Com jeito de Focus grande, novo Fusion fica melhor e mais agressivo

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em Detroit (EUA)*

A Ford lotou a Joe Louis Arena, ginásio de esportes ao lado do pavilhão onde é realizado o Salão de Detroit, com jornalistas e convidados do mundo inteiro para mostrar aquele que pode ter sido o lançamento mais importante do evento: o sedã grande (médio aqui nos Estados Unidos) Fusion 2013.

A nova geração do modelo abandonou o ar de carro de moleque (que é o que ele realmente era para o americano, embora o brasileiro o enxergue -- e o compre -- como carro de luxo), cresceu em tamanho e tecnologia. A nova representação do estilo Kinetic (já em sua fase 2) deixa o Fusion mais esportivo, quase como um Focus novo (ainda não disponível no Brasil) em tamanho maior, e certamente o torna um carro mais agressivo.

A agressividade, aliás, definiu o estilo da apresentação do novo Fusion. Capitaneada por Bill Ford, bisneto do fundador e atual presidente da companhia, Alan Mullaly, o todo-poderoso executivo da marca, e Mark Fields, dirigente da Ford para as Américas e possível sucessor de Mulally, a estreia foi feita sem citar o nome do carro uma única vez. Por outro lado, os adversários Toyota Camry e Honda Accord apareciam a todo instante, sempre com alguma conotação negativa. Sobrou ainda para algumas picapes da Toyota (que surgiram cobertas pela água em uma cena de inundação na Tailândia) e outros rivais diretos, como o Hyundai Sonata.

Quando finalmente foi mostrado, e nomeado, o Fusion 2013 impressionou: baseado no conceito Evos, mostrado no Salão de Frankfurt de 2011, traz o compartimento do motor mais longo e amplo, além do capô extremamente vincado, ambos terminando na frente quase retilínea, com enorme grade em forma trapezoidal invertida seccionada pelo suporte da placa. Os faróis são estreitos, retilíneos e se estendem em direção à lateral, resultando num efeito intrigante: estão sempre visíveis por inteiro para quem observa de frente ou de perfil.

A lateral dá ao carro um estilo "acupezado", com teto em arco perfeito, quase emendando na ponta da traseira e escamoteando o terceiro volume. Atrás, as lanternas também ficaram horizontais, seguindo o padrão da nova geração do Focus sedã e imitando o comportamento dos faróis.

A tecnologia embarcada se mostra presente na abertura das portas (as teclas de senha foram trocadas por painéis sensíveis ao toque), no aperfeiçoamento do sistema Sync (comandos de multimídia, comunicação e até de controles gerais do carro por voz), na adoção de sistemas de manutenção de faixa, observação de pontos cegos e piloto automático adaptativo, motor com start/stop e dez airbags (incorporando airbag de joelho para o passageiro).

PASSAPORTE PARA O MUNDO
Além do já citado Focus, o novo Fusion lembra muito alguns modelos atuais da britânica Aston Martin. E esta europeização do carro é intencional. O novo Fusion é um carro global -- ou seja, será entregue a diferentes mercados, terá de agradar a diferentes consumidores e encarar os mais diversos concorrentes. Nos EUA, investirá de vez contra os orientais. Na Europa, será chamado de Mondeo e vai encarar melhor o Volkswagen Passat, entre outros (a atual geração do carro europeu, muito próxima visualmente, mas montada sobre outra plataforma, desaparece). E no Brasil?

Como continuará sendo fabricado no México, o novo Fusion chegará ao Brasil ainda em 2012, no segundo semestre -- até lá, a atual geração segue à venda. Antes, estreiam a nova Ranger (primeiro trismestre) e o novo EcoSport (até junho). Já o novo Focus deve ficar para depois.

No Brasil, o novo Fusion contará com duas versões, SE e Titanium, equipadas com o já conhecido motor de 2,5 litros ou com os novos EcoBoost (turbo e injeção direta) de 1,6 litro (179 cv) e 2 litros (237 cv). O V6 vai embora de vez. A configuração híbrida, com motor/gerador elétrico aliado ao motor a gasolina de 2 litros, também continuará a ser entregue.

*Viagem a convite da Anfavea

titulo-box Shopping UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos