Land Rover apresenta versão diesel do Range Rover com motor 4.4 V8 de 313 cv

Da AutoPress
Especial para o UOL

Porto/Portugal -- Modelo que lançou mundialmente o conceito de utilitário esportivo de luxo, atualmente tão em moda, o Range Rover completou 40 anos no dia 17 de junho. Mas, com vendas globais ascendentes e fãs espalhados por todo o mundo, passa longe de qualquer crise de meia-idade. Parte dos festejos ocorreu no norte de Portugal, entre o Porto e a região de Trás-Os-Montes. Lá foi o local escolhido pela Land Rover para apresentar à imprensa especializada internacional uma nova motorização diesel 4.4 TDV8 para a Range Rover 2011. O novo modelo chega ao mercado europeu ainda esse mês e em outubro ao Brasil, após o Salão de São Paulo.

O fato de ser apenas a terceira geração do Range Rover em 40 anos de existência deixa claro que o consumidor de utilitários de luxo não é apegado a novidades -- pelo menos em termos estéticos. O estilo sóbrio é basicamente o mesmo apresentado em 2001, quando a segunda geração deixou de ser produzida -- a primeira durou 25 anos, de 1970 a 1995. Para atenuar o processo de envelhecimento do modelo, ligeiras modificações estéticas e mecânicas são introduzidas em intervalos mais curtos, no que a Land Rover chama de fases. Assim, o modelo 2011 apresentado em Portugal é a fase cinco da terceira geração. Por fora, em relação à fase quatro, essa quinta etapa trouxe apenas duas novas opções de cores, novo para-choque dianteiro com luzes de neblina integradas, para-choque traseiro redesenhado e cano de descarga em aço inox. As novas rodas de 19 polegadas reforçam a esportividade.

FICHA TÉCNICA
Land Rover Range Rover 4.4 TDV8
Vogue SE

Motor: Diesel, dianteiro, longitudinal, 4.367 cm³, oito cilindros em V, duplo comando no cabeçote e quatro válvulas por cilindro, com dois turbocompressores sequenciais em paralelo.
Transmissão: Câmbio automático com oito marchas à frente e uma a ré, com seletor circular no console central e possibilidade de acionamento manual por meio de Command Shift no volante. Tração permanente nas quatro rodas. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 313 cv a 4.000 rpm.
Torque máximo: 71,3 kgfm entre 1.500 e 3.000 rpm.
Diâmetro e curso: 84 mm X 98,5 mm. Taxa de compressão: 16,1:1.
Suspensão: Pneumática de altura variável. Dianteira independente do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos. Traseira pneumática do tipo Double Wishbone, com duplo trapézio e amortecedores hidráulicos. Oferece controles eletrônicos de altura e de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na frente e atrás com seis pistões. Assistidos por ABS, ETC, DSC, HDC, EBD e EBA.
Pneus: 255/60 R19 em rodas de liga leve.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com três subchassis em aço, com quatro portas e cinco lugares. 4,97 metros de comprimento, 2,21 metros de largura, 1,86 metro de altura e 2,88 metros de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cabeça de série.
Porta-malas: 994 litros e 2.099 litros (com o banco traseiro rebatido).
Peso: 2.580 kg em ordem de marcha, com 620 kg de carga útil.
Tanque: 97 litros.

No interior, as mudanças foram mais consistentes, muito além das novas padronagens e revestimentos. A alavanca de câmbio foi abolida. No console central fica o seletor de marchas rotativo -- um grande botão prateado circular onde é possível escolher entre as indefectíveis opções Parking, Reverse, Neutral, Drive e Sport. O acionamento manual pode ser feito unicamente através dos Command Shift no volante, as tradicionais borboletas. Logo abaixo desse botão circular do câmbio ficam os redesenhados comandos do já conhecido Terrain Response, uma série de dispositivos que permite que o veículo se adapte ao asfalto ou aos diversos gêneros de off-road -- neve/lama, água, areia ou pedras. Ali é possível escolher também entre tração integral ou integral reduzida e entre suspensão normal ou elevada. Para melhorar o conforto dos passageiros, os bancos traseiros passaram a ser reclináveis e os vidros traseiros foram escurecidos.

Mas a grande novidade do Range Rover 2011 é justamente esse novo propulsor diesel TDV8 de 4,4 litros, que substitui o antigo V8 de 3.6 litros de 272 cv -- os motores a gasolina 5.0 e 5.0 turbo, com respectivos 374 e 510 cv, são os mesmos da fase quatro. Com dois turbocompressores sequenciais, esse moderno propulsor diesel fornece 313 cv -- um aumento de 15,1% em relação ao 3,6 litros anterior -- em 4.000 rpm e um brutal torque de 71,3 kgfm entre 1.500 e 3.000 rpm. Segundo a marca, com esse motor, o modelo de 2.580 kg faz de zero a 100 km/h em 7,8 segundos e atinge a velocidade máxima de 210 km/h. Além de mais forte, a Land Rover garante que o novo propulsor consome menos -- falam em 10,6 km/l de diesel em circuito combinado -- e é menos poluente que o anterior -- emissão de CO2 na casa dos 253 g/km, 14% menos que a antiga motorização 3.6 litros.

Parte desse desempenho se deve à novíssima e moderna transmissão automática ZF de oito velocidades, com opção de acionamento das marchas através das borboletas no volante e relações mais estreitas que a caixa anterior, de seis marchas. Trata-se da primeira caixa de oito velocidades instalada em um Land Rover. Segundo a marca, o novo sistema colabora com o melhor desempenho, por fazer trocas em 200 milissegundos, e com a redução do consumo e emissões. Nas opções à gasolina, permanece o câmbio automático de seis marchas.

A previsão é que o preço do novo Range Rover TDV8 4.4 diesel chegue ao Brasil -- apenas na versão top Vogue SE -- bem acima da 3.6 diesel, vendida por R$ 376.633. A previsão é de custe algo próximo aos R$ 450 mil, um valor inegavelmente salgado. Mas é um gênero de carro que atende um público para o qual o preço é apenas um detalhe, muitas vezes, de menor importância. (por Luiz Humberto Monteiro Pereira)

IMPRESSÕES AO DIRIGIR

"Quem não tem competência não se estabelece". Esse antigo ditado lusitano poderia ser usado para explicar o prestígio mundial aparentemente inabalável da Range Rover, que acaba de completar 40 anos. E foi justamente em Portugal, na região de produção vinícola batizada de Douro Vinhateiro, que a Land Rover resolveu apresentar a nova Range Rover 2011 diesel 4.4 TDV8. Em um circuito de dois dias com mais de 350 quilômetros de asfalto -- do litoral português aos confins de Trás-Os-Montes -- e um pequeno mas divertido trecho de off-road radical na região de Murça, a nova Range teve bastante chance de exibir toda a sua competência.

Com seus 313 cv e respeitáveis 71,3 kgfm de torque entre 1.500 e 3.000 rpm, o Range Rover está bem equipado para cumprir todas as suas propostas. Não foi possível acelerar acima dos 180 km/h nas estradas onde foi realizada a avaliação, mas a marca inglesa informa que a máxima é de 210 km/h. Pelo comportamento do carro, dá para acreditar. Para ajudar a deter tanto ímpeto, os freios a disco Brembo são os mesmos da versão a gasolina de 510 cv. E, para parar com segurança tanto no asfalto quando nas trilhas, conta ainda com ajuda não só do óbvio ABS como também de sistemas mais sofisticados, como Eletronic Tracion Control, Dynamic Stability Control, Hill Descent Control, Eletronic Brakeforce Distribuition e Emergence Brake Assist. Um time de parceiros de peso.

Estradas bem asfaltadas e a bela vista do entorno do rio Douro permitem um belo passeio. E sistemas como as câmaras traseiras para auxiliar as manobras de estacionamento ou o eficiente GPS integrado ao painel, entre outros, também ajudam a tornar a vida mais mansa e confortável. Mas um teste com um Range Rover seria incompleto sem um trajeto de off-road bem “cascudo”. E quem tem a oportunidade de dirigir o modelo num circuito de off-road radical sai acreditando que dessa vez os ingleses pensaram em tudo. Para cada gênero de obstáculo que aparecia pela frente, a equipe de técnicos da marca surgia na janela do carro para mostrar uma solução.

Na região montanhosa na periferia da cidade de Murça -- terra do famoso vinho Porca de Murça --, foi possível atravessar riachos pedregosos, subir através de pedras limosas, atravessar valões tenebrosos e ultrapassar lamaçais sinistros. E o Range Rover realizou todo o percurso de forma absolutamente tranquila, sem sustos e sem perder a fleuma tão típica dos britânicos. E ainda filtra de forma quase sempre eficiente os buracos que encontra, sem sacolejar em exagero. Um desempenho realmente impressionante. A atuação dos diversos sistemas eletrônicos funcionou de forma perfeita. Bom para a Land Rover e também para a saúde de quem estava a bordo, já que em algumas ocasiões qualquer falha poderia trazer consequências funestas.

Infelizmente, nem todos estão na faixa sócio-econômica habilitada a frequentar carros desse calibre. É um veículo destinado aos muito ricos. "Quem aos porcos se mistura, farelos come", ensina outro velho ditado português. Ou seja, talvez a solução seja procurar melhores companhias. (por Luiz Humberto Monteiro Pereira)

 



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