Picapes Saveiro preparadas recriam duelo de 'Guerra nas Estrelas'


Fabio Felix Pascoal
Especial para UOL Carros

  • João Mantovani/Fullpower

    Saveiro preta é mais endiabrada; picape branca tem folego extra, sem perder estilo de fábrica

    Saveiro preta é mais endiabrada; picape branca tem folego extra, sem perder estilo de fábrica

Nunca dois motores serão idênticos, mesmo tendo nascido no mesmo lugar. Pequenas variações de temperatura, ínfimas diferenças de montagem, entre outros motivos, podem alterar resultados na hora de acelerar um carro. No entanto, essa disparidade não era considerada quando os amigos Gustavo Mura e Felipe Martins, empresários de Jundiaí (SP), saíram com suas Saveiro Trooper 2012 da concessionária. O que realmente dividiria os mundos das duas picapes era a preparação de seus motores 1.6, no melhor estilo "Guerra nas Estrelas": uma força com visual em branco, outra pintada de preto, como as tropas do "lado negro da força".

PREPARAÇÃO
Como um cavaleiro Jedi, a Saveiro branca de Felipe Martins se armou com um kit da SPA Turbo, mas manteve componentes como escapamento (com catalisador), injeção e embreagem intactos. Até o sistema ventilação do motor permanece, porém, com um filtro esportivo da K&N no lugar do original. Desta maneira, a preparação ficou totalmente reversível.

LUKE SOBRE RODAS

  • João Mantovani/Fullpower

    Parece uma Saveiro de série, mas tem 160 cavalos

"Uso a Saveiro diariamente e rodo demais com ela. Por isso, não posso ter um carro que não me passe confiança", explica Martins, que só queria um pouco mais de fôlego para seu 1.6 de 104 cavalos originais. "Acelerador eletrônico, duas sondas lambdas, sensor de detonação... Tirar esses equipamentos de um carro de uso diário seria crime", diz o preparador Marcelo "Bolinha" Crespilho, responsável pelo projeto.

Para manter as peças, no entanto, foi necessário um módulo Piggyback da HIS Injection Systems, marca de injeções eletrônicas esportivas de São Paulo. Ligado à injeção original, ele controla o volume de combustível e o ponto de ignição do motor sem bagunçar seus parâmetros de funcionamento. "A injeção original da Bosch de duas sondas é complicada de trabalhar. Se o sistema acusar qualquer anormalidade, é problema na certa", conta o preparador.

Em alguns modelos, as anomalias geradas por preparação apenas resultam uma luz acesa no painel. Neste carro, se as informações saírem dos parâmetros registrados na central, a borboleta de admissão simplesmente fecha. O causador de problemas na central de injeção é um turbo Master Power 802225, com eixo de 46 mm, rotor de 38,8 mm, caixa fria .48 e caixa quente .47. "É um turbo pequeno, ideal para este motor. Ele pega desde as baixas rotações, deixando o carro gostoso de rodar no dia-a-dia", explica Bolinha, que não modificou a vazão dos bicos originais para suprir a maior demanda de combustível. A solução veio com um injetor Bosch de 160 lb/h extra, instalado diretamente na pressurização.

A FORÇA
No dinamômetro, o desempenho foi bem honesto. A potência pulou dos originais 104 cv a 5.250 rpm para confiáveis 160 cv a 5.500 rpm. Isso, com apenas 0,6 kg de pressão. A proximidade das rotações de potências máximas entre o motor original e o preparado mostra como o turbo casou bem com o 1.6. Já o torque máximo, que originalmente é de 15,6 kgfm a 2.500 rpm, subiu para 21,5 kgfm aos 4.200 rpm.

Ao dar a partida, dificilmente se percebe ser um carro preparado. A marcha lenta fica quietinha e não há sinal do turbo em funcionamento. A primeira marcha cresce com saúde, sem exageros. Segunda, terceira, quarta... tudo muito manso, dócil, silencioso. Dá a impressão de rodar com um Golf GTi original, pois o motor funciona elástico, com força em baixas rotações. Em quinta marcha, o carro solta mais suas garras, o turbo empurra melhor e a velocidade mostra como adicionar mais de 50 cv (ou quase 50%) à potência original pode deixar o carro mais gostoso de dirigir. 

VADER COM CAÇAMBA

  • João Mantovani/Fullpower

    Turbo de 1,6 kg eleva potência a 300 cavalos

LADO NEGRO
A Saveiro preta de Gustavo Mura recebeu mudanças radicais. Apesar de também utilizar um kit SPA, com coletor de ferro fundido, as alterações mecânicas foram profundas. A começar pelo coletor de admissão: o original, de plástico, deu lugar a um de alumínio da Supercooler. Na alimentação, os bicos injetores originais foram substituídos por componentes Siemens com 80 lb/h de vazão. Já o controle da alimentação ficou a cargo de uma central da FuelTech e o módulo original foi arremessado longe.

"Arrancamos a central eletrônica original para facilitar o trabalho", explica o preparador Dirceu Moreira, de Jundiaí (SP). Durante a preparação, o escapamento original e o filtro de ar também sumiram, assim como os pistões e bielas originais, que deram espaço para peças Lapel e Powertech, respectivamente. Depois de tudo ajustado foi a vez de instalar o turbo SPA250, de dimensões mais encorpadas se comparado ao da Saveiro branca: eixo é de 47 mm, rotor de 43 mm, caixa fria .48 e caixa quente .40.

"Até pensamos em colocar um turbo gigante. Mas, com o coletor de ferro fundido, só é possível utilizar modelos da família T2. Caso contrário, a carcaça quente de um modelo maior pegaria no radiador", explica Moreira. Resguardado por componentes forjados, o preparador não se importou em regular a pressão de turbo em 1,6 kg. Com isso, estima uma potência perto dos 300 cv, suficientes para fazer a embreagem original pedir substituição imediata. Em seu lugar, platô com mais carga e disco de pastilhas cerâmicas vieram da Displatec Embreagens Especiais.

Assim como fizemos com a branca, experimentamos o humor deste Darth Vader sobre rodas. Só que a conversa agora é outra. O escape ronca alto, a marcha lenta não é tão regular e a trepidação do pedal de embreagem é característica de carros com preparação de calibre. Como tudo é protegido, aceleramos sem dó até o corte de giro programado para as 7.000 rpm. Se estivesse acelerando junto, a Saveirinho branca teria desaparecido no retrovisor. Afinal, trata-se de 1 kg a mais de pressão de turbo, muitos quilos de torque e significantes cavalos extras no cofre do motor. Mesmo assim, há como deixá-la ainda mais malvada, pois restam pequenas correções na injeção especial. "Além de um acerto fino na FuelTech, vamos mexer também no cabeçote e aumentar a pressão para 2 quilos", explica Dirceu.

O PREÇO
Quer saber quanto vale o show? Na Saveiro branca, foram investidos R$ 7.500, incluindo mão-de-obra. Já a preta consumiu R$ 20 mil, incluindo até mesmo as molas de suspensão da Red Coil, item presente nas duas picapes.

De qual lado você está? Quer conforto no dia- a-dia com potência aumentada ou um bólido de 300 cv mais difícil de guiar? Faça sua escolha e que a Força esteja com você.

A reportagem original foi publicada na edição de maio da revista Fullpower

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