Honda XRE 300 vira primeiro passo para quem quer sair das populares

Arthur Caldeira

Da Infomoto

  • Mario Villaescusa/UOL

    Honda XRE 300 em 2014 ultrapassou a "irmã" CB 300R em vendas pela primeira vez

    Honda XRE 300 em 2014 ultrapassou a "irmã" CB 300R em vendas pela primeira vez

Modelos do segmento off-road têm conquistado a preferência do motociclista brasileiro nos últimos anos. Mais versáteis, já que podem enfrentar tanto estradas de terra quanto ruas asfaltadas, essas motos denominadas "trail" têm acumulado bons resultados de vendas e superado até nakeds em alguns casos, como o da família 300 da Honda.

Em 2014, pela primeira vez desde que foi lançada, há cinco anos, a XRE 300 superou sua irmã CB 300R em vendas: foram 37.156 unidades da aventureira emplacadas no ano passado, contra 34.189 da naked.

Segunda colocada no segmento, a XRE ocupou também a oitava posição de motocicleta mais vendida do país, ficando atrás, claro, de motos menores (a maioria até 150 cc). Este é um indício de que motociclistas que "sobem" de cilindrada estão buscando a versatilidade e robustez dos modelos de uso misto. Para 2015, a XRE passa a oferecer a versão "Rally", que adotou grafismos em homenagem à equipe Honda de provas offroad. A nova configuração traz para-lama dianteiro injetado na cor vermelha, assim como o banco.

CONFORTO
Dotada de suspensões de longo curso, rodas grandes (21 polegadas na frente; 18 atrás) e pneus de uso misto, a XRE foi lançada em 2009 e passou por uma reformulação em 2013, quando recebeu um facelift, ganhou o motor bicombustível e um tanque maior. Com os 13,6 litros de capacidade, a autonomia também aumentou. Em uma distância de cerca de 1.000 quilômetros em vias rodoviárias, seu consumo com gasolina variou entre 23 km/l e 28 km/l -- com esses números seria possível rodar aproximadamente 340 km sem reabastecer.

Além do consumo mais favorável, outro ponto forte do modelo é a posição de pilotagem. Embora seja trail, seu banco em dois níveis tem espuma mais densa e é mais largo que de outras motocicletas de uso misto. A Honda também instalou um guidão largo, porém em posição mais baixa, o que faz com que os braços fiquem mais relaxados -- consequentemente, o piloto cansa menos.

Há detalhes bem-vindos, como o bagageiro integrado às alças para a garupa, que facilita fixar bagagem. A pequena carenagem sobre o painel oferece pouca proteção aerodinâmica, tanto que muitos proprietários instalam bolhas maiores para enfrentar longas viagens. Outro incômodo é o ruído dos pneus originais, um par de Metzeler Enduro 3 (90/90 21, na dianteira; 20/80 18, na traseira), que são ótimos na terra, mas barulhentos no asfalto.

MOTOR JUSTO
O monocilíndrico de 291,6 cm³, com duplo comando de válvulas (DOHC) e refrigeração a ar, não mudou. Alimentado por injeção eletrônica, continua rendendo 26,1 cv (a 7.500 rpm) e 2,81 kgfm de torque (6.500 rpm) com gasolina; e 26,3 cv e 2,85 kgfm, nas mesmas faixas de giro, com etanol.

Seu desempenho é satisfatório para sua capacidade. Em rodovias, é possível se manter a 120 km/h e ainda há "folga" para ultrapassagens. Em subida íngremes, porém, é preciso reduzir uma marcha. Em velocidades superiores à de cruzeiro, o propulsor vibra demais e parece se "esgoelar". A velocidade máxima é de 145 km/h.

Mario Villaescusa/UOL
XRE 300 Rally vai bem no asfalto e na terra
CICLÍSTICA
Montado sobre um chassi do tipo berço semiduplo em aço, o conjunto de suspensões mostrou-se bem equilibrad. Na dianteira, há um garfo telescópico com 245 mm de curso; na traseira, balança de alumínio com monoamortecedor fixado por links. Em curvas mais fechadas, elas demonstravam rigidez necessária para contornos com segurança e absorviam bem imperfeições.

Os freios da XRE Rally contam com o sistema C-ABS, que impressionam. O disco de 256 mm, com pinça de três pistões, da frente e o disco de 220 mm, com pinça de um pistão, de trás param o modelo com eficácia e a segurança. Ajustado até mesmo para funcionar na terra, garante frenagens seguras mesmo no fora-de-estrada.

FICHA TÉCNICA: HONDA XRE 300 RALLY

  • Motor: 291,6 cc, DOHC, 1 cilindro, flex, arrefecimento a ar.
  • Transmissão: cinco marchas.
  • Potência máxima: 26,1 cv a 7.500 rpm (gasolina); 26,3 a 7.500 rpm (etanol).
  • Torque máximo: 2,81 kgfm a 6.500 rpm (gasolina); 2,85 kgfm a 6.500 rpm (etanol).
  • Alimentação: injeção eletrônica, partida elétrica.
  • Chassi: quadro berço semiduplo em aço.
  • Freios: Disco simples dianteiro de 256 mm, traseiro simples de 220 mm (C-ABS).
  • Pneus e rodas: 21 polegadas na dianteira, 90/90; 18 polegadas na traseira, 120/80.
  • Dimensões: 2.171 mm x 830 mm x 1.181 mm (CxLxA); entre-eixos: 1.417 mm; distância ao solo: 259 mm; altura do assento: 860 mm.
  • Tanque: 13,6 litros.
  • Peso: 151 kg (C-ABS), a seco.
  • Preço: R$ 16.576. 

TUDO ISSO TEM UM PREÇO...
È fácil entender o sucesso do modelo: esguia e leve (151 kg na versão com C-ABS), ela vai bem na cidade, com conforto, tem autonomia para pegar estrada e enfrenta trechos de terra sem problemas. Versatilidade é a palavra chave do sucesso da XRE 300.

Seu sucesso só não é maior em função do preço, elevado para quem sai das motos de até 150 cc. A Honda XRE 300 Rally (que não é vendida sem os freios combinados) custa R$ 16.576. Sua principal concorrente, a Yamaha XTZ 250 Ténéré, tem motor menor e não oferece ABS. Custa a partir de R$ 13.620.

Mario Villaescusa/UOL
Banco largo e em dois níveis garante conforto mesmo em longas viagens

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