JAC J6 compensa falta de refinamento com espaço e equipamentos

Rodrigo Lara
Do UOL, em São Paulo (SP)

Espaço talvez seja o item mais importante quando tratamos de carros com ambições familiares. Afinal, além de ter a função de levar pessoas com conforto, um veículo desse tipo frequentemente tem o seu porta-malas muito exigido -- com malas em viagens ou compras de um supermercado. Segurança também é uma qualidade desejável nos "familiares", pois é comum eles transportarem crianças e andarem com a sua lotação máxima. E não basta considerar itens de segurança passiva, como airbags, nessa conta: um bom motor e um comportamento dinâmico eficaz também devem compor o pacote.

Como se pode ver, a lista de exigências para um carro familiar é grande, e por si só já atua como um filtro para os modelos disponíveis no mercado. E eleva a cobrança em cima do carro chinês pioneiro no segmento: o monovolume JAC J6.

O modelo, vendido em duas versões, de cinco (R$ 58.800) e de sete lugares (versão Diamond, a R$ 59.800), é um divisor de águas na (ainda curta) história dos veículos chineses no país, já que foge do estereótipo do "apelo popular".

Isso deve-se ao (óbvio) fato de que o preço cobrado pelo J6 restringe seu público às pessoas com poder aquisitivo mais elevado -- e, por consequência, com nível de exigência maior. Com isso, o modelo entrou num terreno inexplorado pelos chineses até então, e precisa provar que, além de um custo/benefício interessante, tem qualidades para encarar concorrentes já estabelecidos no mercado -- como Citroën Xsara Picasso, Nissan Livina e Chevrolet Zafira.

Há ainda a futura influência da alta do IPI sobre o valor final do veículo. De acordo com a assessoria da JAC Motors, ainda há um estoque de J6 suficiente para manter o carro no mesmo preço "pelos próximos dias". O tamanho desse estoque e a previsão de quanto a minivan custará quando o aumento do imposto for repassado, porém, não foram informados. Extraoficialmente, sabe-se que a marca teria carros para atender à demanda de alguns meses.

Veja o J6 em detalhes no álbum abaixo, com fotos de Murilo Góes acompanhadas de comentários sobre estilo e conteúdo:

CONVIVENDO COM O J6
UOL Carros avaliou uma unidade do J6 de cinco lugares por um período de pouco mais de uma semana. Nas nossas mãos, o carro encarou de trânsito pesado a rodovias praticamente sem tráfego. Mas o que chamou a atenção num primeiro momento foi o acabamento: simples, porém bem executado.

A lista de equipamentos de série também é farta. Não faltam os triviais (para os chineses, ao menos, ao contrário do que se vê em carros nacionais) airbag duplo, freios ABS (antitravamento) com EBD (sistema eletrônico que distribui a força de frenagem entre as rodas), direção hidráulica, ar-condicionado (em versão digital), trio elétrico entre outros -- confira aqui a lista completa. Quem quiser pode equipar o carro com pintura metálica (R$ 1.190), rodas com aro de 17 polegadas (R$ 1.600) e bancos de couro (R$ 1.400 na versão com cinco lugares, e R$ 1.800 na de sete).

A reclamação fica por conta do sistema de som. Ele possui entrada USB, mas se os ocupantes quiserem plugar um pendrive precisarão utilizar um adaptador, já que o padrão utilizado pelo equipamento é diferente do habitual. Outro senão diz respeito à qualidade da recepção do rádio, bem ruim. Na nossa experiência com o J6, os altofalantes também se mostraram de baixa qualidade, fazendo o som oscilar de maneira incomum.

POR DENTRO E ADIANTE
Aqui voltamos a tratar do espaço interno. Cinco ocupantes não encontram aperto dentro do J6. Os bancos são confortáveis, e o único incômodo é o apoio do braço entre os bancos dianteiros, que mais atrapalham do que ajudam. O porta-malas é um paraíso para aqueles que não economizam bagagem na hora de viajar: são 720 litros com os bancos na posição normal e 2.200 litros com os bancos rebatidos.

A posição de dirigir é alta, e assim continua mesmo ao ajustar o banco no nível mais baixo -- característica de veículos do segmento das minivans. Se isso penaliza o prazer ao dirigir, ao menos permite uma visão panorâmica dos arredores do carro e transmite a sensação de segurança. O volante é ajustável em altura, facilitando ao condutor encontrar uma jeito confortável para guiar o J6.

A suspensão é firme. Segura nas curvas (comportamento desejável num carro de 1,66 metro de altura), ela cobra a conta quando se passa em irregularidades e buracos no asfalto. O rodar do J6 fica longe de ser macio nessas condições, e é comum ver seus ocupantes sacolejando como se estivessem num show de heavy metal. Há de se tomar cuidado ao transpor valetas e similares, já que a distância livre do solo é pequena e o carro tende a raspar no chão com facilidade.

O motor 2.0 de 16 válvulas, somente a gasolina, rende 136 cavalos de potência a 5.500 rpm e 19 kgfm de torque a 4.000 rpm. São bons números, mas tanto a força quanto a potência máxima demoram a aparecer. O câmbio tem relações longas, e essa combinação faz com que o J6 normalmente ande com o giro alto. O som do motor invade o habitáculo sem cerimônia e, em conjunto com o ruído aerodinâmico, causam algum desconforto a bordo.

No embate entre suas qualidades e seus defeitos, o J6 se mostra equilibrado. Se não é uma compra imperdível, agrada no conteúdo, no espaço e no conforto. Mas não deixa de ser (e de parecer) um carro simples e pouco refinado. A tendência é que, com o eventual repasse da nova alíquota de IPI, essa minivan perca parte do seu custo/benefício. Mesmo assim, ela prova que os chineses podem fazer carros de segmentos superiores sem que seus produtos sejam decepcionantes.
 

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