Moto elétrica, Livewire promete "calar" história da Harley-Davidson

Arthur Caldeira

Da Infomoto, em Miami (EUA)

"Esta é uma ótima motocicleta que, por acaso, é elétrica". A definição do diretor de design do projeto Livewire, Kirk Rasmussen, descreve a nova moto da Harley-Davidson. Leve (208 kg), ágil e com uma aceleração impressionante -- 0 a 100 km/h em 3,8 segundos --, a Livewire é a primeira moto movida a eletricidade produzida pela fábrica de Milwaukee (EUA), famosa por seus ruidosos motores V2.

Ainda em fase de desenvolvimento, o projeto está percorrendo concessionárias da Harley nos Estados Unidos desde junho para que atuais (e futuros) clientes da marca possam experimentá-la. Em breve, será a vez dos europeus contribuírem com seu desenvolvimento, que ainda não tem previsão de chegada ao mercado.

NA PRÁTICA

Antes de rodar cerca de oito quilômetros com a moto, a Harley fez questão de deixar claro aos convidados que a Livewire é completamente diferente de outros modelos da marca. "Se você tem uma custom, fique atento à posição das pedaleiras, mais ao centro e não alongadas lá na frente", afirmou um instrutor. Ao montar sobre o quadro de alumínio (o primeiro produzido pela Harley), nota-se que as novidades da Livewire não se limitam ao motor.

A posição de pilotagem remete às nakeds, porém mais curvada. "Nossa ideia foi criar uma café racer pós-moderna", revela Yvon Carvalho, brasileiro que trabalha há oito anos na área de pesquisa e desenvolvimento da Harley. Exceto pelos comandos nos punhos, nada na moto lembra uma Harley. Basta posicionar o botão corta-corrente na posição "RUN" que o painel acende -- parecido com um tablet com tela tátil de cinco polegadas, ele mostra dois modos de pilotagem ("Range" para mais autonomia e "Power" para mais potência).

O botão "Start"  fica no punho direito, como em todas as Harley, mas desta vez não há vibração ou barulho. Só o silêncio e o número zero no painel ao lado duas barras -- uma que indica autonomia e outra que mostra a intensidade do uso da bateria. Pode-se alternar entre milhas por hora ou km/h com um simples toque na tela.

Arthur Caldeira/Infomoto
Projeto ainda está em fase de estudo e deve demorar a chegar ao mercado
Não há embreagem nem câmbio, apenas uma transmissão primária do motor para o pinhão. A transmissão final é feita por correia dentada. No início, a Livewire se mostra leve e ágil até para ziguezaguear. Joelhos juntos ao falso tanque, pernas flexionadas e um acelerador que comanda tudo. A curva de torque, a aceleração e a velocidade são controladas pela intensidade com a qual você gira a manopla direita. É impressionante a rapidez com que a moto chega a 100 km/h partindo do zero -- quando o uso do acelerador foi a quase 100%, é possível sentir a roda traseira destracionar. "Isso é normal. Se girar tudo de uma vez, queima pneu", advertiu o instrutor. Em curvas, a Livewire também se mostra obediente e firme.
As suspensões (garfo invertido na dianteira e balança monoamortecida na traseira) estavam rígidas demais até mesmo para ruas norte-americanas, mas permitem inúmeros ajustes. Para parar, bons freios, mas que mal precisam ser usados: basta tirar a mão do acelerador para que a desaceleração do motor estanque a moto. Essa desaceleração também recarrega a bateria e ajuda a aumentar a autonomia, que chega a quase 100 quilômetros no modo "Power" -- o tempo para recarga é de 3 horas em tomada de 220 V.

Arthur Caldeira/Infomoto
Livewire será marco na história da empresa norte-americana
VISUAL
A aparência do protótipo dá impressão de que o desenho esteja perto de sua versão final, porém muito ainda pode ser melhorado. "Esse projeto começou em 2010 e foi lançado publicamente em junho deste ano. Desde então, já registramos diversas melhorias que podem ser feitas para aumentar a autonomia", confessa Yvon Carvalho.

O desempenho do motor é melhor que o de muitos modelos Harley em produção -- seus 55 kW equivalem a cerca de 74 cavalos. Seu comportamento dinâmico é digno de elogios e deverá agradar até mesmo quem não gosta de custom. Seu visual, meio futurista, também dialoga com a nova geração de motociclistas.

Mas nem tudo é perfeito: sente-se falta do som do motor. O ruído de turbina emitido pela ressonância do motor elétrico é interessante quando se acelera, porém irritante em velocidades constantes. Seu banco também não é dos mais confortáveis, embora sua proposta seja urbana. E sua autonomia é relativamente baixa se pensarmos que as motos convencionais da H-D são feitas para viagens...

Mas a Livewire não é convencional. "Está mais para uma guitarra elétrica do que para um carro elétrico", afirmou Mark Hans-Richer, vice-presidente e chefe de marketing da Harley-Davidson, referindo-se à revolução que a eletricidade levou às cordas do violão. Talvez a moto não seja tão revolucionária em termos de engenharia, mas do ponto de vista estratégico, uma moto elétrica feita pela marca centenária mostra que a empresa está de olho no futuro. E nos futuros clientes.

Arthur Caldeira/Infomoto
Nem custom, nem naked: Livewire é uma café racer leve, ágil e divertida

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