Dois Jetta com motores turbinados mostram os benefícios da modernidade

Márcio Murta
Especial para o UOL

  • João Mantovani/Fullpower

    Duas caras comportadas que escondem força sobrenatural: ambos somam 684 cv de potência!

    Duas caras comportadas que escondem força sobrenatural: ambos somam 684 cv de potência!

Enquanto a era em que alto desempenho era adquirido com motores gigantes e carburadores monstruosos fica cada vez mais distante no passado, os propulsores da linha downsizing (de cilindrada reduzida com sobrealimentação) ganham mais espaço no setor de preparação. 

Além de oferecerem uma boa plataforma original -- motores turbo de fábrica possuem sistema de refrigeração e lubrificação aprimorados, para contornarem a temperatura de trabalho elevada, além de peças reforçadas, para suportar a maior potência --, a eletrônica permite diversos ajustes em pressão de turbo, ponto de ignição, comando de válvulas variável... Isso tanto para preparações leves, quanto para as mais pesadas. É o que provam os dois Jetta TSI dessa matéria.

O motor 2.0 16V turbo com intercooler e injeção direta de combustível em questão gera originais 200 cv e 28,5 kgfm de torque, de acordo com a Volkswagen -- embora ele tenha despejado 240 cv e 34,5 kgfm de torque no dinamômetro da Nascar Chips, em São Bernardo do Campo (SP). Tem um Jetta turbo e ficou interessado? Continue lendo e conheça mais sobre as melhorias.

BLACK JETTA
Normalmente, um entusiasta de alto desempenho procura desligar o controle de tração e de estabilidade em um veículo esportivo. Tudo para sentir melhor se ele tende a sair de dianteira, de traseira, ou mesmo por achar que tais tecnologias atrapalham na tocada. Afinal, acelerar sem intervenções é mais divertido.

Mas, no caso do VW Jetta preto, isso é diferente. Ele faz parte de um dos raros casos em que os sistemas eletrônicos não existem e seriam extremamente necessários. O que deixava o clima ainda mais tenso (especialmente por eu estar no banco do passageiro) era o fato do sedã com tração dianteira ter 390 cv e 52,5 kgfm de torque! E lembrem-se que estamos falando de um veículo com motor 2 litros que, apesar do rendimento alto, tem marcha lenta lisa e miolo do motor original. "Queria ter o primeiro Jetta com 400 cv", conta Fábio Reolon, proprietário da Nascar Chip e do carro das fotos.

Veja fotos dos detalhes da dupla de Jetta
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Para atingir um patamar próximo desejado de rendimento, Reolon encomendou um kit chamado Stage III da marca gringa APR Tuned -- da qual, inclusive, é revendedor no Brasil. Custando R$ 30 mil (com instalação inclusa), o pacote é composto por nova programação eletrônica, coletor de escape, turbo Garrett 2860, linha de pressurização e escape direto após o catalisador de alta vazão. "Ainda instalaremos um intercooler frontal com área maior. Isso nos renderá por volta de 20 cv extras e deixará o carro do jeito que planejamos, com 410 cv", explica, animado, o proprietário. No tanque, só entra gasolina Podium.

No trânsito, o Jetta passa uma sensação confusa. Enquanto lá fora o escape direto emite um notável assobio da turbina em velocidades baixas, ronca alto nas acelerações e "pipoca" a cada troca de marcha, o interior é estranhamente silencioso. Ao esmagar o acelerador, é possível sentir o controle de estabilidade enlouquecendo para (tentar) evitar com que as rodas destracionem, enquanto a turbo envia até 1,5 kg de pressão para os cilindros.

Em um ambiente controlado e com GPS na mão, este Jetta acelerou de 0 a 100 km/h em 6,4s, um tempo que se torna mais impressionante se levarmos em conta que o asfalto não era o mesmo de uma pista de testes e duas pessoas estavam no veículo.

O Jetta de Reolon também recebeu rodas BBS de 18 polegadas e molas Red Coil, mas seus upgrades estão longe do fim. Durante a avaliação, Fábio retirou do porta-malas nada menos que um conjunto de discos e pinças do Audi R8, que serão instalados no sedã. "Só não coloquei o jogo ainda porque não cabe corretamente com essa roda", explica. "Já tenho também um kit com amortecedor, mola e barras de torção da H&R, mas não consegui instalar antes da matéria", finaliza o proprietário. Felizmente, os planos ambiciosos para esse sedã não estão somente para o motor.

EQUILÍBRIO
O VW Jetta grafite pertence a Eduardo e também foi preparado pela Nascar Chips. Porém, com um conceito mais simples e conservador, se comparado ao modelo preto. Segundo Reolon, ele foi o primeiro Jetta 2.0 TSI a receber ajustes da Nascar, ainda em 2011. "Essa injeção é nova no mercado, então utilizamos a plataforma da Unichip para o upgrade, mas com uma programação própria da Nascar", explica. O modelo mantém o turbo original, mas teve sua pressão de trabalho ajustada para 1,2 kg, além de utilizar escapamento com novo catalizador de alto fluxo, mas com os dois abafadores originais.

  • Além da preparação, o Jetta cinza recebeu alterações internas que dão ar de exclusividade ao interior -- atualmente, o mesmo volante utilizado no Gol pode ser encontrado no Jetta, Fox, Passat...

Desse modo, o Jetta de Eduardo passou a produzir 294 cv e 43,7 kgfm de força -- melhorias que custaram aproximadamente R$ 8 mil. Ao realizarmos algumas acelerações com trocas manuais, Eduardo conseguiu registrar 8 s na aceleração de 0 a 100 km/h na sua melhor passagem. "Não sou o tipo de motorista que fica acelerando o tempo inteiro, mas é sempre gostoso dar uma esticada em uma reta isolada", comenta o proprietário.

E as notícias também são boas em relação a durabilidade. "O carro foi preparado assim que o comprei, em 2011, e nunca teve problema algum. Já rodei mais de 15 mil quilômetros, fiz todas as revisões e nunca fiquei na mão ou tive problemas", atenta o dono do sedã.

Além do desempenho, especialmente nas retomadas, o Jetta grafite ostenta uma série de cuidados que revelam o capricho de seu proprietário. A carroceria carrega emblemas R Line (linha esportiva da VW), enquanto as rodas BBS são iguais as do modelo preto (aro 18'').

No interior, pedaleiras, manopla de câmbio e soleira da porta também são da divisão de performance, novas borboletas para troca de marcha foram instaladas, bem como o volante do Sirocco e o sistema multimídia RMS 510, original dos VW vendidos na Europa. O próximo upgrade do sedã, de acordo com o preparador, será um kit de freio da Brembo.

Com milhares de quilômetros rodados após as melhorias no motor, este sedã mostra que é possível ter um modelo atual, com desempenho elevado, que seja confiável e aceite muitos toques pessoais. Sinal de que veículos e motores modernos da linha downsizing oferecem recompensadores benefícios a longo prazo!

Matéria publicada originalmente na revista Fullpower
 

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