Com a minivan J6, JAC planeja alçar voos mais altos no mercado brasileiro

Rodrigo Lara
Do UOL, em São Paulo (SP)

A estratégia da JAC no Brasil tem um quê de plano militar. Primeiro, foi feito o reconhecimento do terreno com o J3 e o J3 Turin. Com o bom resultado da dupla, a marca agora aposta em um produto que não apenas vem para rechear a sua linha de carros no país, mas também para atingir um público mais exigente e com maior poder aquisitivo.

O carro em questão é a minivan J6, apresentada para a imprensa nesta quarta-feira (3), mas já oferecida nas lojas da marca em duas versões, com os preços a seguir:

JAC J6 (cinco lugares) -- R$ 58.800
JAC J6 Diamond (sete lugares) – R$ 59.800


O primeiro indicativo de que a J6 tem objetivos distintos daqueles almejados pela linha J3 é o seu preço. Situada na faixa dos R$ 60 mil, a minivan enfrentará concorrentes consagrados no mercado brasileiro. Sérgio Habib, presidente da JAC Motors do Brasil, coloca três adversários principais na mira: Chevrolet Zafira, Nissan Livina e Citroën Xsara Picasso.

Outro ponto que chama a atenção na J6 é a presença de opcionais. Não que a minivan seja vendida pelada: ABS, airbag duplo, direção hidráulica, ar-condicionado digital e trio elétrico são alguns dos itens de série -- a relação completa pode ser vista aqui.

O carro pode ter pintura metálica (R$ 1.190), rodas aro 17 polegadas (R$ 1.600) e bancos de couro (R$ 1.400, na versão com cinco lugares; R$ 1.800, na de sete). Com esse pacote, a J6 supera Zafira e Livina em equipamentos, ficando próxima da Xsara Picasso. Fica claro que a vocação dos J3 em oferecer um pacote atrativo também é característica do J6, além da garantia de seis anos.

MUNDO DE OPOSTOS
A minivan JAC J6 é, provavelmente, o melhor que os chineses podem oferecer em termos em automóvel no Brasil. Tem espaço, design e soluções interessantes como os bancos traseiros corrediços que, no caso da versão de sete lugares, são reclináveis e podem ser removidos.

Todos os bancos possuem encostos de cabeça e cinto de três pontos. Três passageiros viajam tranquilamente no banco traseiro -- com direito a saídas de ar-condicionado -- e, no caso da versão de sete lugares, os assentos extra oferecem um grau aceitável de conforto, mesmo exigindo algum contorcionismo na hora de acessá-los.  

Ao mesmo tempo, o veículo derrapa na qualidade dos plásticos do painel. Enquanto nos J3 esse acabamento fica na média do segmento, quando partimos para um carro no valor da J6 a tendência é aumentar o grau de exigência. Já o ruído aerodinâmico é elevado, assim como o som produzido pelo motor. São detalhes que não inviabilizam a compra, mas que podem incomodar os mais exigentes.

É DE FAMÍLIA
UOL Carros teve a oportunidade de rodar cerca de 50 quilômetros com um exemplar da JAC J6 de sete lugares. O trajeto envolveu trechos urbanos, mas a maior parte foi feita em rodovias. E é justamente o comportamento dinâmico o aspecto mais polêmico da minivan. Vale dizer que a J6 não é instável ou insegura. A minivan da JAC apenas se concentra unicamente em ser o que é: um veículo familiar. E isso traz pontos positivos e negativos.

Os entusiastas desse tipo de veículo ficarão satisfeitos em saber que a posição de dirigir é alta, com uma ampla área envidraçada que facilita a movimentação pelo trânsito. Os comandos são simples, mas ficam à mão. A modularidade do interior também agrada, assim como o porta-malas generoso -- 720 litros com os bancos traseiros na posição normal, 198 litros com a terceira fileira de bancos em uso e 2.200 litros com todos os bancos traseiros rebatidos. A suspensão tem acerto macio e, mesmo sendo saltitante em irregularidades, é confortável de maneira geral.

Já aqueles que gostam de um rodar mais firme e uma posição de dirigir mais esportiva obviamente vão se decepcionar. O ajuste de altura do banco do motorista é, na verdade, um ajuste de inclinação da parte horizontal do assento. A suspensão macia também faz com que o carro oscile em curvas, o que mina a confiança do motorista e exige uma tocada mais tranquila.

A calmaria também é vista no ajuste do câmbio que, mesmo contando com engates fáceis, possui relações longas. Com isso, ele não aproveita bem o desempenho do motor quatro cilindros 2.0 de 16 válvulas a gasolina. Esse propulsor rende 136 cv a 5.500 rpm de potência e tem torque de 19 kgfm a 4.000 rpm. Os números demonstram que ele precisa girar alto para ser aproveitado em sua plenitude, tarefa dificultada por um câmbio que insiste em manter as rotações do motor entre 2.000 rpm e 3.000 rpm.

Terminada a breve avaliação, é possível dizer que a minivan chinesa não decepciona, mas também não tem um custo/benefício tão impactante como o visto no caso do J3 e do J3 Turin. A se julgar pelo segmento no qual ela pretende brigar -- e que corresponde a cerca de oito mil carros vendidos por mês --, a minivan chinesa traz boas qualidades, como nível de equipamentos e apelo visual. O risco é ela ser exigida em um grau superior ao que pode oferecer. Nesse caso, seu voo tende a ser um pouco mais turbulento do que o dos seus irmãos menores.
 

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