonas esportivas e som premium da marca de guitarras Fender.

Enquanto isso, o restante do mundo se prepara para receber a configuração conversível do Beetle, com corte retilíneo da carroceria (novamente se inspirando no Fusca cabrio original). O modelo que chega até o final da temporada foi adiantado pelo conceito E-Bugster, do italiano Walter de'Silva, que mostra também que o modelo pode ter uma futura propulsão híbrida ou elétrica. Longa vida ao besouro!

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