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Em clima de pessimismo, Salão de Paris aposta em emergentes

Daniela Fernandes Em Paris (França)

O salão do automóvel de Paris (Mondial de l'Automobile) abriu suas portas ao público neste sábado (29) num momento de forte queda nas vendas de carros na Europa. Para tentar superar a crise, as montadoras do continente apostam nos mercados emergentes e na sofisticação de seus lançamentos.

A Renault acaba de revisar novamente para baixo suas previsões de queda nas vendas de automóveis na Europa neste ano, que passou a ser de 8%. Na França, a redução estimada é de 13%.

"Devido à degradação dos mercados europeus, que representam 50% do nosso volume, a previsão de aumentar as vendas mundiais neste ano está sob forte pressão", afirmou o brasileiro Carlos Ghosn, presidente da Renault.

O salão parisiense acontece em clima de pessimismo geral quanto à situação do setor automotivo na Europa, que não deve melhorar no médio prazo, na avaliação das grandes montadoras.

Philippe Varin, presidente do grupo PSA Peugeot Citroën, segundo maior fabricante de carros do continente, prevê que o desempenho do mercado europeu fique próximo de zero em 2013, ou levemente negativo.

Segundo ele, "há excesso de capacidade produtiva na Europa e é evidente que outras montadoras deverão fechar fábricas".

DEMISSÕES
O grupo PSA Peugeot Citroën registrou um prejuízo de mais de 819 milhões de euros (R$ 2,1 bilhões) no primeiro semestre e anunciou um plano que prevê 8 mil demissões na França e o fechamento da fábrica de Aulnay-sous-Bois, nos arredores de Paris, onde é fabricado o C3 da Citroën.

A alemã Volkswagen, líder no continente, também está pessimista em relação ao mercado europeu e "não espera nenhuma melhora rápida", disse o diretor de vendas, Christian Kingler.

A estratégia adotada pelas montadoras para enfrentar o marasmo na Europa, reiterada nas entrevistas realizadas no salão em Paris, é o reforço do processo de internacionalização de suas marcas nos mercados emergentes.

O crescimento médio da produção mundial de carros deverá ser de 5,6% ao ano no período 2011-2018. Os mercados emergentes representarão, sozinhos, 83% desse volume adicional, sendo que boa parte desse aumento ocorrerá graças à China, segundo previsões da consultoria PwC .

As palavras "sofisticação" e "internacionalização" foram repetidas inúmeras vezes pelos executivos das montadoras Peugeot e Citroën nas apresentações dos novos modelos no Salão de Paris.

"Os desafios são grandes neste período difícil que atravessamos. Continuamos nossa estratégia de tornar os veículos mais sofisticados e de ampliar nossa presença internacional", afirmou Maxime Picat, presidente da Peugeot.

"Hoje, 20% dos nossos modelos vendidos no mundo são premium", declarou Picat.

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