Fiat 500, mais barato, desfila charme em busca de popularidade

Rodrigo Lara
Do UOL, em São Paulo (SP)

Um carro de imagem. Assim poderia ser considerado o Fiat 500 enquanto era importado da Polônia: bonito, retrô e, principalmente, caro. As duas primeiras características foram mantidas na nova fase do modelo, que agora é importado do México. A última mudou, já que o carrinho agora conta com o benefício do acordo comercial do país norte-americano com o Brasil -- não é cobrada taxa de importação de 35%, e o IPI não foi aumentado -- para chegar aqui por um valor mais condizente com a nossa realidade, além de contar com opção de motorização bicombustível.

O Fiat 500, que tem preço inicial de R$ 39.990 (para a versão Cult 1.4 EVO, manual, com cor sólida), quer ser popular. Não quer, contudo, ser como um popular. O compacto vem recheado desde a sua configuração mais básica. Ar-condicionado, freios com ABS (antitravamento),  airbag duplo, trio elétrico, computador de bordo, chave-canivete, controles de estabilidade e de tração, faróis com regulagem de altura, sistema Hill Holder (freio automático para partida em aclives) e CD-Player com MP3 fazem parte do pacote de série.

CENTRO DAS ATENÇÕES
UOL Carros avaliou por 15 dias uma unidade do 500 Cult equipada com o câmbio automatizado Dualogic. A versão parte de R$ 42.990 (são exatos R$ 3.000 pelo câmbio), mas veio dotada de recheio extra: opcionais como teto solar elétrico e som premium da marca Bose estavam presentes no carro. O que mais impressionou no compacto, entretanto, vinha de série: o charme -- como pode ser visto abaixo, no álbum de fotos de autoria de Murilo Góes:

O poder de atrair olhares do 500 não é comum num modelo que está presente nas ruas do país desde 2009. É verdade que carro vendia pouco, mas dirigir o 500 pelas ruas de uma cidade como São Paulo se assemelha a conduzir um carrinho de bebê num shopping center durante o final de semana. Assim como a criança, o Cinquecento receberá elogios como "Ele é muito bonitinho", ou então um "Que fofo". Há também os mais realistas: "Muito legal esse carro, só que ele é muito caro"; estes se surpreendem quando são informados do novo preço. "Agora dá para comprar um", se animam. Em todos os casos, o 500 arrancou uma reação unânime: sorrisos.

O fato é que, se o Cinquecento manteve suas qualidades de carro de imagem, também manteve defeitos. Ele tem uma vocação específica, que é a de ser um meio de transporte diário em centros urbanos. Trocar de faixa numa avenida com trânsito pesado é moleza, e o mesmo vale para estacioná-lo. O preço é pago no espaço interno: duas pessoas viajam com conforto no banco dianteiro; atrás há dois assentos individuais, com um espaço para as pernas que vai do ruim, caso os ocupantes da dianteira tenham até 1,70 metro de altura, ao inexistente, caso eles sejam maiores do que isso. Se você gosta de dar carona, o 500 não é o seu carro.

Situação semelhante é vista no porta-malas. São 185 litros, que praticamente proíbem viagens longas com mais de duas pessoas e deixam claro: o Fiat 500 é um carro para se curtir, no máximo, a dois.

ATRAÇÃO TOTAL

  • Murilo Góes/UOL

    Durante a sessão de fotos com o 500, não foram poucas as abordagens de pessoas interessadas em conhecer um pouco mais sobre o compacto da Fiat

  • Murilo Góes/UOL

    Em alguns casos, a conversa tinha um final comum. "Esse carro é muito legal! Posso tirar uma foto?"

PEQUENO E DINÂMICO
Encontrar uma boa posição ao volante do 500 é uma tarefa simples. Há uma boa amplitude nos ajustes do banco, em altura, inclinação ou distância. Assim, tanto quem gosta de ver o trânsito mais do alto -- guardadas as devidas proporções, já que falamos de um carro de 1,50 metro de altura -- quanto aqueles que preferem uma posição mais baixa e esportiva serão igualmente agradados.

Na hora de acelerar, o motor 1.4 EVO, já conhecido do Novo Uno, mostra disposição. Com potência de 88 cavalos com etanol e 85 cv com gasolina a 5.750 rpm e torque de 12,5 kgfm com etanol e e 12,4 kgfm com gasolina a 3.500 rpm, ele se vale do baixo peso do veículo (1.061 kg no manual, 1.066 no Dualogic), para proporcionar um bom desempenho ao 500 sem que, para isso, o consumo seja sacrificado: em trajeto urbano, o computador de bordo marcou 7,3 km/l com etanol e 13,6 km/l com gasolina. Se o número com o derivado de cana não empolga, o resultado obtido com o combustível do petróleo é excepcional.

Brilhante, entretanto, é um adjetivo que não pode ser direcionado ao câmbio Dualogic de cinco velocidades. Mesmo tendo evoluído, essa caixa de transmissão automatizada não tem funcionamento linear e, no modo automático, produz trancos excessivos durante as mudanças de marcha. O incômodo diminui se o modo manual for utilizado, com o motorista aliviando o pé do acelerador ao passar as marchas -- uma medida que suaviza os soluços do 500. Mesmo utilizando esse expediente, o câmbio diminui parte do prazer ao dirigir o compacto.

O ajuste de suspensão do 500 é firme. Irregularidades mais proeminentes do asfalto se traduzem em sacolejos na cabine, o que mina parte do conforto. Nada muito grave, felizmente. E a firmeza da suspensão tem um lado positivo: o carrinho encara bem curvas e é uma boa companhia para pegar a estrada. Auxiliado pelos controles de estabilidade e de tração e pela posição das rodas, nas extremidades da carroceria, ele transmite uma sensação de agilidade que lembra um kart -- e é facilmente controlável.

A questão que fica, passado o período de avaliação, é: será que o 500 vai vingar? Ele não é tão polivalente quanto carros de valor similar, principalmente no quesito espaço. Por outro lado, mesmo sendo essencialmente urbano, não sofre do mal de veículos pequenos como Chery QQ e Smart Fortwo, que passam insegurança ao encarar rodovias.

É de se concluir que ele tem qualidades para ir bem no mercado brasileiro, principalmente se considerarmos seu visual interessante, o bom pacote de equipamentos e o novo e mais baixo preço. Se a ideia da nova fase do carro no Brasil é converter carisma em vendas, o 500 aparentemente está no caminho certo.
 

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