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Dodge Challenger SRT8 é testado em Miami e confirma fama de mau

Da AutoPress

Especial para o UOL

É difícil para um apreciador de automóveis não nutrir um mínimo de carinho pelos chamados "muscle cars". E entre esses ícones norte-americanos, o emblemático Dodge Challenger SRT8 se destaca, ao lado do Chevrolet Camaro e do Ford Mustang. No caso do Challenger, a paixão vem de anos atrás, do modelo original dos anos 1970, que acabou saindo após a alta do petróleo da época derrubar as vendas. Mas renasceu com sua volta há dois anos, no Salão de Detroit, com a mesma filosofia mas visual repaginado.

  • Divulgação

    Formas retilíneas, farol duplo, faixas ao longo da carroceria e sigla SRT: é melhor sair da frente

A ressurreição do SRT8 surge como uma espécie de segunda chance para o modelo. Tipicamente norte-americano, o modelo dificilmente faz sentido fora daquele mercado, já que exibe um estilo traduzido pelo motor potente de alta litragem. Feito sobre a plataforma do Chrysler 300 C -- a mesma do Mercedes-Benz Classe E, fruto da extinta holding DaimlerChrysler --, o Challenger é vendido em três opções de motorização: 3,5 litros V6 de 250 cavalos, 5,7 V8 de 372 cv e o 6,1 Hemi V8 de 425 cv, que equipa o SRT8. A transmissão pode ser automático de cinco marchas (de série) ou manual de seis.

Em termos de design, o SRT8 aparece com linhas fiéis às do original, ostentando os típicos faróis duplos, para-lamas bojudos e colunas traseiras largas. O modelo testado vai de zero a 100 km/h em 5 segundos, de acordo com o fabricante. Na parte de entretenimento, chega com sistema de navegação GPS, computador de bordo, viva-voz Bluetooth e tela de LCD. Nos Estados Unidos, o SRT8 parte de US$ 43.655 (cerca de R$ 81 mil) preço até justificável para quem quer um modelo tão emblemático; (por Karina Craveiro)
 

RIVAIS

  • Divulgação

    Acima, o Chevrolet Camaro; abaixo, o Ford Mustang 2010. Releituras honram lendários
    "pony cars" e agradam fãs e endinheirados

  • Carlos González e Ricardo Silverio/AutoCosmos

DODGE CHALLENGER É PARA SAIR DO SÉRIO
Definitivamente, um "muscle car" não faz sentido se avaliado sob os parâmetros estritamente racionais de condução. Até porque, se fosse dessa forma, a questão seria pensar qual a real utilidade de um veículo com mais de 5 metros de comprimento, quase 2 metros de largura e praticamente 3 metros de entre-eixos em uma configuração três volumes e apenas duas portas. No caso do Challenger, a resposta para a questão é a paixão.

Com dimensões generosas e formas retilíneas da carroceria, propositalmente evocativas do modelo original, o atual SRT8 é capaz de combinar um ar retrô com uma aparência moderna e atual. Duas faixas pretas o percorrem do capô à tampa da mala e reforçam o peso da sigla SRT (Street&Racing Technology). Com uma traseira elevada e rodas aro 20, o Challenger faz jus à denominação de "muscle car", e exibe com orgulho a sua origem, com um logo SRT 6.1 Hemi presentes em locais como a grade dianteira, o capô ou a tampa da mala.

Ao entrar no Dodge, a primeira constatação é a de que a posição de condução é elevada, como se o motorista tivesse domínio sobre a estrada. Com apelo esportivo -- pedais em alumínio, volante em couro de quatro raios, quadro de instrumentos legível, alavanca do comando da marcha bem ao alcance da mão e bancos dotados de um apreciável apoio lateral --, o habitáculo conta ainda com uma qualidade de construção e materiais razoáveis. Destacam-se também o ar-condicionado, o volante grande, além de certos elementos de origem da Mercedes, como o comando do limpador do para-brisas e do pisca-alerta. A visibilidade traseira, no entanto, é praticamente nula, enquanto os bancos traseiros deixam a desejar em termos de largura e espaço para as pernas. O acesso, ao mesmo tempo, também é difícil.
 

AUTO+ ACELEROU O SRT8 NA PISTA

Para "acordar" o motor V8 basta pressionar o botão Start/Stop no painel. A unidade de força com nada menos de 6,1 litros e 425 cv responde com um ronco que soa como música. Em uma primeira impressão, a alavanca de comando da caixa manual de seis velocidades, inclinada para a esquerda, não prejudica o manuseio. Já a suspensão, por triângulos sobrepostos na frente e braços múltiplos atrás, evidencia sua firmeza, algo até "seco" e incomum para um automóvel norte-americano (vale lembrar que o Challenger sequer tem homologação para rodar nas estradas europeias). Graças à presença de um diferencial traseiro autoblocante de série, é fácil praticar um modo de condução mais acrobática e bem mais emocionante, já que todo o potencial do motor está nas rodas traseiras.

Para frear tanta potência do Challenger SRT8, a Dodge recorreu a um sistema de freios de origem Brembo, que cumpre com excelência sua função. Nas acelerações, o modelo consegue cumprir o zero a 100 km/h em cerca de cinco segundos. Em termos de consumo, os 7,6 km/l são aceitáveis quando se pretende tirar partido do poder do V8. Ao fim de uma semana de testes, o difícil é a separação. (por António de Sousa Pereira, do AutoMotor/Portugal, em Miami/Estados Unidos)

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