A bordo de um R8 Spyder, o mundo muda, e você muda também

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Murilo Góes/UOL

    Gostamos de chamar a atenção, mas o Audi R8 Spyder leva tudo a outro patamar

    Gostamos de chamar a atenção, mas o Audi R8 Spyder leva tudo a outro patamar

Fãs de quadrinhos ou de filmes de ação que assistiram ao filme "Homem de Ferro 2" ficaram de queixo caído com os brinquedinhos do playboy Tony Stark  e de seu alter-ego de armadura. Para quem gosta de carros, o mocinho da história respondia por outro nome: Audi R8 Spyder, versão conversível da variante mais forte -- com motor de 5,2 litros, 10 cilindros em V e 525 cavalos de potência máxima -- do poderoso superesportivo alemão. Ambos grupos, no entanto, certamente gostariam de saber o que tais máquinas fariam numa cidade "real" como São Paulo, certo? UOL Carros pode responder o que o R8 com cobertura de lona faria: muito, muito alarde.

Após rodar por estradas da região metropolitana de São Paulo (releia aqui) e dar algumas voltinhas poderosas mas curtas pelos arredores do Pavilhão do Anhembi durante o Salão do Automóvel de São Paulo (venha novamente conosco aqui), resolvemos colocar o R8 Spyder realmente à prova. Afinal, se para alguns pode parecer suficiente andar com o cupê-conversível de 4,43 metros de comprimento, 1,9 metro de largura, 11 cm de altura livre do solo e posição de dirigir quase deitada (como nos carros de competição) apenas por estradas mais ou menos lisas e guiá-lo por trechos delimitados e cheios de segurança, para UOL Carros o desafio tinha de ser mais completo. Então, que tal encarar o trânsito pesado da metrópole, enfrentar motoristas estressados e/ou mal educados, ou passar por uma multidão de pedestres ávida por espaço livre para atravessar de uma calçada a outra? Uma aventura, certo?

Pois saiba que a tarefa não foi complicada para o supercarro de R$ 775 mil (apenas o sistema de som Bang & Olufsen, que equipa este Audi, bate fácil a casa dos R$ 10 mil). Pelo contrário, foi algo divertido e quase sempre surpreendente pelo inusitado, como mostram as belas imagens de Murilo Góes: 

ABRAM ALAS
Você, ser humano normal, pega seu carro normal, parte para o trabalho, luta para trocar de faixas, entrar na ruazinha certa que dá acesso ao prédio do escritório e ainda tem de dar a sorte de encontrar o manobrista de bom humor, ou então arcar com a tarefa de estacionar na pior vaga possível -- aquela no canto escuro e mofado do 7º subsolo. Com o R8 Spyder, as coisas são um pouco diferentes...

Na Marginal Pinheiros, uma das caóticas vias de trânsito rápido da cidade de São Paulo, encontramos corredores livres conforme sinalizávamos a intenção de mudar de faixar (sim, superesportivos também contam com comando de seta e pisca-alerta, e nós o usamos). Bastava dar seta para um lado e todos, TODOS os carros abriam caminho instantaneamente. Num dado momento, um SUV importado foi visto pelo retrovisor. Estivéssemos de Fusca, o utilitário teria ignorado nossa intenção de mudar de faixa e passado com velocidade máxima... Como não estávamos, seu motorista freou e ainda nos avisou com um lampejar de faróis que poderíamos entrar. O mesmo aconteceu no trato com ônibus e caminhões, sempre amplamente solícitos. Quase começamos a acreditar na existência de um mundo paralelo, onde todos os motoristas são cordiais.

A VERDADEIRA MÁQUINA DE "HOMEM DE FERRO 2'

De repente, porém, a volta à realidade: fomos fechados bruscamente, mas nada ocorreu graças ao também brutal poder de controle e de franagem do R8 (freios com discos gigantescos, dotados de sistemas antibloqueio, de distribuição de força e de estabilidade, suspensão magnetic ride, tração integral e sob demanda) do R8, coerente com seu poder de arrancada. Ao olharmos para o motorista causador da barbeiragem, a surpresa: seu carona estava filmando o carro e queria tomadas de outros ângulos. Nesse momento, a ficha caiu: eram muitos os que estavam filmando ou fotografando o superesportivo conversível. Alguns até pediam, com gestos ou gritos, um pouco mais de aceleração, a elevação do aerofólio (automaticamente acima dos 120 km/h ou a todo tempo através de um botão no console) ou o acionamento da capota de tecido, cujo mecanismo eletro-hidráulico permite acioná-la a velocidades de até 50 km/h com ciclo completo de curtos 19 segundos. Queriam espetáculo!

O MUNDO FICOU PARA TRÁS
Espetáculo como o que o que o R8 proporciona em ruas com semáforo, por exemplo. Mesmo sem o uso do sistema que emula uma largada de carro de corrida (veja o vídeo do piloto Mattias Ekström, nesta página) , o bólido dispara tão logo o sinal verde aparece e o pedal da direita é premido. A aceleração de 0 a 100 km/h prometida pela fábrica é de 4,1 segundos. Na prática, o quarteirão à frente passa tão rápido, e as marchas no indicador do painel sobem tão rápido, que até parece que o acelerador aciona, na verdade, um botão universal de pausa -- enquanto você avança, o mundo todo e todos os outros carros parecem ter ficado retidos no fundo de seu retrovisor.

R8 SPYDER E O PILOTO

Claro, o R8 tem seus pontos fracos, como todo herói tem sua kriptonita (ou sua falha de sistema, no caso do Iron Man): enfrentar lombadas, valas, irregularidades e entradas de garagem é algo complicado, chato e até certo ponto perigoso com um carro tão largo e tão baixo. O fato do R8 ser tão colado no chão quanto um carro de corrida também é prejudicial em época de chuva pesada, já que qualquer poça de maior volume se transforma numa ótima chance de aquaplanagem (mais uma vez, você irá agradecer por contar com a tração quattro, mesmo passando por alguns sustos). Há ainda o "revolucionário" microfone em forma de botão, aplicado sobre os cintos de segurança e ligado ao sistema de telefonia por bluetooth, que acaba não funcionando a contento. Por fim, ser sócio de um posto de combustível não parecerá má ideia, apesar de o consumo de 5 km/l de gasolina premium (e não é uma boa ideia tentar burlar o manual do proprietário e usar combustível com menos octanas) na cidade e 9 km/l na estrada não ser dos piores, considerando a presença do motorzão V10, um glutão por natureza, logo atrás do cockpit.

Concebido para enfrentar máquinas europeias de sonho, como aquelas fabricadas por Ferrari, Porsche e Lamborghini (o motor V10 utilizado pela Audi, aliás, compartilha componentes, mas não geometria interna e arranjos, com o Gallardo), o R8 Spyder mostrou que chama até mais atenção do que seus rivais ao rodar por aí. Talvez pelo fato de ainda ser raro em nossas ruas. E em nossos estacionamentos. Senão, qual a razão de sete -- sim, SETE -- manobristas se prontificarem a pará-lo num deles? Cientes de não precisariam executar seu serviço, já que o R8 não seria guardado no momento, um deles tomou coragem e pediu uma carona até o portão do estacionamento. Outros, de celular em punho, fotografavam e filmavam.

Fotos, fotos e mais fotos. Nos prédios, nas ruas, nas calçadas, na avenida Paulista, na Praça da Sé; bancários, advogados, médicos, jornalistas, comerciantes, garis e transeuntes. Quem não pediu para fazer uma imagem, perguntou como funcionava ou quanto custava, ao menos virou o pescoço até quase o torcicolo. Ver o R8 passar foi quase como avistar um ídolo. Então, anote: se quiser se candidatar a ter um, prepare não só a conta bancária. Arme o espírito e o seu melhor sorriso, pois de uma hora para outra você estará no centro de uma historinha de fantasia.

Mas não se engane: você é apenas o coadjuvante. O herói mesmo é o R8 Spyder.

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