Toyota Corolla XRS tenta conquistar 'viúvas' do Civic Si

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em São Roque (SP)*

Se você, fã da fórmula esportiva tão rara nos carros à venda no Brasil, leu o título, abriu um sorriso e esfregou as mãos, respire e tome um copo de suco de maracujá. Vamos de novo, desta vez com calma. Sim, a Toyota do Brasil fez um movimento esperto, de olho no mercado deixado pela aposentadoria do Honda Civic Si ao final da geração anterior, e apresentou nesta quinta-feira (15) o Corolla XRS, com as letras "R" e "S" em vermelho vivo. O sedã com cara de atleta chega às lojas da rede até o final deste mês ao preço de R$ 79.500.

Vamos lá, mais um gole no refresco calmante. A fórmula do Corolla XRS, que chega já como modelo 2013, foi feita sob medida para rejuvenescer um pouco o time de clientes do sedã médio líder de mercado no país, não para provocar emoções, suor escorrendo ou arrepio na espinha. Vamos aos ingredientes:

Pegue a versão XEi 2.0 automática do Corolla (preço de R$ 77.070 no Sul e Sudeste do país) e acrescente grade preta do tipo colmeia com filete único; faróis com lentes escurecidas; spoilers nos para-choques, saias laterais e aerofólio do tipo asa com luz auxiliar de freio integrada montados sobre a tampa do porta-malas; rodas de 16 polegadas na cor cinza fosco com desenho de estrela torcida com pneus 205/55; e, completando o exterior, pintura preta ou prata, únicas disponíveis neste momento (NÃO, nada de vermelho, azul ou amarelo; o branco pode até surgir em algum tempo).

Por dentro, complete com painel e revestimento na cor preta (o original é cinza); volante pequeno, de base achatada, revestido de couro com costura pespontada de linha vermelha e borboletas para troca de marchas; para combinar, bancos revestidos de couro preto perfurado e, novamente, costuras vermelhas. A alavanca de câmbio não muda, assim como a mecânica da caixa, que é a mesma de quatro marchas de qualquer Corolla automático.

Eis o esportivado Corolla XRS, que passa a ser o penúltimo degrau da linha, antes da versão topo Altis (esta ainda custa R$ 86.570 por aqui). Atenção: o esportivado XRS será uma versão regular da linha do sedã, nada de série especial limitada.

Voltando à receita do carro, não há qualquer alteração mecânica. O câmbio, como dito, é o mesmo de qualquer Corolla automático (não há a opção, por exemplo, de se levar para casa a caixa manual de seis marchas), assim como o tradicional motor de 2 litros Dual VVT-i, com duplo comando de válvulas variável tanto na admissão, quanto na saída da câmara de combustão, e que bebe gasolina e/ou etanol para gerar o máximo de 153 cavalos de potência e 20,7 kgfm de torque (números de fábrica com o combustível vegetal).

A esportivação do Corolla XRS em detalhes
Veja Álbum de fotos

Segundo a Toyota, o Corolla XRS vai ajudar a atrair clientes na faixa dos 35 aos 45 anos, cerca de dez anos mais jovens que o comprador habitual do sedã. Com isso, a marca espera vender 400 unidades ao mês da versão, chegando ao pico de 10% do total de vendas do Corolla, que este ano planeja entregar 55 mil unidades em todo o país e manter a liderança do segmento.

CARINHA DE 35, CORPO DE 45
Tudo bem, seu suco de maracujá acabou e você deve estar esbravejando, dizendo cheio de razão que o Honda Civic Si tinha 192 cavalos de potência, câmbio manual de seis marchas, suspensão com acerto mais firme (e baseada no por si só moderno conjunto do Civic) e toda uma calibração voltada ao desempenho. Só que, neste momento, ele está morto e enterrado. E não por falta de torcida ou gritaria dos amantes da adrenalina -- entre os quais toda a equipe de UOL Carros se inclui. Outra questão diz respeito ao preço final: o modelo da Honda orbitava a faixa dos R$ 90 mil.

Sem um rival do outro lado da rua, nem disposição interna para oferecer um modelo acima da linha média de preços do segmento, a Toyota fez um movimento seguro e estudado para se aproveitar da situação com o mínimo de riscos.

Sim, nada mudou na receita interna e o Corolla XRS, esportivado, faz curvas e acelera como qualquer outro Corolla automático com motor 2.0, realizando o  0 a 100 km/l em 11,6 segundos. Mas a Toyota diz confiar na capacidade de seu equipamento tradicional, que tem um ótimo desempenho entre os sedãs tradicionais do mercado, temos de concordar -- o propulsor do Corolla é disposto em boa parte do tempo, embora o câmbio de quatro marchas restrinja um pouco do potencial (as trocas são bem ajustadas, mas é impossível deixar de imaginar o bem que uma caixa de seis marchas faria ao conjunto). 

(Neste ponto, alguém lembrará, em tom de piadinha, que até o Uno Sporting, com seu motor 1.4, teve reforço mecânico para se distanciar do modelo convencional). 

O mais importante, porém, é lembrar do principal: parecer mais atrativo, sem custar muito mais -- aqui, por conta dos adereços aerodinâmicos, a diferença dos pacotes beira os R$ 3 mil. É como se o "tiozão" levantasse do sofá, cortasse o cabelo com direito a topete espetado e colocasse camisa pólo da moda e um tênis de marca europeia para sair por aí, mas não investisse na malhação -- pode crer que, mesmo que para criticar, muita gente torceria o pescoço para olhar por algum instante. E isso já é lucro.

Afinal, é complicado lidar com emoções reprimidas e com a satisfação das "viúvas" da esportividade. Mas nada impede que alguém tente cortejá-las.   

* Viagem a convite da Toyota do Brasil



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