Após 1.300 km, Honda PCX vai bem na cidade e em viagens curtas

Cicero Lima

Da Infomoto

Os scooters são práticos, econômicos e divertidos no uso urbano. Sua proposta, entretanto, é quase exclusivamente para rodar na cidade. Mas e se o dono também precisar viajar, o modelo tem condições de dar conta do recado?

Infomoto resolveu testar as capacidades do líder do segmento de scooters pequenos, Honda PCX DLX (R$ 9.423), em uma viagem de 1.300 km entre São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS). A conclusão: é possível percorrer qualquer distância com o modelo, sem dúvidas, mas o motociclista precisa tomar cuidados especiais: o equipamento vai operar muito perto de seus próprios limites.

Ricardo Jaeger/Infomoto
Proposta do PCX é predominantemente urbana: modelo é leve, ágil e tem bom torque para arrancar antes dos carros nas saídas de semáforo
Ótimo para trechos curtos

Lançado em maio de 2013, o Honda PCX atingiu 19.560 mil unidades emplacadas em 2014, quase o dobro do segundo colocado no ranking, Honda Lead 110 (10.137 unidades).

Há três grandes atrativos para seu sucesso: o primeiro é a combinação de bom torque do motor de 150 cc -- são 1,41 kgfm, entregues a 5.250 rpm -- com o câmbio CVT, que permite a ele largar na frente dos carros nas saídas de semáforo; o segundo é seu perfil esguio, que confere agilidade na hora de encarar o trânsito pesado das grandes cidades; o teceiro é o excelente consumo de combustível, que chega a 35 km/l.

Engana-se quem pensa que donos de scooter só o utilizam dentro de perímetros urbanos. Durante a longa viagem, nossa reportagem encontrou vários motociclistas andando em rodovias. A grande maioria percorria trechos curtos entre duas cidades vizinhas, algo recorrente fora das grandes metrópoles.

O motivo para isso: um scooter é prático e muito econômico. Tome como exemplo os municípios catarinenses de Sombrio e Araranguá: para ir de um a outro de ônibus, num trajeto de 25 quilômetros, o passageiro vai pagar R$ 9,11 e demorar 40 minutos. De PCX, o mesmo trajeto é percorrido na metade do tempo e custará, em médis, R$ 3 de combustível.

Ficha técnica - Honda PCX DLX:

  • Preço: R$ 9.423
  • Motor: monocilíndrico de 153 cm³;  quatro tempos; arrefecimento líquido
  • Potência: 13,6 cv (a 8.500 rpm)
  • Torque: 1,41 kgfm (a 5.250 rpm) 
  • Câmbio: CVT
  • Dimensões: 1.917 mm (c) x 738 mm (l) x 1.094 mm (a)
  • Peso: 124 kg (a seco)
  • Tanque de combustível: 5,9 litros 
    Ricardo Jaeger/Infomoto
    Autonomia de um scooter é ruim para viagens longas: dificilmente passa dos 200 km; por isso, planeje um roteiro que tenha postos de combustível sempre por perto

Limitações nos percursos longos

O primeiro ponto para se pegar a estrada sem riscos de ser um estorvo para o restante do fluxo é ter potência, algo que que o PCX entrega de forma modesta: 13,6 cv (a 8.500 rpm), com máxima de 120 km/h. É suficiente para os limites de velocidade das principais rodovias brasileiras, mas atenção: a velocidade de cruzeiro mais adequada para não sobrecarregar motor e ciclística fica em torno de 90 km/h.

Em função de andar quase sempre perto de seus próprios limites, o PCX perde eficiência em consumo, embora ainda consiga manter média de 30 km/l. Como o tanque tem capacidade para 5,9 litros, a autonomia é muito pequena, de aproximadamente 180 quilômetros. Portanto, em viagens mais longas, é importante planejar bem o roteiro e ficar atento às distâncias entre os postos.

As rodas de 14 polegadas até convivem bem com ruas esburacadas, mas o curso limitado da suspensão traseira bichoque (85 mm) não permite exageros: ele acusa fim de curso e causa impactos desconfortáveis o tempo todo, principalmente para o garupa. Já o conjunto dianteiro, com garfo telescópico convencional, oferece curso de 100 mm e dá conta do recado.

Os freios merecem elogios. Embora o scooter ainda use tambor na roda traseira, o sistema de freios combinados, que distribui a frenagem mesmo quando o piloto aciona só o manete traseiro, proporciona frenagens controladas e bastante eficazes. Faz falta um freio de estacionamento, porém: apesar de leve (124 quilos), o PCX exige esforço para destravar o cavalete central, ou que o condutor passe mais tempo manobrando até achar uma posição favorável para estacionar em uma ladeira.

O banco largo e a posição de pilotagem relaxada, como se estivesse sentado em uma cadeira, são fatores positivos para uso em qualquer situação. Dificultam, entretanto, a vida de motociclistas mais baixinhos, que encontram dificuldades para apoiar os pés no chão. 

Ricardo Jaeger/Infomoto
Quer viajar com um PCX? Compre acessórios para aumentar sua capacidade de carga, ou contente-se com espaço para guardar apenas um capacete

Conclusão

Vale lembrar, ainda, que é preciso investir na compra de certos acessórios para deixar o PCX mais preparada para a estrada: um para-brisa maior (para se proteger contra vento, chuva e sujeiras), e um baú (bauleto) para aumentar sua capacidade de carga -- sob o banco até cabe um capacete fechado, mas fica faltando espaço para capa de chuva, galochas e outros equipamentos.

De qualquer forma, ao final da viagem, o PCX mostrou que, se o motociclista tiver experiência e souber respeitar seus limites, é capaz de levá-lo a qualquer lugar.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos