Mitsubishi Lancer Evo X chega a 550 cv e 64 kgfm de torque e ainda quer mais

Fabio Felix Pascoal

Especial para o UOL

  • João Mantovani/Fullpower

    Lancer Evo X MR de Diogo Machado, de quatro cilindros, tem 550 cv e 64 kgfm, a potência de um V8 biturbo

    Lancer Evo X MR de Diogo Machado, de quatro cilindros, tem 550 cv e 64 kgfm, a potência de um V8 biturbo

A Mitsubishi torceu o nariz de muita gente quando lançou o Lancer Evo X com novo motor. Afinal, era difícil de imaginar algo melhor do que o saudoso propulsor 4D63, um quatro cilindros que fez história em provas de rali e de arrancada por todo o mundo. Seria este novo motor, lançado em 2007 e denominado 4B11, capaz de superar a barreira dos 1.000 cv com a mesma facilidade apresentada por seu consagrado antecessor?

Tecnicamente, o novo 2.0 Turbo tem atributos que deixariam seu irmão mais velho morrendo de inveja. A começar pelo corpo, mais enxuto e feito de alumínio. Com isso, ficou 12,5 kg mais leve. Na parte de baixo, o reforço vem com quatro parafusos por mancal no virabrequim -- contra dois do modelo antigo.

Na parte de cima, o cabeçote traz comando de válvulas variável, tanto na admissão quanto escape. Mas, na prática, o que essas modificações são capazes de gerar em números de torque e potência?

COM A PALAVRA, O PREPARADOR
Segundo o preparador Hau Wang, da Race Art Performance, "o novo Evo X é mais civilizado, e não um carro de rali adaptado para as ruas como as versões anteriores. É um esportivo pensado, com mais tecnologia e conforto".

Para Diogo Machado, proprietário deste Evo X MR 2011, original é uma palavra que não está no seu vocabulário. "Carro tem que ter muita potência. Tenho Gol, Subaru, Evo VII, Honda... todos mexidos. No caso deste Evo, resolvi aumentar a potência por etapas, e este é o primeiro estágio", revela.

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PROJETO
Apesar deste primeiro upgrade ser o mais leve, as pretensões já eram grandes. "Eu e o Hau tínhamos um objetivo: conquistar o título do Evo X mais forte do planeta sem mexer em bloco, cabeçote, turbo, injetores e bomba de combustível", explicou Machado, que descreve as mudanças realizadas. "Colocamos um intercooler maior da Perrin, pressurização Agency Power, filtro de ar da K&N com air intake AMS, saída de escapamento em inox confeccionado da 4D Garage e kit nitro Direct Port, da americana Nitrous Express."

Com tudo instalado, o preparador aumentou a pressão de trabalho do turbo, originalmente de 1,1 kg, para 2 kg. "Para garantir uma pegada forte e progressiva, fiz um novo mapa de injeção e ignição, adequado à nova pressão de turbo e mudando a resposta do acelerador eletrônico. Outro colaborador forte para a chegada de potência extra foi configurar a manutenção dos comandos variáveis de admissão e escape, tudo feito na ECU, através do sistema de remapeamento da EcuTek", revela Hau.

E o nitro? Esse fica armado assim que o piloto aciona uma chave do tipo caça, localizada no painel, à esquerda do volante. A partir daí, depois de cravar o pé no fundo do acelerador, ele despeja imediatamente mais 125 cv . "Para alimentar de forma eficiente e não interferir em nada na injeção original, utilizei uma linha de combustível independente, com tanque auxiliar posicionado no porta-malas. Essa medida garante precisão e elimina chances de surpresas desagradáveis quando o gás entra em ação", explica o preparador.

Apesar da melhoria que o nitro proporciona, a dose do gás foi moderada devido às limitações na transmissão. "O câmbio automatizado de dupla embreagem tem engrenagens distintas, para marchas pares e ímpares, e dois modos: sport e supersport. Ele é moderno, mas não está preparado para enfrentar tanta força", explica Hau.

Para evitar problemas, foi instalado o kit Estágio 1 da South Side Performance, que garante a resistência do câmbio em até 550 cv. O kit inclui upgrade de intercooler ativo frontal e uma bomba de maior fluxo para o óleo da transmissão. "Caso queira passar de 550 cv, recomenda-se a troca dos discos por componentes mais agressivos. Assim, o câmbio suporta uma quantidade de torque maior sem patinar a embreagem. É o nosso próximo passo", completa.

NO DINAMÔMETRO
Para mostrar no papel o resultado deste primeiro upgrade e oficializar o título de "campeão mundial", o Evo foi levado para o dinamômetro da Sapinho Câmbios, onde cravou exatos 550 cv a 7.148 rpm. Graças ao turbo original, de pequenas dimensões, o torque aparece cedo. "O pico de 64 kgfm fica nas 5.167 rpm, quase o dobro do original, de 37,3 kgfm. O mais forte dos Estados Unidos com uma preparação semelhante (porém, com turbo modificado) é de 546 cv, um exemplar preparado pela DG Motors", garante Machado.

Apesar das mudanças, rodas com o Lancer Evo tão forte não é difícil. A tecnologia embarcada desta geração do carro facilita a vida do piloto com sistema de tração integral eletrônica tri-mode S-AWC (Super All Wheel Control), que controla o diferencial central, o controle de estabilidade, o antibloqueio dos freios Brembo com ABS e o controle de aceleração lateral.

"No entanto, toda esta proteção do Evo pode ser deixada de lado com o uso do Launch Control (o controle de largada). Basta apertar algumas teclas no painel e pisar com vontade no pedal de freio e do acelerador ao mesmo tempo. Quando a rotação chegar aos 5.000 rpm, é só tirar o pé do freio e arrancar feito um foguete", completa o dono, rindo à toa.

Versão condensada de reportagem da revista Fullpower.

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