Idea Sporting 2011 mostra que boa evolução poderia ter sido maior

Eugênio Augusto Brito
Do UOL, em Guarujá (SP)

A Fiat mostrou na última semana a reformulação do monovolume Idea, vendido desde 2005 no Brasil. Como linha 2011, o novo Idea mudou externamente para tentar fisgar compradores que habitualmente fugiriam do segmento de minivans, ao mesmo tempo em que permaneceu quase inalterado internamente, seja no ótimo espaço para condutor, passageiros e alguma carga, seja na oferta de equipamentos, nem sempre satisfatória.

E das configurações que agora compõem a gama do modelo -- são quatro opções de acabamento e três de motorização --  a estreante Sporting é talvez a mais representativa desta apresentação bipolar. Visualmente, a versão é quase sem dúvida a mais bonita da linha, sendo também a mais masculinizada: spoilers dianteiros, faróis de neblina, saias laterais, máscara negra para faróis e lanternas e rodas diferenciadas de 16 polegadas formam um complemento harmônico para a nova estética do Idea, que com este pacote realmente se mostra uma alternativa para o público mais jovem.

A mudança estética é tamanha que, desta forma, o Idea Sporting acaba fugindo do duelo previsível com Chevrolet Meriva, Nissan Livina ou similares e busca rivais em diferentes níveis. Neste novo paralelo, Honda Fit e Kia Soul (que tentam fugir da estética de minivan para cair no conceito de novos designs) entram na linha de frente, mas até confrontos inesperados podem ocorrer, como com os hatches altinhos Volkswagen Fox (a variante aventureira CrossFox já brigava com o Idea Adventure) e Chevrolet Agile. É a tal fuga do estigma de ser "carro de mãe" em operação: o Idea não quer perder este público, mas deseja avançar além deste limiar.

Um novo patamar também é almejado quando se fala em vendas: para a Fiat, o Idea 2011 tem condições de emplacar pouco mais de 2.000 unidades por mês, índice que não é muito superior à média atual (é o terceiro colocado do segmento, orbitando entre 1.800 e 1.900 emplacamentos mensais), mas que o colocaria na briga direta pela liderança dos monovolumes.

O principal obstáculo pode estar, no entanto, no interior do novo Idea, quase idêntico do do velho Idea. Se por fora há até as tecnológicas lanternas com LEDs (são três pares formando "guias de luz" verticais e outros 20 pontos das luzes de freio), também presentes nos repetidores de setas dos retrovisores, por dentro há pouco a se notar. A principal alteração está no volante, mais anatômico, mas que sequer traz comandos multifunção. Ou nos bancos, que segundo a fábrica são mais anatômicos, mas que na prática fazem motorista e demais ocupantes ficarem "sobrando" acima de sua estrutura arqueada. 

  • Divulgação

    Acima, a linha de potência (curva ascendente em forma de "morro") e do torque, mais plana, mostrando boa distribuição da força desde início do trabalho do motor E-torq

O PREÇO DA NOVIDADE
Como arauto da nova identidade, a versão Sporting deve corresponder a cerca de 10% de todos os novos Idea que você verá rodando nas ruas, estima a fabricante. Assim, fica distante da básica versão Attractive, que alia a cara renovada do modelo ao mesmo pacote do antigo Idea ELX 1.4 e deve responder por 20% das vendas, sobretudo para frotistas, e acima da versão Essence, que deve ser a nova puxadora de vendas do modelo, com  40% do total.

É também a primeira da gama a trazer de fábrica alguns itens que deveriam compor a lista básica de série do modelo: ar-condicionado, segunda marcação no computador de bordo (Computador B para a Fiat), faróis de neblina, retrovisores com ajuste elétrico e rádio/CD com MP3 só são encontrados desta versão para cima. Ainda assim, peca no quesito segurança básica, não contando com airbags frontais e freios a disco com sistema antiblocante (ABS) nas rodas dianteiras, ambos opcionais (de série, só na versão Adventure).

Assim, o Idea Sporting custa iniciais R$ 54.280, ou R$ 56.390 se contar com o câmbio automatizado Dualogic. Mas na versão testada na última sexta-feira (30) por ruas e trechos de estrada no Guarujá (SP), que pode ser vista nas fotos que ilustram estra reportagem, o preço salta a exorbitantes R$ 69.667. A "culpa" é dos R$ 975 da cor azul Trinidad e dos mais de R$ 14.400 em itens opcionais: revestimento de couro para os bancos, sensores de chuva, luminosidade, de estacionamento e do retrovisor antiofuscante eletrônico (eletrocrômico), rádio/CD/MP3 integrado ao sistema Bluetooth para telefones e às entradas USB/iPod, subwoofer no porta-malas, vidros elétricos traseiros, o belo teto panorâmico Skydome (dividido em duas lâminas de vidro e que elimina o feioso console superior, bem como o maternal espelinho retrovisor secundário), além de ABS, airbags frontais e laterais e parafusos antifurto nas rodas.

E para quem está pensando no custo pós-venda das lanternas de LEDs, os executivos da Fiat afirmam que, apesar de mais caras, elas não aumentam consideravelmente a despesa de manutenção: embora um conjunto custe R$ 280 contra R$ 220 das lanternas convencionais, os diodos emissores de luz são mais resistentes a impactos e vibrações, bem como mais econômicos no consumo de energia. Há ainda o alardeado tempo de resposta menor entre o pisar no pedal de freio e o acender das luzes, mas a percepção desta diferença é algo para poucos.   

  • Murilo Góes/UOL

    Esta é a traseira do novo Idea Sporting: frisos prata seguem pela tampa e "guias de luz" de LEDs cumprem sua função fazendo o carro aparecer mesmo durante o dia

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Rodando pouco mais de cem quilômetros com o novo Idea, é possível ter uma certeza: ao volante, nada mudou. O espaço para todos os ocupantes segue excelente -- com o banco do motorista regulado em distância e altura para o 1,80 m deste repórter, o banco de trás ainda permitia que outro ocupante da mesma altura ficasse de pernas estendidas e bem longe de tocar com a cabeça no forro do teto.

Inversamente, porém, a ausência de ajuste em profundidade para o volante (segue sendo apenas em altura) ou a inexistência do cinto de três pontos para o ocupante do meio no banco traseiro (a Fiat diz que a alteração de projeto e os custos seriam drásticos demais) seguem como faltas inexplicáveis para o grau de acolhida do modelo.

O mesmo, aliás, pode ser dito do acabamento, que se mantém -- tristemente -- abaixo do esperado, sobretudo em um carro de mais de R$ 50 mil (e que pode beirar os R$ 70 mil). O painel ainda é aquele do Palio de quase seis anos atrás, com emendas que parecem ter sido feitas às pressas. O resultado, no Idea Sporting com o avançado teto Skydome é constrastante, para dizer o mínimo: você fica maravilhado com o céu acima, mas fecha o rosto ao olhar para baixo. Há ainda o ar-condicionado com saídas baixas demais, que vão fazer seu estômago gelar enquanto sua cabeça seguirá quente (a Fiat ampliou a vazão em 38%, mas não mexeu um milímetro no posicionamento das peças).

De toda forma, o Idea surpreende por sua força ao rodar com o novo motor E-torq de 1,8 litro, que gera até 132 cv de potência máxima e torque de 18,9 kgfm a 4.500 giros, sempre com etanol. Se o carro pouco tem de esportivo mecanicamente falando, o "torcudo" motor entrega sua força máxima logo cedo -- desde as 1.500 rpm cerca de 80% da força já está disponível --  e garante ao monovolume arrancadas e retomadas vigorosas. Tanto que, por vezes, você tende a achar que o motor está sobrando para o que o carro permite fazer.

Isso porque com a estrutura de monovolume, mais alto que largo, o Idea tende a se portar de modo instável em curvas feitas com mais ímpeto, impressão em parte reforçada pelos pneus aro 16 195/55, pequenos e estreitos para o conjunto. E será difícil segurar o ímpeto de se pisar até o fim do acelerador com a disposição demonstrada pelo novo motor. Assim, o consumo até que se mostrou razoável: ao final do percurso, com mescla de trechos urbanos e rodoviários e até trânsito pesado, a média de consumo registrada pelo computador ficou em 7,5 km/l, pouco abaixo do índice de 7,8 km/l apontados pela fábrica como ideal para o regime em cidade.

Viagem a convite da Fiat

 

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