Ford New Fiesta hatch mostra o preço da beleza e do prazer

Claudio de Souza
Do UOL, em Punta Del Este (Uruguai)

O Ford New Fiesta hatch é um carro muito bonito e prazeroso de guiar, e esses são seus dois principais atributos. Essa é a conclusão de UOL Carros após o test-drive com o modelo, realizado nesta quinta-feira (6) nas ruas e arredores de Punta Del Este, no Uruguai.

Por outro lado, o preço nos pareceu alto demais na configuração de entrada (R$ 48.950), dotada apenas de itens básicos quando se pensa num hatch premium e vazia de equipamentos de segurança hoje óbvios, como airbag duplo e freios com ABS; e alto também no pacote top (R$ 54.950), que sai da fábrica com sete airbags e alguns itens muito desejáveis, como as luzes de posição com LEDs em moldura cromada. Nosso test-drive foi com esse carro.

O pacote intermediário, por R$ 51.950, que não testamos, talvez seja a melhor relação custo/benefício do New Fiesta hatch, com dispositivos eletrônicos de segurança interessantes e, para quem se preocupa com isso, sistema multimídia falado em português com comandos de voz. Ainda assim, dói no bolso.

No entanto, como dissemos, nossa experiência ao volante do modelo foi bastante agradável. O New Fiesta hatch mostrou-se bem acertado para quem realmente curte dirigir: ótimo posicionamento para o motorista, com ampla visibilidade e sensação de domínio da pista; direção com uma soberba assistência elétrica, deixando-a leve ou rígida de acordo com a situação -- em velocidades mais elevadas, sua "conversa" com as rodas dianteiras é direta, transmitindo uma esportividade que faz jus ao visual arrojado do modelo.

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    O New Fiesta hatch tem ampla gama de cores: são oito, como esse "azul havaí"

Ao contrário do que sentimos no sedã, o New Fiesta hatch experimentado tinha alavanca de câmbio e embreagem mais firmes, mas de fácil operação -- exceto o engate da terceira marcha, que às vezes se "esconde" entre primeira e quinta. É mais um ponto em que o carro faz questão de avisar: "Caro condutor, é você que está no comando".

O MOTOR É NOSSO
O trem de força, principal componente do New Fiesta produzido no Brasil (o carro ainda é montado no México), é adequado para a pouco mais de uma tonelada do modelo: a unidade Sigma bicombustível, moderna, com várias partes em alumínio, comprova que capacidades como 1.6 (é o caso aqui) e mesmo 1.4 (de preferência sobrealimentado) são o novo paradigma para carros compactos e médios.

Potência e torque surgem homogeneamente ao longo do trabalho do motor, o que se nota nas arrancadas sem vacilos e em retomadas seguras mesmo nas marchas mais altas. Mais de uma vez, algo distraídos pela bela paisagem de Punta, acreditamos que o New Fiesta, devido à disposição exibida num aclive, ainda estava em terceira -- na verdade, estava em quinta.

O funcionamento do Sigma é suave. Dentro da cabine, pouco se ouve dele -- mérito também do bom isolamento acústico, visível quando se levanta o capô dianteiro. As suspensões, em tese menos sofisticadas que no primo Focus, mostraram-se bem equilibradas entre estabilidade do carro e conforto dos ocupantes: a carroceria torce pouco ou nada nas curvas, os solavancos a bordo são mínimos ou inexistentes. O motorista se sente seguro em velocidades na casa dos 120 km/h, confiante em traçados sinuosos e relaxado num cenário urbano com valetas, lombadas, frenagens bruscas etc.

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    Traseira de cortes acentuados é um triunfo estilístico; Ford aposta na cor branca

A audaciosa beleza exterior do New Fiesta hatch -- repare nas fotos que acompanham esta reportagem, especialmente quanto às cores -- é traduzida para a cabine no acabamento cuidadoso, mas mesmo no pacote top, que inclui revestimento em couro nos bancos, sentimos alguma avareza por parte da Ford. De fato, a ergonomia é excelente, mas há pelo menos três porta-copos (mania de americano, que também compra o New Fiesta mexicano) contra nenhum porta-treco digno do nome.

Falta iluminação no porta-luvas e -- mais grave -- no porta-malas. Não há porta-óculos, e a superfície das portas é de plástico duro, com o couro cobrindo apenas uma pequena porção. Já o painel frontal é emborrachado, e os instrumentos com formato futurista são arrojados e imponentes, embora um tanto confusos na leitura. O sistema multimídia Sync, de acordo com a demonstração da Ford, basicamente assume as funções de DJ do seu iPod ou pendrive e de secretária (a voz é feminina) do seu celular, obedecendo a comandos vocais e do volante multifuncional. Bacana, mas já houve um dia em que ninguém precisava disso no carro -- até porque não havia celulares.

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    Cabine é bem-acabada e tem visual moderno, mas faltam alguns itens básicos

PARA QUATRO
O espaço interno do New Fiesta hatch, gerado por um razoável entre-eixos de 2,49 metros (num carro de 4 metros), é para quatro pessoas. Um quinto ocupante só viaja bem, e com ele os outros quatro, se for muito pequeno. O jornalista de UOL Carros, com 1,71 metro, ficaria confortável no banco traseiro se o motorista fosse da mesma altura; mas um passageiro de 1,80 metro vai se sentir apertado atrás de um motorista também de 1,80 metro. No entanto, e isso é muito relevante, o teto sempre fica longe até das cabeças mais elevadas.

Se a cabine é justa para quatro pessoas, elas terão dificuldade para transportar sua bagagem no porta-malas de 290 litros (numa situação assim não pode haver rebatimento). É uma capacidade adequada para a demanda normal de duas pessoas, nada mais.

Em outras palavras, o New Fiesta hatch é um carro pensado para solteiros e casais sem filhos, ou com filhos pequenos. Mas não é estritamente urbano -- ao contrário, é delicioso pegar uma estrada com ele e sentir-se controlando uma máquina capaz de executar tarefas com tamanha precisão.

CONSUMO
Ao contrário do que ocorre na maioria dos lançamentos de carros bicombustíveis, o New Fiesta hatch que dirigimos estava abastecido com gasolina local (geralmente se usa etanol, em favor do desempenho). Obtivemos, segundo o computador de bordo, uma média de 8,6 km/litro em circuito 80% urbano -- um número razoável, mas abaixo dos 11 km/l alardeados pela Ford.

O carro já percorrera 225 km, e a previsão era de cumprir mais 240 km até secar o tanque de 47 litros. Ou seja, o consumo projetado era de 10 km/l. A Ford diz que a média cidade/estrada com gasolina é 12,1 km/l, e com etanol, 8,2 km/l.

A fabricante avalia -- mas não crava o número -- que o New Fiesta hatch venderá cerca de 2.500 unidades por mês, esmagando o Volkswagen Polo e perdendo do Fiat Punto e do Citroën C3. Um dos argumentos de venda, aliás, é a garantia de três anos. Quem puder comprar esse carro vai querer mais tempo com ele.  

Viagem a convite da Ford do Brasil

 



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