Triumph Thunderbird Commander é "grandalhona" ágil

Arthur Caldeira

Da Infomoto

Desenho longo e baixo, muitos cromados, visual clássico e um enorme motor V2 costumam ser os ingredientes de uma clássica cruiser americana. Para criar a Thunderbird Commander, a Triumph acrescentou uma boa dose de "molho inglês" à receita. Em vez de cilindros em "V", a montadora adotou um propulsor bicilíndrico paralelo de 1.700 cc.

Importada da Inglaterra, a Commander carrega uma bela etiqueta de preço: R$ 53.990. O visual, marcado pelo grande tanque de combustível, guidão largo, ponteiras de escapamento cromadas e conjunto óptico formado por dois eficientes faróis, é imponente. Também chama a atenção o acabamento: cromados reluzentes, pintura de alta qualidade e muito cuidado em detalhes como fiação bem organizada e tampas do motor com o nome do modelo. Tudo bem ao gosto do consumidor das motos "americanas".

Ao trazer este modelo ao Brasil -- e também a Thunderbird Storm, configuração com visual de moto personalizada --, o objetivo é claro: conquistar parte de um segmento dominado amplamente pela Harley-Davidson. 

Mario Villaescusa
Thunderbird Commander é uma moto surpreendentemente ágil para seu tamanho
MOTO DE PORTE E DESEMPENHO
Quando se monta na Commander, tem-se total noção de como ela é uma moto grande. São 348 kg de peso em ordem de marcha, espalhados por mais de 2,4 metros de comprimento. Para aumentar a sensação de controle ao piloto, a marca projetou o banco a apenas 70 cm do solo, e guidão em formato popularmente chamado de "chifre de touro".

Como em toda Triumph, é preciso apertar o manete de embreagem para dar partida. O motor, de refrigeração líquida, acorda rapidamente e emite um barulho ritmado, característico de sua arquitetura. A embreagem é surpreendentemente leve, e o câmbio tem engates suaves e precisos.

O propulsor apresenta torque abundante (15,4 kgfm, a 3.550 rpm), potência suficiente para manter boa velocidade de cruzeiro (93,8 cv, a 5.400 giros) e pouca vibração. Faz falta apenas um conta-giros, inexistente no painel de instrumentos. Nele constam só velocímetro, marcador de combustível (ambos analógicos) e uma pequena tela digital com relógio, dados de autonomia e dois hodômetros parciais.

Mario Villaescusa
Com bordas cromadas, quadro de instrumentos é elegante, porém básico: não há nem conta-giros
BOA MISTURA
A Commander não é simplesmente uma cruiser americana feita por fabricante britânica. Montada sobre um quadro tubular de aço com motor integrado, possui boa dirigibilidade e distribuição de peso. Manobrá-la, mesmo em baixas velocidades, não chega a ser uma tarefa fácil, porém é bem mais simples do que seu tamanho faz imaginar.

O conjunto de suspensões -- garfo telescópico convencional de 120 mm de curso na dianteira; balança com dois amortecedores, ajuste na pré-carga da mola e curso de 108,5 mm na traseira --, é bem acertado para o conforto do piloto, mesmo em pisos mais ondulados e lombadas. Ajudam nessa tarefa os altos e largos pneus Metzeler, montados em rodas de liga leve de 17 polegadas. É um diferencial no segmento.

A boa desenvoltura continua a aparecer em estradas sinuosas. Não chega a ser como a de uma esportiva, óbvio, mas torna possível contornar curvas com boa velocidade e bastante confiança. Prevendo que as pedaleiras raspassem no chão, inclusive, a Triumph adotou placas substituíveis sob as plataformas.

Os freios -- discos duplos dianteiros flutuantes de 310 mm, mordidos por pinças de quatro pistões, e disco único traseiro de mesmo tamanho, com pinça de pistão duplo -- também se mostraram eficazes no trabalho de parar a "grandalhona". O sistema ABS (antitravamento), de série, também funcionou bem, especialmente sobre piso molhado. 

Mario Villaescusa
Motor com dois cilindros paralelos de 1.700 cc é "molho inglês" em receita americana
Para completar, a Commander é extremamente confortável: o banco oferece generosa espuma e um útil apoio lombar para o piloto; o guidão curvado para trás deixa braços e tronco em uma posição natural; e as pedaleiras fornecem bom apoio para os pés. Nessa configuração, dá para rodar vários quilômetros sem cansar. Além disso, o tanque de 22 litros proporciona autonomia de mais de 400 km, já que o consumo médio se aproxima de 20 km/l. Claro que falta proteção aerodinâmica em velocidades mais altas, assim como espaço para bagagem. Para isso, há uma extensa lista de acessórios, embora os preços estejam longe de ser baixos.

CONCLUSÃO
Com muitas qualidades, a Commander cumpre bem sua proposta. O preço assusta um pouco, especialmente por ser equivalente ao da Harley Fat Boy, bem mais famosa. Mas, se você não for "harleiro" fervoroso e busca uma cruiser diferente, bem acabada, confortável e com porte imponente, este modelo da Triumph tem que estar em sua lista de opções.

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