Yamaha MT-09 traz de volta prazer de pilotar a preço acessível

Roberto Brandão Filho

Da Infomoto

Há anos uma motocicleta japonesa não causava tanto furor quanto a Yamaha MT-09, que chegou ao Brasil em setembro do ano passado. Com desenho único, motor tricilíndrico e inovações técnicas, virou uma das máquinas mais vendidas na Europa, feito alcançado não só pelas suas qualidades: com a MT-09, a marca nipônica não repetiu o erro cometido com a MT-01, primeiro membro da família, que tinha preço abusivo para a proposta.

Não é o caso da MT-09, cujo valor cobrado nas concessionárias é um de seus principais atrativos. No mercado brasileiro, o modelo custa R$ 35.990 na cor cinza fosco -- há versões especiais por R$ 36.590, em roxo ou laranja --, patamar intermediário entre rivais como Triumph Street Triple (R$ 32.990) e Kawasaki Z800 (R$ 39.390). A grande vantagem é que a máquina japonesa oferece desempenho de "moto grande" pelo valor de um modelo médio.

DESEMPENHO DE MOTO GRANDE
Com desenho inspirado em "corridas de drift, gangues tatuadas e motos customizadas de Tóquio", segundo a própria Yamaha, a MT-09 é chamada pela montadora de "o lado negro do Japão". Vários detalhes foram pensados para ornar com essa proposta, do guidão largo (estilo "streetfighter") à ignição escondida do lado esquerdo do painel de instrumentos, passando pelo quadro de instrumentos posicionado mais à direita, simulando um modelo de acrobacias.

Renato Durães/Infomoto
Desenho convencional da lanterna traseira destoa das linhas agressivas presentes no restante da MT-09
Ao girar a chave e deslizar o botão até a posição de ignição – esquema parecido (talvez copiado) com o da Ducati --, o motor 3-cilindros de 847 cm³ ruge de maneira grave, diferente de outros modelos tricilíndricos. Por usar um virabrequim inspirado na YZR-M1, moto que a marca usa no Mundial de Motovelocidade, o propulsor consegue entregar os 8,9 kgfm de torque (a 8.500 rpm) de forma linear, mesmo em giros mais baixos e no modo de pilotagem "B" do acelerador eletrônico (que entrega desempenho mais suave).

Nos modos "padrão" e "A" -- neste último, o torque e os 115 cv de potência (a 10.000 giros) são entregues de maneira praticamente imediata --, a MT-09 faz jus à sigla Masters of Torque ("mestres do torque", em inglês). As respostas do acelerador são rápidas e agressivas, especialmente na segunda marcha, o que exige cuidado de pilotos sem muita experiência com motocicletas de três cilindros.

Em comparação com a Street Triple, sua rival direta, o motor da Yamaha pode ser considerado até mais suave, porém sensivelmente mais forte. O câmbio de seis velocidades também é ligeiramente melhor. Obviamente, todo esse desempenho gera um ônus: no teste de Infomoto, o computador de bordo marcou consumo de 13,8 km/l, em uso misto na cidade e estrada.

ÁGIL E LEVE
Além do desempenho, a MT-09 se destaca pela excepcional ciclística, que proporciona leveza e agilidade. A posição de pilotagem -- braços bem abertos, cotovelos flexionados, peito levemente inclinado para frente e pedaleiras pouco recuadas --, deixam o motociclista seguro para encarar qualquer curva. 

Renato Durães/Infomoto
Motor 3-cilindros garante força; quadro de alumínio confere leveza e agilidade
As suspensões -- garfo invertido de 137 mm de curso na dianteira; monoamortecedor com ajuste de pré-carga da mola de 130 mm na traseira -- não são das mais esportivas, principalmente porque a configuração privilegia o conforto, mas garantem uma pilotagem estável mesmo em velocidades maiores. Nem pense em usar o modo "A" do acelerador eletrônico na cidade, entretanto: a moto fica arisca demais em ruas esburacadas. 

O sistema de freios -- que inclui dois discos flutuantes de 298 mm na dianteira, com pinças de quatro pistões, e ABS (antibloqueio) de série não desligável --, é extremamente eficiente para segurar toda a força do propulsor sem provocar sustos. Completam o conjunto: quadro e balança de alumínio fundido; rodas e pneus esportivos.

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