Luta do motociclista contra chuva tem gambiarra e até scooter-carro

Cicero Lima

Colaboração para o UOL

Além da versatilidade, um dos apelos da motocicleta está na liberdade romântica de se desfrutar do vento no rosto e do sol na pele. Na vida real, porém, alguns desses fatores podem infernizar a vida de muito motociclistas. Oferecer proteção contra a chuva, o frio e outras intempéries é uma busca constante de grandes fabricantes e também pequenos inventores, que criam diversas soluções -- mas também inúmeras gambiarras, como saco plástico na cabeça e capotas adaptáveis.

Mohammed Abed/AFP
Capas de chuva e roupas impermeáveis são soluções comerciais acessíveis, mas há quem prefira apelar ao saco plástico aberto sobre a cabeça
Um bom exemplo vem da Índia. O país tem nas chuvas de monções uma característica peculiar que afeta a vida dos moradores do Noroeste do país -- o índice pluviométrico por lá atinge 10.000 mm, por ano, enquanto na região Sudeste do Brasil fica em 1.500 mm por ano.

Para solucionar o problema de forma prática e barata, quatro jovens desenvolveram uma cobertura que lembra uma barraca das mais baratas e que deve ser fixada à moto. Este projeto é chamado "Roof For Two", ou "telhado para dois" na tradução.

Na Espanha, a empresa AMR oferece a capota da marca Bubble. Confeccionada em fibra de vidro, pode ser instalada e retirada do scooter de forma simples, "sem o uso de ferramentas", segundo a fabricante.

Precisou apelar ao saco plástico? Atenção: no Brasil, existem diversas opções de capas e roupas emborrachadas específicas para motociclistas. De toda forma, se você se deparar com uma situação inusitada, tenha em mente que embora não haja nada sobre o assunto no Código Brasileiro de Trânsito, a resolução 203/06 do Contran, de setembro de 2006, determina que o capacete deve ser usado em qualquer situação e que a visibilidade não pode ser prejudicada.

A interpretação fica a cargo da autoridade de trânsito, uma vez que o texto da resolução fala apenas sobre a viseira (a "janela" do capacete), que precisa estar totalmente fechada e deve ser transparente -- se for espelhada ou escurecida, só pode ser usada durante o dia, jamais à noite. Assim, voltando ao saco plástico, abra-o de forma a livrar totalmente a visibilidade à frente do capacete. 

Divulgação
C1: pilotagem de moto com para-brisa, teto, banco e cinto de segurança de carro

Sem adaptações

Mais sofisticado, o scooter alemão BMW C1 prometia a revolucionária versatilidade da moto com a segurança do carro. O piloto era dispensado do uso do capacete, porém deveria usar cinto de segurança.

Submetido a testes de impactos, mostrou ser tão seguro quanto um carro popular. Lançado em 2001 teve vida curta, porém, durando apenas dois anos no mercado. Pouquíssimas unidades desembarcaram no Brasil.

Aliás, a tentativa da BMW não foi novidade. Na Inglaterra, entre 1975 e 1982, era possível comprar o Quasar. O modelo usava diversas motos como base, desde a Honda VFR 750 até a Kawasaki Z 1300. Ainda hoje, entusiastas que se reúnem para falar da paixão pelo excêntrico modelo, um avô do BMW C1.

Reprodução
Proprietários do Quasar ainda se reúnem e trocam experiência no Reino Unido

Cicero Lima é especialista em motos e sabe como se proteger

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