Segredos automotivos

Com J2, JAC quer mostrar que também tem estilo

Do UOL, em São Paulo

Em uma semana, cinco diferentes leitores de UOL Carros flagraram um hatch compacto de cores berrantes -- amarelo ou laranja, sempre em tom de caneta marca-texto -- rodando pelos arredores de São Paulo, ora nas marginais Tietê ou Pinheiros, importantes vias rápidas da capital paulista, ora em estradas que cruzam a Grande São Paulo. Todos avistaram o subcompacto chinês JAC J2.

O carro não é de todo inédito: o JAC J2 foi exibido junto com o restante da linha chinesa na última edição do Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro de 2010, antes mesmo da marca passar a vender seus modelos "completões" no Brasil, o que só começou em março de 2011. Por que, então, ele circula camuflado?

Para chamar a atenção e mostrar que está próximo de desembarcar para valer no mercado brasileiro.

A chegada ocorre no segundo semestre, entre outubro e novembro? Ou seja, ele chega às lojas durante o Salão de São Paulo deste ano ou pouco depois. A indefinição da JAC diz respeito a algumas questões de adaptação do modelo -- assim como ocorreu com o hatch J3, a perua J6 e com o sedã médio J5, a ser mostrado em breve, o novo J2 vai mudar bastante no que diz respeito a acabamento em relação ao modelo chinês, e isso tem demandado um tempo maior de preparação.

Mas a demora na chegada diz respeito também, e principalmente, às indefinições do governo com relação ao IPI para carros importados e ao novo regime automotivo nacional. A JAC espera ser beneficiada nas negociações com o Planalto por ter anunciado a abertura de sua fábrica na Bahia. Traduzindo, Sérgio Habib confia na possibilidade da isenção da super-alíquota para seus veículos a partir de março, data esperada para o anúncio das novas regras do setor.

E isso seria fundamental para todos os modelos da marca chinesa, mas sobretudo para o pequeno J2.

CARRO DE ESTILO
Quando foi mostrado em 2010, durante o salão, o J2 era "apenas" um subcompacto com visual oriental e motor 1.0. De fato, ele era quase um Kia Picanto: com 3,53 m, poderia vir ao país equipado com motor 1.0 com câmbio manual ou com bloco 1.1 gerenciado por câmbio automático, sempre de cinco marchas. Tudo bem similar à primeira geração do Picanto.

Acontece que o Picanto mudou: cresceu, ficou encorpado, muito bem equipado e... muito mais caro, por conta do Super-IPI, que praticamente derrotou o carro coreano antes que ele pudesse partir rugindo para cima de Gol e companhia limitada.

A JAC observou o duro golpe aplicado ao Picanto e traçou sua estratégia para o J2. O primeiro passo, como dito acima, é aguardar por boas novas com relação ao imposto. O segundo, que depende totalmente da própria marca, é deixar o carrinho o mais atraente possível.

O J2 será o carro de imagem da JAC. O modelo para mostrar que os chineses podem oferecer mais que apenas preço em conta. Por conta disso, a motorização básica foi deixada de lado: quando vier, informam pessoas ligadas à JAC, o J2 vai utilizar o mesmo motor 1.3 (que a JAC insiste em dizer se tratar de um 1.4) de 108 cv, com o pacote habitual: direção hidráulica, ar, rodas de liga leve, airbag duplo, freios com ABS e EBD e sistema de som.

Com é menor e pesa menos que o J3, a motorização deve ser suficiente para transformar o J2 num foguetinho. E há ainda a possibilidade do carro passar a usar motor flex após a virada do ano -- a prioridade do novo propulsor, porém, é do carro-chefe J3. 

As cores também devem passar a imagem de um carro diferente: o vermelho apresentado em 2010 deve ser a mais "normal", já que a gama vai apostar mesmo em tons cítricos ou, no máximo, no branco, nova coqueluche automotiva.

Mas e o preço? Esta é a questão mais sensível do caso. Com o IPI, o novo Picanto começa em R$ 39.990, patamar inviável para o padrão da JAC. O J3, por sua vez, pode ser encontrado por R$ 36.900. A questão do J2, crava nosso informante, é que ele não pode ser tão caro quanto o Picanto, nem tão em conta a ponto de inviabilizar o J3, que traz o mesmo arsenal de equipamentos numa embalagem menos apertada. Algo em torno dos R$ 33 mil seria algo aceitável, mas ainda em discussão. A definição de tudo começa agora em março. Vamos conferir.

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