Kia K9, novo sedã grande coreano, flerta com europeus BMW e Aston Martin

Do UOL, em São Paulo

É difícil dizer se foi causa ou consequência, mas um dia após diversos sites ao redor do mundo mostrarem imagens do novo sedã grande da coreana Kia sem qualquer tipo de disfarce, a própria empresa tratou de exibir fotos oficiais do carro. O Kia K9, nome do modelo para a Coreia do Sul, chega ao mercado asiático nos próximos meses. Para o resto do mundo, a expectativa de entrega é para o final do ano -- antes, porém, a Kia deve definir como chamá-lo fora de seus domínios. 

O nome original, com sigla formada por letra e número, bebe na fonte europeia e revela influências e também pretensões do novo modelo. Mas também pode causar estranheza para alguns, se não for bem tratado.

O QUE HÁ NUM NOME
Assim como a Audi chama hatches e sedãs pela letra A seguida de um número para indicar o porte da família (o menor de todos é o hatch A1, enquanto o maior é o sedã de luxo A8), a Kia adota a letra K (que ela diz ser não só de Kia, mas também do grego Kratos, nome dado ao deus que personifica a força e tornou-se sinônimo para "poderoso" ou "soberano", e do inglês Kinetic, palavra que designa movimento, dinâmica) e mais um numeral.

Antes havia o K5, conhecido como Optima no Ocidente e ainda inédito por aqui, e o K7, vendido no Brasil como Cadenza. Ambos ficarão abaixo do novo K9, que amplia o topo da gama da marca, traz mais espaço e também nova tecnologia: pela primeira vez um carro da Kia adota a tração traseira.

Este nome, porém, parece servir apenas para a Coreia. Nos países ocidentais, mais alinhados com a cultura e a língua inglesa, a sigla K9 pode ser lida como "canine", ou canino. O termo, aliás, ficou famoso a partir da década de 1980, quando o uso de cães pelas forças policiais foi amplamente divulgado pela mídia -- quem lembra do filme "K-9, um policial bom pra cachorro"?

Algumas publicações apostam, ainda, que a Kia pode retomar o rótulo Opirus, mas o antigo sedã era tão estranho, que esta talvez não seja a melhor das ideias. O site Autoblog vai além e diz que a lista de batismo inclui outras alternativas: Kratos, como visto acima, seria uma das possibilidades -- embora fazer alusão ao título de uma banda qualquer de metal, ou até mesmo à série de videogame "God of War", cujo protagonista tem este nome, seria pueril demais para um sedã de luxo; o mesmo vale parece valer para Zion, Nirvana e Panther; Luxor lembra marca de cigarro, enquanto Stylus é nome de h(m)otel barato; há ainda Decima, na linha de Optima, mas sem soar tão bem aos ouvidos; e, por fim, manter o nome do projeto, KH. Essa última escolha traz uma difícil questão de cacofonia, ao menos para os países de língua portuguesa (experimente falar as duas letras rapidamente).

GRANDE COM ALGO A MAIS
Deixemos os nomes ocidentais de lado e falemos do carro. O K9 é montado sobre a mesma plataforma do Hyundai Genesis e de sua contra-parte de luxo Equus (ou Centennial em alguns países). Isso significa que sua mecânica deve ser semelhante, embora os dados ainda não tenham sido divulgados.

Um dos motores deve ser o 3.8 V6 de 338 cavalos gerenciado por câmbio automático de seis marchas. Além dele, o Hyundai conta com uma dupla de V8 associados ao câmbio de oito marchas, que também podem ser utilizados no K9: o 4.6 de 390 cv e o novo 5.0 com injeção direta de combustível e capacidade para gerar 441 cv com torque de 52 kgfm.

ANTI-ALEMÃES
O compartilhamento de formatos com o Genesis garante porte ao K9, que deve beirar os 5 metros de comprimento, com generoso espaço entre-eixos de quase 3 metros. Com tais predicados e boa penetração da marca na Europa, algo que a Hyundai ainda busca, o sedã da Kia espera se colocar como alternativa viável aos alemães Audi A6, BMW Série 5 e Mercedes-Benz Classe E.

  • Divulgação

    Traseira curta e retilínea dá ao K9 esportividade típica dos carros de Schreyer, projetista da Kia

E isso está evidente logo no visual, planejado pelo alemão Peter Schreyer, mago do estilo da Kia. A frente traz a característica grande que evoca o focinho de um tigre, mas que desta vez também lembra (e muito) a adotada pela BMW em seus sedãs de maior porte. O Série 5, aliás, também parece ter influenciado o K9 no que diz respeito ao capô do motor (a série de vincos e ondulações é muito similar) e aos faróis, que só não estão idênticos por se espicharem mais e usarem mais LEDs no carro coreano. De qualquer forma, fica difícil diferenciar um de outro numa olhada mais rápida.

A lateral do K9 busca inspiração na escola inglesa, lembrando muito os mais recentes trabalhos da Aston Martin. A traseira segue a atual linha retilínea da Kia, muito próxima da utilizada por Schreyer em seus tempos de Audi, mas algumas soluções (como o arremate da área envidraçada perto da coluna traseira) voltam a nos lembrar dos carros da BMW.

Curiosamente, o Hyundai Genesis tem traços (grade frontal, faróis e lanternas) que lembram muito aqueles adotados pela Mercedes-Benz, sobretudo no luxuoso Classe S.  

Em termos de segurança, o K9 deve trazer de oito a dez airbags (de acordo com o padrão de contagem das bolsas infláveis), câmeras e sensores nas duas extremidades da carroceria e encostos ativos de cabeça, entre outros equipamentos.

O preço também deve seguir o patamar atual do Hyundai Genesis, com o típico desconto que diferencia o portfólio da Kia. No exterior, o modelo da Hyundai custa entre US$ 35 mil e US$ 47.350 (5.0 V8), equivalente a algo entre R$ 60 mil e R$ 81 mil.

Difícil é saber o quanto custará no Brasil, se é que chegaremos a ver o carro por aqui: por parte da Hyundai, o Genesis tem sido anunciado desde o último Salão do Automóvel de São Paulo e, dois anos depois, ainda está na lista de estreias a serem confirmadas; por parte da Kia, ainda falta entregar oficialmente o Optima (embora algumas lojas já o exibam), também promessa do ano de 2010. O fato é que talvez o preço não justifique sua presença do K9 (e de seu assemelhado Genesis) por aqui.

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