Crise bomba moto usada, que vende o dobro em relação à 0 km

Aldo Tizzani

Da Infomoto

  • Isadora Brant/Folhapress

    Consumidor olha loja de motos usadas e peças no centro de São Paulo (SP)

    Consumidor olha loja de motos usadas e peças no centro de São Paulo (SP)

Atualmente, para cada motocicleta nova emplacada no Brasil, outras duas usadas são negociadas. Os dados são da Fenabrave (associação dos concessionários): no primeiro bimestre de 2015, enquanto o país emplacou 202.435 motos zero quilômetro, outras 408.650 unidades que já estavam em circulação trocaram de dono. 

A proporção já havia sido observada no ano passado, quando as lojas independentes negociaram 2.805.976 motocicletas, contra 1.429.902 comercializadas por concessionárias de novas.

Para Alarico Assumpção Jr., presidente Fenabrave, o fenômeno se justifica pela maior flexibilidade nas negociações entre consumidor e lojista.  "Como a relação interpessoal é mais próxima, especialmente em estabelecimentos menores, há certa flexibilização no acordo, como entrada parcelada, por exemplo", explicou.

Isso explica por que, apesar do ano difícil, com previsão de vendas um pouco abaixo de 2014, o mercado de usadas segue em bom ritmo, com crescimento de quase 10% de 2013 para o ano passado.

Outro ponto, segundo o executivo, é que os consumidores estão usando mais recursos da carta de crédito dos consórcios para adquirir motos seminovas. "Em vez de uma moto nova, algumas pessoas preferem comprar uma usada e usar o dinheiro que economizaram para pagar dívidas", observou.

Setor de motopeças agradece

Quem está satisfeito com esse crescimento são os fabricantes de motopeças, já que muitos compradores de motos usadas investem em revisões para deixar sua companheira em perfeitas condições de uso. 

Apu Gomes/Folhapress
Procura por revisão de motos usadas à venda e a tão criticada alta do dólar estão ajudando setor de motopeças a encarar desacelaração da economia
"Apesar de todas as dificuldades e incertezas do cenário político-econômico, o setor tem se demonstrado firme, com previsão de crescimento na ordem de 10% para este ano", previu Orlando Leone, presidente da Anfamoto (associação dos fabricantes de motopeças).

Ainda segundo Leone, a alta do dólar, tão criticada pelos brasileiros, pode ser outro fator favorável para encarar o momento de crise. "A alta da moeda americana prejudica o comércio de peças importadas aqui, mas favorece a venda dos nossos produtos lá fora. É possível que ela amenize um pouco os efeitos desfavoráveis da economia", concluiu.

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