Visual e preço novos tentam manter Renault Sandero como rei do custo/benefício

Rodrigo Lara
Do UOL, em Florianópolis (SC)

Carro-chefe da Renault no mercado brasileiro, o hatch Sandero sempre se destacou pelo custo-benefício oferecido: grande, com acabamento simples -- mas honesto -- e que disputava mercado com veículos menores. A fórmula milagrosa deu certo no Brasil. Desde o seu lançamento, em 2007, o Sandero (que na Europa é comercializado sob a bandeira da Dacia, subsidiária romena da Renault) emplacou cerca de 180 mil unidades.

O bom desempenho de mercado ficou claro no último mês de abril, quando o Sandero ocupou a 10ª posição geral entre os carros de passeio e comerciais leves no ranking da Fenabrave, a associação das revendas de veículos. Isso também aumenta a "responsabilidade" do carro, que deverá levar a fabricante rumo à meta de 8% de participação do mercado brasileiro até 2016 -- hoje está em torno de 5%.

MUDANÇAS DE MEIA-VIDA
Mesmo vendendo bem, estava na hora de hatch passar por uma mudança. A chamada "atualização de meia-vida" veio agora, apresentada pela Renault nesta quarta-feira (10) à imprensa especializada. Chamado pela fabricante francesa de Novo Sandero, na verdade o carro não traz grandes novidades. A marca concentrou as mudanças no trinômio equipamentos, acabamento interno e praticidade, considerados como pontos fracos do modelo.

Criticar esses aspectos de forma objetiva era fácil: quanto ao nível de equipamentos, entenda-se a falta, mesmo como opcional, de um sistema de som de boa qualidade. O acabamento interno não era necessariamente ruim, porém deixava a cabine do carro com um ar extremamente simples. Isso foi corrigido com a nova padronagem dos tecidos dos bancos, o acabamento do tipo piano black no console central e o novo grafismo do painel de instrumentos.

Já o item "praticidade" diz respeito quase que exclusivamente aos controles dos vidros elétricos. Antes situados no centro do painel (como em modelos antigos da marca), eles passaram às laterais da porta. E futuramente, segundo admitiu o presidente da Renault do Brasil, Jean-Michel Jalinier, o Sandero deve ganhar um câmbio automático, descansando o pé esquerdo do motorista.

PREÇO DE BRIGA
A despeito dessas breves novidades, o Sandero continua o mesmo carro que fala ao lado racional do cérebro. Se essa característica era clara em seu primeiro modelo, ela ganhou um reforço importante com a nova política de preços praticados pela Renault. Os valores sofreram redução em todas as versões: a Authentique 1.0 16V passou de R$ 29.690 para R$ 28.700; a Expression 1.0 16V foi de R$ 32.440 para R$ 31.300; a Expression 1.6 8V teve redução R$ 34.740 para R$ 33.600; a top de linha Privilège 1.6 8V foi de R$ 41.490 para R$ 40.400; por fim, a versão aventureira Stepway, a única com motor 1.6 16V, teve a maior redução de preço entre as versões, passando de R$ 45.690 para R$ 42.600. A tabela completa de preços você vê aqui.

A Renault não admite, mas fica claro que os novos valores encaram a investida chinesa no mercado brasileiro. Um concorrente, em especial, é uma potencial ameaça para o Sandero: o JAC J3. Equipado com ABS, airbag, ar-condicionado e trio elétrico, o hatch sai por R$ 37.900. Equipado no mesmo nível, o Sandero Expression 1.6 vai a R$ 40.000. Esses R$ 2.100 de diferença podem ser considerados o "preço da dúvida" entre apostar numa novidade ou optar por um veículo que está há mais tempo nas ruas brasileiras.

O Sandero tem três anos de garantia total. O J3, seis.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
UOL Carros teve a oportunidade de rodar com o Sandero 2012 num trajeto misto por ruas e estradas de Florianópolis, Santa Catarina. Em sua essência, o carro é o mesmo de antes, preservando qualidades -- como o bom comportamento dinâmico -- e defeitos -- o elevado nível de ruído interno.

Sem novidades que alterem o comportamento dinâmico do carro, as atenções se voltam inicialmente para o resultado do que mudou. A unidade testada, uma Expression 1.6 completa, trazia todos os opcionais disponíveis. A saber: o Expression Pack, que reúne direção hidráulica, ar-condicionado, alarme e vidros e travas elétricas, além do CD Player e do Pack Segurança, com ABS, airbag duplo e terceiro apoio de cabeça para o banco traseiro. Lembre-se, com tudo isso o carro custaria exatos R$ 40 mil.

A mudança estética alinhou o visual do Sandero aos últimos lançamentos da marca, em especial ao sedã médio Fluence e ao Clio europeu. O conjunto óptico dianteiro dá a impressão de ser diferente, mas essa sensação deve-se mais à ausência da abertura entre o capô e o parachoque, cujas entradas de ar assumiram novo formato.

Já as lanternas traseiras sofreram alterações em seus refletores e ganharam dois gomos distintos na cor branca, mas sem mudar na forma. Ainda atrás, o nome Sandero adorna o centro da tampa do porta-malas -- clara referência aos veículos mais novos da marca. Somam-se às alterações estéticas as novas rodas, que assumiram um formato mais esportivo.

  • Mova a barra vermelha para ver como o Sandero mudou em seu modelo 2012; o carro azul é do lançamento, em novembro de 2007, e o vermelho tem o novo visual

O acabamento interno está melhor. Se não passa a impressão de estarmos dentro de um carro de segmento superior, ao menos acaba com a sensação de veículo pobre exacerbada pelo acabamento antigo. Tanto os aros cromados que envolvem as escalas do velocímetro e do conta-giros quanto o acabamento em piano black ao redor do rádio contribuem para essa boa impressão -- ainda que este último seja facilmente marcado com as digitais de quem o toca. Já a mudança da localização dos comandos dos vidros elétricos para as portas é bem-vinda. Porém, eles ficam muito distantes do motorista e exigem uma boa esticada de braço para serem operados.

O novo sistema de som também é uma adição positiva ao Sandero. Além de se integrar ao visual do painel, ele possui entrada USB e tem conectividade para iPod e celulares, por meio de bluetooth. O lado ruim é que custa caro equipar o carro com esse sistema: ele só está disponível a partir das versões Expression equipadas com o tal Expression Pack. Falando em valores, esse pacote acrescenta R$ 3.700 ao valor-base do 1.0 16V e R$ 3.900 ao preço do 1.6 "pelado"; o sistema de som custa mais R$ 500.

O QUE NÃO MUDOU
A falta de alterações mecânicas é justificada pelo fato de a Renault considerar o conjunto mecânico como um dos pontos fortes do Sandero, dispensando quaisquer mudanças. É a máxima de não mexer em time que está ganhando, o que é ainda mais importante quando o carro em questão foi criado para custar pouco.

Isso significa que o Sandero mantém seu rodar firme. A suspensão é robusta e adequada às condições de piso das vias brasileiras. Nas curvas, ele não inclina em demasia, o que resulta em boa estabilidade. Mesmo com esse comportamento firma, as costas dos ocupantes não são penalizadas em demasia. Outro ponto elogiável do carro é a visibilidade. A ampla área envidraçada facilita a vida do motorista. Aliada à posição de dirigir elevada, tornam-se armas importantes ao encarar o trânsito pesado das nossas metrópoles -- e também ajudam a evitar sustos, pelo fato de o carro ter um bom volume em sua lateral.

O motor 1.6 8V Hi-Torque da unidade avaliada é cumpridor. Com 95 cavalos de potência (etanol, com gasolina, 92 cv), dá conta do recado, principalmente em baixas rotações. O mesmo não se aplica ao propulsor 1.0 16V, que carece de força nas arrancadas e acaba por sentir mais o peso do veículo.

Se a "plástica de meia-vida" não transformou o Sandero num novo carro, a queda de preço deve melhorar as já boas vendas do modelo e firmá-lo ainda mais como o principal carro de volume da Renault. E, mais importante: prepara-lo para enfrentar os bem equipados -- e mais baratos -- rivais chineses.

Viagem a convite da Renault do Brasil



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