Mercedes-Benz SLS AMG Roadster dispara como bala

Claudio de Souza
Do UOL, em Piracicaba (SP)

  • Murilo Góes/UOL

    Mercedes-Benz 63 AMG Roadster: bom de curva, excelente de arrancada -- e tudo a céu aberto

    Mercedes-Benz 63 AMG Roadster: bom de curva, excelente de arrancada -- e tudo a céu aberto

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A Mercedes-Benz já vende no Brasil a versão cupê do SLS AMG, superesportivo de dois lugares mais conhecido por ter portas que abrem verticalmente, criando o efeito visual descrito como "asa de gaivota". Agora chegou a vez de oferecer a variação roadster, com portas convencionais, capota de lona e, no geral (e para nosso gosto), mais sobriedade e diversão que o irmão espalhafatoso.

A assinatura AMG nestes carros é literal: cada motor V8 aspirado que passa pelas mãos dessa seção da empresa da estrela ganha uma chapa de metal com o nome do engenheiro responsável. É uma maneira de reverenciar os 571 cavalos de potência dessa unidade de 6,2 litros (e não 6,3 litros, como sugere o sobrenome), mas principalmente os insanos 65 kgfm de torque (a 4.750 rpm). São números que fazem do SLS 63 AMG Roadster um monstro nas arrancadas, capaz de passar da imobilidade aos 100 km/h em apenas 3,8 segundos (diz a Mercedes).

O SLS asa-de-gaivota da Mercedes/AMG é um sucesso de vendas. Desde maio de 2010 emplacou 130 unidades no Brasil. Mas a alta no IPI mirou no que viu (chinesas e coreanas) e acertou o que não viu (as marcas premium alemãs). Assim, a previsão é que as vendas do cupê e do Roadster, somadas, cheguem a 70 carros em 2012, na proporção aproximada de dois cupês para um conversível.

Explica-se a proporção: o SLS Roadster é mais caro. São US$ 515 mil, conversíveis pelo câmbio do dia da compra, contra US$ 490 mil do cupê.

De acordo com a Mercedes-Benz, todos os modelos com a grife AMG estão disponíveis imediatamente para os clientes que toparem o pacote importado regularmente pela marca. Caso queiram incrementar seu carro, podem ter de esperar seis meses -- em média, o gasto extra chega a US$ 30 mil com opcionais. O curioso é que também é possível tosar o preço dos SLS, talvez em cerca de US$ 50 mil, pedindo um pacote mais simples -- mas é preciso esperar seis meses também.

O estilo do SLS Roadster é mais agradável que o do cupê. Este tem formato de cachimbo, enquanto aquele é mais harmonioso devido ao terceiro volume bem definido quando a capota está aberta. Além disso, as portas convencionais têm operação mais simples e suave.

A cabine é na medida para um carro de performance desse naipe: o luxo está em todos os materiais (couro colorido, alumínio) e em todas as peças (som Bang & Olufsen com 11 alto-falantes), mas a sensação é sobretudo de esportividade. Os bancos esportivos são envolventes e podem ter partes infladas para segurar melhor o corpo; todos os comandos são voltados para o motorista, criando uma sensação de cockpit. De resto, a altura é de apenas 1,.26 metros, o que significa que uma pessoa de 1,70 metro terá de praticamente deitar para acessar a cabine.

SAI DA FRENTE
A Mercedes colocou o SLS à prova numa pista em Piracicaba, interior de São Paulo. Deu para UOL Carros brincar bastante com o roadster -- e o verbo é esse mesmo: "brincar". Ao menor toque no acelerador, o SLS dispara, com a transmissão automática de sete marchas ascendendo-as a cada batida do ponteiro do conta-giros na vizinhança das 7.000 rpm.

Os controles eletrônicos de tração e estabilidade, que são desligáveis, foram mantidos em ação durante nosso teste para que o exagero nas curvas também fosse uma diversão, e não um risco. O SLS saiu de traseira nos traçados mais fechados e sob condução muito abusada, mas sempre foi possível corrigir a trajetória com um contraesterço ligeiro. As mesmas situações com o cupê não foram tão amigáveis, com o carro escorregando de frente algumas vezes. Fato: o roadster é mais equilibrado do que o cupê.

  • Murilo Góes/UOL

    Capota de lona fecha num piscar de olhos; roadster é mais equilibrado que o cupê

O prazer maior do SLS 63 AMG Roadster é pilotá-lo com a capota aberta, experimentando uma deliciosa sensação de liberdade. Se o sol ou a chuva incomodarem (ou se bater o medo), o teto se arma com o carro em movimento até 50 km/h, em cerca de 10 segundos.

Agora, bom mesmo é poder arrancar com o SLS, algo que seus proprietários só deveriam fazer em ambientes controlados. Na pista em Piracicaba, a Mercedes liberou uma reta de cerca de 300 metros para que os jornalistas partissem do zero e, ao final do tiro, num ponto da pista sinalizado com cones, montassem no freio do roadster. Uma maneira de verificar a explosão na partida e a implosão na parada.

Pois bem: cravamos o pé no acelerador até o limite. O SLS Roadster partiu cantando os pneus traseiros e oscilando levemente para os lados (um avião, quando está correndo na pista para decolar, também faz isso). Depois o carro se apruma, e então é olhar para frente e perceber o conta-giros subindo e descendo algumas vezes (não deu para ver quantas) até o momento de pressionar fortemente o pedal da esquerda -- a frenagem é tão eficiente quanto a aceleração.

Ao final dessa escassa reta, o SLS 63 AMG Roadster atingiu cerca de 150 km/h. A velocidade máxima, segundo a Mercedes, é de 317 km/h. Números de cair o queixo (e de esvaziar o bolso).

Viagem a convite da Mercedes-Benz do Brasil



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