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Schumacher conta como Fórmula 1 e carros de rua interagem

Arte UOL Carros sobre Murilo Góes/UOL e Divulgação
Intercâmbio: o SLS AMG (à esquerda) custa dez vezes menos, mas influencia o MGP W02, carro de Fórmula 1 da Mercedes Grand Prix, quase tanto quanto é influenciado por ele imagem: Arte UOL Carros sobre Murilo Góes/UOL e Divulgação

EUGÊNIO AUGUSTO BRITO

De São Paulo

A cada ano, sobretudo durante o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, as informações sobre como os carros de corrida evoluem em tecnologia inundam o noticiário e a cabeça do público. É certa, também, a comparação com o carro de passeio que você tem na garagem ou vê na rua -- geralmente, diz-se que um Fórmula 1 influencia um carro de rua.

Pois UOL Carros conversou com Michael Schumacher (piloto que mais vezes foi campeão da categoria, com sete títulos) e Norbert Haug (vice-presidente da divisão esportiva da Mercedes-Benz e chefe do alemão na equipe Mercedes Grand Prix) e ouviu da dupla: no mundo atual, um F-1 ainda fornece soluções para carros de passeio, mas também recebe muito das ruas, num intercâmbio interessante.

Claro, há obviedades como o sistema sequencial de troca de marchas, de aletas atrás no volante (as famosas borboletas), freios de alto desempenho (como os de carbono-cerâmica, que melhoram em altas velocidades e temperaturas elevadas) e o uso de câmbios de dupla embreagem, que engenheiros afirmam serem mais eficientes na troca de marchas que o melhor dos pilotos e que devem, em algumas décadas, serem acessíveis a ponto de equiparem seu carro de entrada. Ou a ainda recente predominância do uso de fibra do carbono em esportivos de rua e carros de luxo.

Tudo isso vem da pista de corrida para a garagem de casa, mas a Fórmula 1 não é mais o grande laboratório das ruas, como costumava-se dizer, algo admitido pelo próprio Schumacher.

"Não tenho tempo para auxiliar no desenvolvimento de carros de passeio, como fazia", afirmou o piloto, que nos tempos de Ferrari foi crucial na elaboração do modelo F430 Scuderia.

Schumacher, o SLS AMG e um túnel

  • O vídeo do Mercedes-Benz SLS AMG andando de cabeça para baixo no teto de um túnel fez sucesso, mas também causou polêmica no começo de 2010. Na época, até Schumacher apareceu para dar veracidade ao fato.

    Acontece que o alemão foi um dos responsáveis pela ideia toda, anos antes dela ser utilizada na campanha de lançamento do esportivo da Mercedes. O próprio Schumi explicou a UOL Carros: "Antes da F-1, ainda no programa de aperfeiçoamento de pilotos da Mercedes, eu e alguns colegas ficávamos fazendo cálculos de aerodinâmica e velocidade para saber se e como seria possível 'colar' um carro de corrida no teto do túnel, fazer um loop e coisas assim, então percebemos que poderia funcionar". E deu certo com o SLS? O piloto apenas sorri.

Ocupado em tornar seu carro de corrida competitivo e voltar a ser campeão em no máximo mais duas temporadas, o heptacampeão afirmou que "a performance aerodinâmica é o principal fator sendo desenvolvido na Fórmula 1 atualmente", enquanto os carro de rua evoluem em áreas cada vez mais diversificadas, a ponto de atender diferentes perfis de usos e de compradores.

TROCA DE PAPÉIS
De fato, em áreas como segurança do piloto, eficiência e baixo consumo, os carros de rua fornecem avanços aos de pista, não o contrário. Os especialistas da Mercedes Grand Prix contam, por exemplo, que o uso de dispositivos como o Hans (suporte de cabeça e pescoço do piloto) são derivados de sistemas encontrados em carros de passeio, como o encosto ativo de cabeça -- certo, carros básicos e mortalmente inseguros como os fabricados no Brasil (saiba mais aqui) não têm este tipo de parafernália do bem, mas modelos luxuosos, sim.

E há a contra-partida, como aponta Norbert Haug: "A célula de sobrevivência do Mercedes-Benz SLS AMG vem desse tipo de parceria", afirmou, fazendo referência à peça única que forma a principal parte do cupê superesportivo, de modo a ser resistente a impactos a grandes velocidades, e que migrou da F-1 para carros de rua.

Também das ruas vem a preocupação "verde" da Fórmula 1 contemporânea em ter motores que durem mais e sejam mais compactos -- a categoria usa V8 de 2,4 litros, mas pode vir a ter modelos de 1,6 litro, reforçados pela volta do turbo. Há ainda o esforço em recuperar energia de alguma forma, o que resulta no emprego do Kers, que armazena energia de frenagens e a converte em força extra para ultrapassagens -- carros híbridos e elétricos de diversas marcas foram pioneiros no dessa tecnologia há muitos anos.

Há um limite para o intercâmbio, claro: "Temos de tomar cuidado com o uso dos termos 'ecológico e verde' na Fórmula 1, pois nossos carros têm apetite grande por combustível e, com 700 cavalos, precisam comer mais que um carro com motor de 70 cavalos", alertou Haug, que não acredita numa F-1 elétrica, por exemplo. Segundo ele, lições de eficiência de modelos como o CLS 63 AMG (com motor V8 de 5,5 litros biturbo e 525 cavalos, faz 10 km/l de gasolina) serão mais úteis.

  • Mercedes Grand Prix/Divulgação

    Em conversa com a imprensa especializada brasileira, Schumacher explica quais os pontos
    em comum e as divergências entre um Fórmula 1 contemporâneo e modelos de passeio

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