KTM Duke 390, R$ 25 mil, começa a ser feita no Brasil para peitar CB 500F

Arthur Caldeira

Da Infomoto, em Bancoc (Tailândia)

Talvez seja exagero dizer que a KTM Duke 390, que desembarca no Brasil em maio, seja a motocicleta que faltava em nosso mercado. Entretanto, é inegável que a naked média austríaca, que será montada em Manaus (AM), chega para preencher uma lacuna entre modelos de 250/300 cc e 500cc. Qualidades para isso não faltam. O conjunto tem especificações dignas de máquinas maiores, incluindo tecnologias como sistema ABS (antitravamento) nos freios.

O impacto que a Duke 390 poderá causar no segmento vai depender do preço final. O certo seria posicioná-la acima de Kawasaki Ninja 300 (R$ 21.990) e abaixo de Honda CB 500F (R$ 24.625), mas fontes já afirmaram à Infomoto que a Duke deve custar entre R$ 23 mil e R$ 25 mil, um pouco acima do ideal. Ela será vendida nas cores branca e preta, e tem chegada às lojas KTM e Dafra prevista para junho.

Enquanto os consumidores esperam, nossa reportagem foi à Tailândia conhecer toda a família Duke, que, além da 390, também terá os modelos 200 e 1290R comercializados (e produzidos) aqui.

Leve e potente

A Duke 390 não nega os genes da família: é uma motocicleta descarenada, leve, ágil e com torque de sobra. O visual, marcado por linhas angulosas e farol alongado, também segue a identidade das "irmãs", incluindo motor e quadro em treliça aparentes.

Em teste pelas estradas do Parque Nacional Khao Yai, a 200 quilômetros da capital Bancoc, foi possível sentir todo o estilo, leveza e ergonomia da Duke 390: pernas ficam bem encaixadas; pés alcançam facilmente o solo -- o banco fica só a 80 cm do chão; o guidão, em alumínio, é largo e deixa os cotovelos em boa posição para "atacar" as curvas; a posição levemente inclinada de tronco os joelhos pouco flexionados completam a posição de pilotagem, típica de uma naked. 

Ao compartilhar o quadro de treliça com a irmã menor Duke 200, a 390 consegue pesar meros 139 kg a seco. Com isso, faz os 44 cv gerados pelo motor monocilíndrico de 373 cm³ renderem uma relação peso/potência de 3,15 kg/cv. É mais do que a Honda CB 500F, por exemplo, que gera 50,4 cv, mas pesa 41 kg a mais. A embreagem, segundo promessa da KTM -- já que as unidades testadas ainda não tinham essa tecnologia -- será deslizante nas unidades montadas no Brasil.

FICHA TÉCNICA - KTM 390 DUKE

  • Preço estimado: R$ 25.000
  • Motor: monocilíndrico de 373,2 cm³; 4V; DOHC; refrigeração líquida 
  • Potência: 44 cv (a 9.500 rpm)
  • Torque: 3,57 kgfm (a 7.250 rpm)
  • Câmbio: seis marchas
  • Dimensões: 2.145 mm (c) x 760 mm (l); altura não disponível
  • Peso: 139 kg (a seco)
  • Tanque de combustível: 11 litros

Ágil e esperta

Além de ter um ronco gostoso, a Duke 390 vibra como qualquer motocicleta monocilíndrica. Os engates do câmbio são macios, e o torque em baixas rotações impressiona. As marchas têm relação longa, mas não falta força para o motor empurrar uma naked tão leve.

As mudanças de direção são tão rápidas e simples de executar quanto as de uma moto de menor porte, e as suspensões -- garfo invertido com tubos de 43 mm na dianteira; monoamortecedor fixado diretamente na balança traseira -- estão acertadas para mesclar conforto e rigidez, apesar de não oferecer ajustes. O resultado é uma ciclística que transmite segurança para inclinar bastante nas curvas, mesmo as mais fechadas.

Em outro teste, dessa vez no autódromo de Bonanza, também na Tailândia, a Duke 390 mostrou que também possui caráter esportivo: as rodas de liga leve de 17 polegadas, calçadas com pneus Pirelli Diablo Rosso II, permitiram deitá-la nas curvas até as pedaleiras rasparem no asfalto.

Na pista fechada, aceleração e frenagem responderam com extrema eficiência, especialmente os freios, que chegam a ser superdimensionados para o porte do modelo -- disco de 300 mm e pinça de fixação radial com quatro pistões na dianteira; disco de 230 mm com pinça flutuante de um pistão na traseira. A resposta desse conjunto é imediata, mas não assusta, e o auxílio do ABS de dois canais da Bosch (desligável por meio de botão) garante segurança em situações de exagero.

Conclusão

Peso e dimensões são de modelos menores, mas o desempenho é digno de motos mais robustas. Com essa "equação", mais o bom pacote de equipamentos (como painel totalmente digital), a Duke 390 se mostrou uma grande moto. O consumo do motor também agradou, registrando 21 km/l no computador de bordo a um bom ritmo na estrada.

De nada valerão todos esses predicados se o preço ficar muito acima do praticado em outros mercados. Na Europa, a naked está acertadamente posicionada entre Ninja 300 e CB 500F. Se a mesma estratégia for adotada no Brasil e o volume de produção atender à demanda (incluindo o pós-venda), a Duke 390 tem tudo para repetir aqui o sucesso que tem feito em outros mercados.

Viagem a convite da KTM.

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