Chevrolet Cobalt é feito para ser escolha 'de valor' da classe C

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em Indaiatuba (SP)

UOL Carros participou de um test drive bastante curto realizado na pista de Cruz Alta, propriedade da GM em Indaiatuba (SP), onde pôde observar e dirigir por alguns minutos o Cobalt LTZ, configuração mais completa da atual linha do sedã apresentado na última sexta-feira (reveja detalhes e preços aqui).
 
A primeira coisa a passar pela cabeça nesse contato inicial com o sedã, foi a frase proferida por um dos executivos da marca durante a apresentação do modelo, momentos antes: "o Cobalt tem um desenho mais conservador, porque foi o que o público pediu durante nossas clínicas". Clínica é o nome do processo pelo qual a fábrica seleciona algumas pessoas -- podem ser consumidores fieis da marca, compradores em potencial, membros da rede de distribuição, jornalistas -- para opinarem sobre diferentes características que podem ser levadas em consideração no projeto final de um novo carro. As pessoas ouvidas não vão definir com será o formato do farol ou da grade do carro, por exemplo, mas podem indicar à marca qual proposta pode vender mais. E, geralmente, o perfil tradicional vence quando se trata de um produto destinada à massa de consumo brasileira.
 
A frente do Cobalt brasileiro, lançado agora no final de 2011, entrega: ela serviria muito bem como atualização do Cobalt americano, criado em 2004 e aposentado no último ano para dar lugar ao Cruze. Tira suas conclusões observando as imagens ao lado.


VELHO COBALT, NOVO COBALT

  • Divulgação
  • Murilo Góes/UOL

    Compare o primeiro Cobalt, criado em 2004 e vendido no mercado americano até a chegada do Cruze, e o Cobalt nacional, que herdou seu nome

Além disso, por ser muito ampla (embora tenha proporções mais acertadas que o Agile) acaba não conversando com a traseira, como apontou o colega de redação Rodrigo Lara.

Perfil e traseira, por sua vez, além de conversarem melhor entre si se mostram mais acertados, embora ainda sejam regidos pelo signo do tradicionalismo em termos de design automotivo. É curioso notar, no entanto, como as portas que parecem pesadas e rígidas são leves demais, a ponto de você precisar dosar a força que seu cérebro acha necessário aplicar para abri-las. O mesmo vale para a tampa do porta-malas.
 
A soma de tudo isso resulta num carro que aparenta ser mais robusto e classudo do que realmente é. E isso é um dos fatores "de ouro" para produtos de baixo custo. Falando em custo, a GM afirma que não tem aqui um produto campeão da exaustivamente utilizada relação custo/benefício -- para ela, o Cobalt é "um carro para os 100 milhões de habitantes dessa nova classe C da economia nacional, que buscam produtos de valor", nas palavras do diretor de marketing Gustavo Colossi.
 
A GM tem o Cobalt em alta conta, tanto que confiou ao modelo uma missão bastante árdua: ser líder de vendas.  A meta planejada pelos executivos para o sedã é alcançar as 3.500 unidades mensais, patamar atual dos pequenos Prisma e Logan. No nicho superior, o de sedãs pequenos segundo a Fenabrave, este total de entregas permitiria ao Cobalt liderar e com larga vantagem, visto que o Honda City é o principal nome do momento, com 1.500 unidades mensais.
 
EMERGENTE
Feito justamente para habitar o espectro entre Classic, Prisma -- que deve(m) estar(em) próximo(s) de se despedir(em) -- e Cruze dentro da linha da Chevrolet, o Cobalt pode ser classificado, numa abordagem livre, como um "sedã médio emergente", feito na medida para a nova classe C, consumista e com planos de ambiciosos de ascensão social. Ela quer algo além de Siena, Voyage e Logan, por exemplo, mas não tem grana para levar Linea, Jetta, Fluence para casa. Este tipo de comprador não quer mais saber de modelos antiquados, seu ego movido a notícias fresquinhas da internet recebidas num smartphone coreano não suportaria isso. Mas ele sabe (embora não admita a ninguém) que ainda não tem condições para colocar o mais recente dos três-volumes médios na garagem e vai ter de se contentar com algo que lembra a propaganda do Denorex, um antigo xampú que se valia do slogan "parece, mas não é".
 
Isso tudo fica bem claro dentro da cabine do Cobalt: há uma sensação de que o espaço é quase infinito, de que tudo vai caber lá. De novo segundo a GM, são 18 porta-objetos sendo que alguns deles comportam garrafas pet de 1,5 litro -- até porque a classe C não se contenta com latinhas, nem com garrafas d'água de 310 ml -- e espaço total superior ao do Vectra, carro notório para este tipo de assunto na Chevrolet. Mas aí você percebe que não conseguirá acomodar quatro pessoas decentemente, até porque o terceiro ocupante do banco traseiro não terá encosto de cabeça, nem cinto de três pontos. O porta-malas também é imenso, com volume de 563 litros, mas suas alças não são pantográficas, infelizmente e vão estragar alguns dos inúmeros pacotes de compras que serão colocados por lá.
 
Os mimos para motoristas e ocupantes incluem um bom sistema de regulagem do banco, aplique de tecido felpudo nas portas (ok, o couro seria bem vindo, mas e o custo?), e até alavancas e comandos importados do Cruze. O sistema de som também tem uma apresentação interessante, com um belo e completo aparelho, que inclui entradas Line-in, USB e conexão Bluetooth para celular, além de muitas opções de configuração e memórias para CDs e rádios. Em 2012, quando o Cobalt com motor 1.8 Econoflex estiver nas lojas, o dono de um poderá olhar para a alavanca de câmbio e se imaginar dentro de um Captiva, veja só.
 
  • Murilo Góes/UOL

    O motor você conhece, é o 1.4 da Chevrolet. Mas agora ele não invade mais a cabine com seu ruído e trepidação, tornando a viagem a bordo do Cobalt mais tranquila e confortável

Aparência conta muito para quem é da classe C e sonha, mais do que tudo, em ser logo da B. Mas, que terror, se este dono for uma mulher não terá como retocar a maquiagem decentemente, já que o Cobalt não tem espelhinho na contra-face do parassol do motorista (o do carona tem, mas sem qualquer cobertura ou iluminação); essa hipotética compradora também não poderá deixar o volante mais pertinho de si, já que a regulagem da coluna de direção permite apenas o ajuste vertical. Há ainda o problema de posicionamento dos comandos de vidros, que poderiam estar numa posição menos recuada -- no lugar onde estão, irritam o motorista, que terá de se mexer e tirar os olhos da pista para acioná-los.  São diferenças pequenas, mas marcantes entre quem é emergente e quem pode mais realmente -- ou entre um sedã compacto e um três-volumes médio de verdade.
 
Em movimento, o Cobalt surpreendeu em alguns pontos sensíveis. A mudança na câmara de ressonância do motor 1.4 cumpre sua função e não deixa passar excesso de ruído, nem trepidações para dentro do habitáculo, permitindo que todos os ocupantes mantenha a conversa em dia enquanto viajam, ou ouçam seu som preferido sem serem incomodados, algo impensável na maior parte dos modelos compactos.
 
O novo acerto da suspensão, que mantém o sistema independente na dianteira e semi-independentes atrás (eixo de torção com barra estabilizadora), está classudo e doma grande parte das irregularidades do asfalto nacional, garantindo conforto. A consideração final vem da caixa de câmbio, manual de cinco marchas, que também foi retrabalhada e ficou, finalmente, preciso.
 
Infelizmente, as curvas planejadas, as poucas ladeiras do campo de testes e o curto tempo disponível tornaram impossível a tarefa de avaliar se o motor 1.4 tem fôlego, força e consumo suficientemente adequados para executar a tarefa de empurrar o Cobalt nas diferentes situações do cotidiano urbano da nova classe média -- mercado e salão de beleza semanais, escola diária das crianças, visita mensal aos avós na praia ou na montanha. Essa conclusão, fundamental para as aspirações de muitas famílias, fica prometida para breve.


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