New Fiesta 'tira onda' com sua beleza, mas brasileiros terão menos conteúdo

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em Dearborn (EUA)

Permitindo que os jornalistas de internet, categoria na qual UOL Carros se enquadra, dessem apenas duas voltas com o carro, num circuito extremamente restrito e numa sessão com duração inferior a cinco minutos dentro de uma pista de testes, a Ford fez nesta terça-feira (17), em Dearborn, nos Estados Unidos, uma apresentação voltada principalmente ao marketing (leia outras informações aqui) das supostas qualidades do New Fiesta, deixando em segundo plano a experimentação propriamente dita -- que , de nossa parte, será publicada de modo completo quando do empréstimo do modelo em solo brasileiro (aguarde, portanto, as próximas semanas).

Fotos: Divulgação
 
New Fiesta é um modelo global da Ford, mas tem conteúdos 'adaptados' a cada mercado

Uma das voltas foi num Fiesta versão SEL, a mais completa da gama norte-americana, mas inexistente no Brasil. Na seguinte, guiamos um exemplar da SE, na mesma configuração que chegará ao país. Da comparação dos dois pacotes ficou a certeza de que o consumidor verde-amarelo merecia -- mas não terá -- o melhor, embora siga pagando bastante para ter um carro zero (independentemente da marca escolhida).

As primeiras diferenças estão no exterior. O exemplar SEL ianque que testamos era pintado num amarelo bem interessante e condizente com a proposta de esportividade citada pela marca; além disso, trazia teto solar, repetidores de seta e dois nichos cromados no para-choque abrigando as luzes de neblina/posição feitas de guias de LED (como as utilizadas na lanterna traseira do Fiat Idea). Por dentro, a versão norte-americana do Fiesta sedã trazia plástico soft touch (mais suave) em boa parte do painel e comandos completos para rádio, incluindo a conexão Bluetooth para telefonia e o teclado de telefone à direita -- além de partida sem chave (com botão start/stop, como o Focus). 


Traseira alta marca o dsesenho em 'mergulho'; lanternas mudaram totalmente

A bordo do New Fiesta que chegará ao Brasil percebe-se um desnível de conteúdo, a ser justificado pela Ford com o argumento de que é melhor oferecer um preço competitivo (os iniciais R$ 49.900 e o teto de R$ 54.900) do que recheio a mais. O risco seria subir demais o preço ou apresentar problemas de durabilidade. Assim, nada de opções de personalização (como teto solar elétrico ou rodas aro 17, mais suscetíveis a problemas no asfalto brasileiro, segundo os executivos da marca), nada de LEDs (que, se viessem, estariam agregados a um pacote bem mais caro) e nem Bluetooth, que teria de vir junto com o sistemas de rádio por satélite, ausente no Brasil, e Sync (existente no sedã médio-grande Fusion e no crossover Edge), com custo alto de tradução e aplicação para um carro compacto, como explicou João Marcos Ramos, do design da filial brasileira.

Outros representantes da marca desconversam sobre a possibilidade de adoção destes recursos no futuro. Quanto às cores, existem oito diferentes à disposição do comprador, que poderá fugir dos triviais preto, prata e branco, adotando uma carroceria nas cores vermelho candy, cinza azulado, azul, verde e magenta.

A qualidade do acabamento também é reduzida no Fiesta que chega ao Brasil, algo normal numa versão básica de um modelo compacto, mas frustrante num veículo que será vendido como integrante do clube "premium", com obrigação de satisfazer a um cliente mais exigente -- aquele que compra Volkswagen Polo Sedan, Honda City e Kia Cerato, principalmente. A impressão é clara: o New Fiesta ficaria bem como substituto direto e imediato da atual do Fiesta (como é, de fato, no restante do mundo), mas passa aperto (e repassa esta restrição aos ocupantes) na disputa do subnicho com os modelos citados acima.

Além da já citada ausência de maleabilidade do plástico na maior parte da cabine, há ainda a dúvida quanto à resistência de algumas peças ao uso cotidiano, como as maçanetas internas da porta e alguns comandos do painel.

CONJUNTO ACERTADO
Ainda assim, o New Fiesta chama atenção pelo seu conjunto bem acertado, tanto no estilo quanto na aerodinâmica. Apesar de o motor Sigma "esgoelar-se" um pouco em algumas situações, mostrando que estaria melhor empregado numa ainda distante configuração hatch do que no sedã de 1.162 kg, o carro se mostrou bastante preciso nas poucas curvas que contornamos. Ponto positivo, portanto, para a direção elétrica, de ação bastante direta, e para o volante de aro pequeno, que facilita as manobras. A caixa manual também é bastante precisa em seus engates curtos e é um destaque -- mas o mundo "premium" pede uma opção automática ou automatizada.

A Ford promete uma autonomia de 574 quilômetros para o carro abastecido com 47 litros de gasolina, ou de 400 quilômetros quando o tanque estiver cheio de etanol. Mas, obviamente, não pudemos comprovar o consumo na pista.

Será, portanto, resultado do tempo (e da percepção do consumidor) a definição sobre se o New Fiesta faz mesmo parte do sub-segmento premium entre os compactos -- um ambiente de maior grau de exigência --, ou se está apenas "tirando onda" a bordo de um belo design, e correndo o risco de voltar a ser um carro compacto comum. Basicamente, um (muito melhorado) Novo Fiesta.

Viagem a convite da Ford do Brasil

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