Impressões: cupê Peugeot RCZ cobra alto por muito estilo e performance

Claudio de Souza
Do UOL, em Indaiatuba (SP)

A Peugeot passa a trazer ao Brasil o RCZ, cupê esportivo de desenho ousado e ambições largas: ele chama para a briga rivais escolhidos por carroceria e preço, o que abrange desde Audi TT e Mini Coupé (inimigos óbvios) até roadsters em geral.

O modelo foi esboçado como conceito no Salão de Frankfurt de 2007, e hoje partilha a plataforma da geração "8" da marca (como o sedã 408). O RCZ de produção vem da Áustria (fabricado pela Magna Steyr), e um primeiro lote de 200 unidades já está medindo a temperatura do mercado brasileiro. O valor pedido pela versão única é de R$ 139.900, com o IPI especial para carros extra-Mercosul/México -- agora suspenso até 15 de dezembro.

O volume de importação a partir do término da primeira remessa não está definido, mas a Peugeot garante que não haverá falta de carro nem fila de espera. Desde maio de 2010, 30 mil exemplares foram vendidos em 80 países.

O Mini Cooper Coupé S parte de R$ 149.950, enquanto o Audi TT começa em R$ 215.600, ambos já com incidência do novo IPI. 

Peugeot RCZ em detalhes
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OUSADO
O RCZ aposta igualmente no estilo e na performance. Para agradar aos olhos, une uma dianteira típica da Peugeot, com faróis felinos e "bocão" negro, a um perfil massudo formado por caixas de rodas ressaltadas e teto em bumerangue, chegando a uma traseira típica de cupê, com as lanternas na altura da linha de cintura.

O que chama mesmo a atenção, no entanto, é o teto duplamente abaulado, formando uma espécie de "bumbum"; a peça é em metal, mas como o vidro da janela traseira é exatamente da mesma cor, a sensação que se tem é de que tudo é envidraçado.

Já a tentativa de agradar aos pés direitos mais assanhados conta com um argumento quase definitivo: o motor 1.6 turbocomprimido de 165 cavalos a 6.000 rpm e soberbo torque de 24,5 kgfm despejado nas rodas dianteiras a apenas 1.400 rpm. Ele foi concebido em parceria com a BMW e é usado pela Peugeot no crossover 3008 -- modelo 200 kg mais pesado que o RCZ e já louvável pelo bom desempenho.

Sob o capô do RCZ, esse propulsor é mais manso que no MIni Coupé (este tem 184 cavalos na versão S), devido a diferenças no acerto. Além disso, o cupê da Peugeot só vem ao Brasil com transmissão automática sequencial de seis marchas -- a marca optou por não trazer o carro com câmbio manual, prevendo baixa demanda.

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Ainda assim, a proposta é de esportividade: segundo a fabricante, o RCZ vai de 0 a 100 km/h em 8,4 segundos e chega aos 213 km/h de velocidade máxima. Por volta dos 80 km/h, o defletor de ar traseiro é acionado automaticamente; por volta de 150 km/h, o ângulo de inclinação é aumentado. 

POR DENTRO
Para brigar numa faixa de preço tão elevada, e 100% fora do habitual para as atuais gamas da PSA no Brasil, o RCZ traz um belo acabamento interno, usando materiais como couro, fibra de carbono e plásticos com textura piano black, além de uma espécie de vinil nos painéis frontais. Os bancos têm regulagens elétricas e memória de posição.

Já o assento traseiro é inútil até mesmo para crianças. O carro é definido como um 2+2, mas serve apenas a solitários ou casais sem filhos. Por isso, o ar-condicionado digital de duas zonas de resfriação é um mimo e tanto.

A parafernália de segurança inclui freios a disco com ABS (antitravamento), EBD (distribuição de força) e AFU (auxílio em frenagem de emergência), controles de tração e estabilidade, quatro airbags e sistema de proteção ao pedestre -- num atropelamento ocorrido entre 20 km/h e 50 km/h, um sensor de fibra óptica reconhece o obstáculo como humano e comanda uma elevação de cerca de 6 cm do capô dianteiro, criando um espaço vazio e deformável entre o metal (onde a vítima vai bater) e o motor.

A defesa do pedestre está em pauta na Europa e na mira dos órgãos locais de segurança de trânsito (como o Euro NCAP).

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
UOL Carros
participou de um test-drive com o RCZ num autódromo particular em Indaiatuba (São Paulo), podendo levar o modelo aos limites permitidos pelo traçado, bastante travado e com curvas cegas.

O RCZ mostrou-se muito bem acertado mesmo sob forte exigência. Direção direta, suspensão firme e pneus baixos e largos garantem a estabilidade necessária para unir diversão e segurança. Os sistemas eletrônicos entraram em ação em manobras mais abusadas, aparentemente freando as rodas internas à curva; em algumas situações, o motor foi brevemente "cortado".

O cupê ganha velocidade de forma natural, mas o câmbio poderia ser mais curto, mesmo com seis velocidades. Frequentemente o RCZ bateu nas 7.000 rpm antes de mudar a marcha quando em Drive, esgoelando o propulsor -- e jamais chegou à sexta marcha; e, nas trocas sequenciais, o motorista vai notar que algumas ascensões e reduções simplesmente não são atendidas. Quem já queria um câmbio manual antes do test-drive certamente saiu dele com mais argumentos.

Vale notar que, se o RCZ promete não arrebentar quem está fora dele no caso de um atropelamento (algo que não pudemos testar), seu tratamento aos tímpanos dos circunstantes também é respeitoso.

Dentro da cabine, a depender da tocada, há o ruído esperável de um propulsor trabalhando duro. Mas o isolamento acústico é primoroso do interior do capô para o exterior, e ao longo do test-drive os RCZ passavam à nossa frente quase despercebidos, mesmo acima dos 120 km/h e tentando chegar aos 160 km/h no final de uma reta em aclive.

O bumbum no teto causa espécie a quem vê o RCZ; sua quase-furtividade, em quem (não) o ouve. Coisas de um carro sui generis no mercado nacional.

Viagem a convite da Peugeot do Brasil
 



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